O Atlético-MG entra em campo nesta quarta-feira, às 19h (de Brasília), com a obrigação de transformar a Arena MRV no ponto de partida para uma reação. Depois da derrota por 2 a 0 para o Santos, na Vila Belmiro, o time mineiro precisa vencer por três gols de diferença para avançar diretamente à semifinal da Copa Sul-Americana. Um triunfo por dois gols leva a definição para os pênaltis.
A partida também representa uma oportunidade para o técnico Eduardo Domínguez contar novamente com Tomás Cuello. Suspenso no confronto de ida, o atacante volta a ficar disponível justamente quando o Atlético necessita aumentar a produção ofensiva. A presença do argentino amplia as alternativas do treinador para um duelo em que a equipe terá de atacar sem perder o controle defensivo.
Cuello tem sido um dos jogadores mais produtivos do elenco atleticano. Na temporada, soma 16 participações em gols, divididas entre oito gols e oito assistências. Desde que chegou ao clube, disputou 83 partidas, marcou 14 vezes e deu 15 passes decisivos.
O atacante também chega ao compromisso em momento positivo. Na rodada anterior, participou diretamente de dois gols, com uma bola na rede e uma assistência. O desempenho reforçou a importância do jogador para um Atlético que não poderá depender apenas de cruzamentos ou de uma pressão desorganizada para tentar retirar a vantagem santista.
O nome de Cuello ainda esteve envolvido em uma movimentação de mercado. A diretoria atleticana recusou uma proposta do CSKA Moscou, da Rússia, pelo jogador. Os valores da oferta não foram apresentados, mas a decisão indica que o clube considera o atacante parte importante do planejamento esportivo.
O Atlético continua vivo em outras frentes da temporada. A equipe disputa também a Copa do Brasil e ocupa a sétima colocação do Campeonato Brasileiro, com 39 pontos. A Sul-Americana, porém, impõe uma urgência diferente: qualquer resultado que não reverta a vantagem construída pelo Santos encerra a campanha continental nas quartas de final.
Domínguez precisa escolher entre hierarquia e momento
A escalação atleticana ainda envolve decisões em setores determinantes. Na zaga, Vitão ganhou espaço depois de ser utilizado nos dois clássicos contra o Cruzeiro, pela Copa do Brasil, em razão da lesão de Ruan. O jovem iniciou a vitória por 3 a 0 sobre o Grêmio e teve atuação segura, além de marcar um dos gols da equipe.
O desempenho colocou Vitão na disputa por uma vaga com Lyanco. Titular no jogo de ida contra o Santos, o zagueiro agora aparece como alternativa após se recuperar de lesão. Léo Duarte também foi liberado para atuar, enquanto Ruan segue lesionado. A escolha de Domínguez, portanto, pode opor a experiência de Lyanco ao momento ascendente de Vitão.
A dúvida não se limita à defesa. No comando do ataque, Cassierra perdeu força depois de alcançar 18 partidas sem marcar pelo Atlético. O centroavante vinha sendo a referência da equipe, mas atravessa uma sequência de baixo rendimento e passou a ser pressionado por Reinier.
O camisa 19 aproveitou as oportunidades recentes e participou de três gols nas últimas cinco partidas, com dois gols e uma assistência. A fase pode pesar na decisão do treinador, embora Cassierra tenha a seu favor a sequência construída anteriormente e a confiança recebida ao longo do trabalho.
Se Reinier começar a partida, o Atlético poderá apostar em um jogador que vem contribuindo mais nas ações recentes. Caso Cassierra seja mantido, Domínguez preservará a estrutura utilizada em boa parte da temporada. Independentemente da escolha, o setor ofensivo terá de ser eficiente: dois gols são necessários para levar a disputa às penalidades, e três garantem a classificação sem depender das cobranças.
Santos recompõe defesa e ataque para proteger vantagem
O Santos encerrou a preparação no CT Rei Pelé com duas novidades importantes. Lucas Veríssimo participou do último treinamento e deve retornar à formação titular. O zagueiro havia sofrido uma entorse no tornozelo direito durante o confronto com o Palmeiras, pela Copa do Brasil, e ficou fora de três partidas, entre elas o primeiro duelo com o Atlético.
A volta de Veríssimo oferece ao técnico Cuca uma opção que esteve ausente justamente na partida em que o Santos abriu vantagem. O defensor deve formar a dupla de zaga com Luan Peres, em uma tentativa de conter a pressão esperada na Arena MRV e preservar o resultado obtido em casa.
Gabigol também está novamente à disposição. O atacante não enfrentou o Cruzeiro por causa do acúmulo de cartões amarelos e deve reassumir a titularidade. Emprestado pelo Atlético, ele reencontrará o clube mineiro em um jogo decisivo para a temporada dos dois times.
Durante a atividade final, Cuca comandou exercícios físicos e ajustes táticos. Neymar e Barreal, que se lesionaram no confronto com o Palmeiras, foram as exceções entre os jogadores que não participaram do treinamento. A provável equipe santista tem Gabriel Brazão; Rodinei, Lucas Veríssimo, Luan Peres e Escobar; Christian Oliva, Willian Arão, Gustavinho e Bontempo; Rony ou Rollheiser e Gabigol.
Com o placar construído na Vila Belmiro, o Santos se classifica com empate, vitória ou derrota por um gol de diferença. Se perder por dois gols, a vaga será decidida nos pênaltis. O Atlético, por outro lado, precisa equilibrar a necessidade de se expor com a obrigação de evitar novos espaços para o adversário. A volta de Cuello, a escolha entre Vitão e Lyanco e a definição do centroavante estarão entre os principais pontos da decisão.