O Corinthians não conseguiu pagar, dentro do prazo prometido, uma parcela atrasada do plano coletivo de credores administrado pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD). A falta de quitação levou o Cuiabá, principal credor do processo, a apresentar um novo pedido de sanções contra o clube paulista.
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Em manifestação protocolada nesta terça-feira, o clube mato-grossense solicitou que o transfer ban seja mantido e que a Câmara aplique multa ao Corinthians. O pedido também inclui o bloqueio e o repasse de receitas ou premiações que o time alvinegro tenha direito a receber da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
O prazo descumprido havia sido assumido pelo próprio Corinthians em documento enviado à CNRD em 16 de junho. Na ocasião, a diretoria informou que buscaria os recursos para regularizar a parcela pendente. O compromisso não foi cumprido até a data estabelecida, e o clube comunicou que continua sem dinheiro para fazer o pagamento.
Débito com o Cuiabá passa de R$ 17 milhões
A cobrança do Cuiabá está ligada principalmente à negociação do volante Raniele. O jogador foi contratado pelo Corinthians em janeiro de 2024, mas os valores do acordo não foram integralmente pagos. A dívida entre os clubes é estimada em pouco mais de R$ 17 milhões e representa a maior parte da pendência discutida no processo.
O Cuiabá argumenta que o atraso atual não é o primeiro problema na execução do acordo. Antes da nova promessa, o Corinthians já havia deixado de cumprir o cronograma original homologado pela CNRD. Depois, pediu a postergação do pagamento e assumiu uma nova obrigação, com data definida, que também acabou vencida sem quitação.
Na avaliação apresentada pelo clube do Centro-Oeste, a sequência prejudica a confiança necessária para a manutenção de um plano que reúne diferentes credores. A decisão sobre os pedidos, no entanto, ainda depende da análise da Câmara. Até que haja manifestação diferente no processo, o Corinthians segue submetido ao impedimento de registrar reforços.
O transfer ban em vigor tem duração prevista de seis meses. A punição foi aplicada depois do atraso em uma das parcelas do plano coletivo e impede o clube de inscrever novos jogadores nas competições oficiais. A medida afeta diretamente a possibilidade de o Corinthians reforçar o elenco enquanto tenta reorganizar suas finanças.
Plano coletivo prevê R$ 76 milhões em pagamentos
O acordo da CNRD foi criado para concentrar e organizar débitos do Corinthians com clubes, atletas e empresários. Homologado em abril de 2025, o plano prevê o pagamento de aproximadamente R$ 76 milhões, distribuídos em parcelas trimestrais ao longo de seis anos.
A estrutura prevê 24 parcelas de cerca de R$ 8 milhões. Em cada pagamento, 80% do valor são destinados ao credor principal de cada processo, enquanto os 20% restantes correspondem aos honorários advocatícios. O modelo foi estabelecido para distribuir os recursos entre os credores incluídos no acordo.
Por esse motivo, o atraso de uma parcela não atinge apenas a relação entre Corinthians e Cuiabá. O descumprimento interfere na programação financeira criada para atender a diferentes cobranças. O bloqueio de receitas e premiações da CBF aparece, justamente, como uma tentativa de assegurar que valores destinados ao Corinthians sejam direcionados ao cumprimento das obrigações previstas.
Se for aceito, o pedido do Cuiabá acrescentará uma restrição financeira ao impedimento de registros já aplicado. A retenção poderia alcançar receitas ou premiações devidas pela CBF, mas a medida ainda não foi determinada pela CNRD. A Câmara terá de avaliar a extensão das sanções e os argumentos apresentados no processo.
Crise financeira limita alternativas para quitar parcelas
O atraso ocorre em um momento de forte pressão sobre o caixa corintiano. O clube encerrou o primeiro semestre com déficit de R$ 246 milhões. Em junho, ao justificar a dificuldade para cumprir o cronograma, a diretoria informou que havia desembolsado mais de R$ 170 milhões para o pagamento de dívidas ao longo de 2026.
Na manifestação apresentada naquele período, o Corinthians relacionou parte da queda de receitas à paralisação do calendário do futebol brasileiro durante a Copa do Mundo. Segundo a justificativa levada à CNRD, o intervalo reduziu entradas provenientes de bilheteria, patrocínios e mídia digital.
Uma das estratégias consideradas pelo clube era levantar dinheiro com a venda de jogadores na janela de transferências. Conforme o cenário descrito pelas fontes, o Corinthians ainda não havia concluído negócios e não tinha obtido recursos relevantes por meio dessas operações.
A dificuldade financeira também alcança os compromissos com os atletas. O clube tem um mês de direitos de imagem pendente para os elencos masculino e feminino, além de premiações previstas nos contratos dos jogadores. Essas obrigações se somam às parcelas trimestrais do plano coletivo e reduzem as alternativas disponíveis para regularizar a dívida.
Com cobranças simultâneas de clubes, jogadores e empresários, o Corinthians terá de lidar agora com a nova manifestação do Cuiabá dentro da CNRD. O processo envolve a dívida relacionada principalmente à compra de Raniele, mas as consequências podem alcançar o planejamento financeiro e esportivo do clube caso novas restrições sejam aplicadas. Por enquanto, permanecem em vigor o plano de pagamentos e o transfer ban já determinado.