Zé Ivaldo cobra maior eficiência do Remo após empate, que aumenta a pressão na luta contra o rebaixamento.Foto: Reprodução da Internet
O empate por 1 a 1 com o Red Bull Bragantino, no último domingo (18), expôs um problema que o Remo tenta resolver em meio à crise no Campeonato Brasileiro: a equipe cria oportunidades, mas não consegue transformar o volume ofensivo em gols. Depois da partida no Mangueirão, o zagueiro Zé Ivaldo reconheceu que a pressão vinda das arquibancadas também interferiu no comportamento dos jogadores, principalmente após o gol sofrido.
Em entrevista à Rádio Liberal +, o defensor afirmou que o Remo começou o confronto em melhores condições, impondo seu ritmo e controlando os primeiros momentos. A situação mudou quando Lucas Barbosa abriu o placar para o Bragantino, aos nove minutos do primeiro tempo. Na tentativa de reagir rapidamente, os jogadores teriam perdido parte da tranquilidade, acelerado decisões e cometido erros que poderiam ter ampliado a desvantagem.
“No início do jogo fomos superiores ao Bragantino, mas depois que sofremos o gol e o nosso time entrou na pilha da torcida, que começou a acelerar alguns jogadores, cometemos alguns erros ali, que, se tomássemos o segundo gol, seria uma montanha grande para subir”, analisou Zé Ivaldo.
Pressão aumentou a ansiedade do time
A avaliação do zagueiro ocorreu em um estádio que viveu novamente um ambiente de cobrança. O Remo chegou ao duelo pressionado pela sequência de resultados negativos e precisava vencer diante de sua torcida. Nesse cenário, a reação das arquibancadas, segundo o jogador, acabou influenciando o comportamento coletivo em vez de ajudar o time a manter a organização após o golpe sofrido.
O defensor, no entanto, não atribuiu o resultado apenas à pressão externa. Zé Ivaldo também apontou uma falha recorrente na campanha azulina: a diferença entre o que a equipe produz e o que efetivamente coloca no placar. De acordo com ele, o Remo consegue construir jogadas, movimentar os jogadores de ataque e encontrar espaços, mas desperdiça as oportunidades antes de ser punido pelos adversários.
“Temos que parar de vacilar. O professor cobrou no vestiário que a equipe faz tudo certo, cria chances, faz a movimentação e não fazemos o gol. Aí, em uma bobeira nossa, os caras vão lá e fazem o gol. Aí tem que ‘remar’ tudo de volta, tem que manter a tranquilidade, caprichar lá na frente”, afirmou.
Bronca de Carpini muda postura após o intervalo
O técnico Thiago Carpini aproveitou o intervalo para cobrar uma reação mais intensa. Zé Ivaldo relatou que o treinador elevou o tom e exigiu que o grupo tivesse coragem para avançar suas linhas. A resposta apareceu no segundo tempo, quando o Remo passou a pressionar mais e empurrou o Bragantino para perto da própria área.
O empate saiu aos nove minutos da etapa final, com Jajá, mas a equipe não conseguiu aproveitar o restante do jogo para buscar a virada. Segundo os números apresentados por Carpini na entrevista coletiva, o Remo terminou a partida com 25 finalizações, contra 16 do adversário. O dado indica superioridade no volume de arremates, mas também reforça a cobrança por maior precisão nas conclusões.
“No segundo tempo tomamos uma bronca do professor, tivemos coragem de jogar e colocamos a equipe do Bragantino lá atrás. Infelizmente não deu, o jogo hoje era para buscarmos os três pontos”, lamentou o zagueiro.
Remo segue pressionado na Série A
Com o novo empate, o Remo chegou a 13 partidas sem vencer, considerando todas as competições. Na Série A, o clube ocupa a 19ª colocação, com 26 pontos, e permanece em situação delicada na luta contra o rebaixamento. A falta de vitórias aumenta o peso de cada oportunidade desperdiçada e torna os erros defensivos ainda mais determinantes para a campanha.
A sequência também explica a insatisfação demonstrada pelos torcedores no Mangueirão. Zé Ivaldo afirmou que o elenco entende a cobrança das arquibancadas, mas ressaltou que a responsabilidade não está apenas fora do campo. Segundo o defensor, os próprios jogadores se cobram internamente e sabem que precisam apresentar uma resposta no próximo compromisso.
“A torcida está ansiosa para o clube voltar a vencer. É uma cobrança não só da torcida, mas de nós jogadores mesmo no vestiário. Temos que descansar, temos uma viagem na quinta-feira e um jogo muito importante na sexta”, concluiu.
O próximo desafio será contra o Cruzeiro, na sexta-feira (23), às 20h, no Mineirão, em Belo Horizonte, pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro. Fora de casa, o Remo terá a oportunidade de interromper a série negativa, mas precisará transformar a evolução indicada pelo número de finalizações em eficiência ofensiva. A equipe também terá de controlar a ansiedade para não repetir os erros que, na avaliação de Zé Ivaldo, fizeram o empate com o Bragantino parecer insuficiente.
O cenário mantém o trabalho de Carpini sob atenção, especialmente na busca por uma equipe mais equilibrada entre criação e conclusão. A cobrança por efetividade, já exposta pelo treinador no vestiário e pelo zagueiro após o jogo, passa a ser um dos principais pontos de preparação para a visita ao Cruzeiro. Mais do que aumentar o volume de jogo, o Remo precisa aproveitar melhor as chances e evitar que a pressão transforme cada gol sofrido em uma dificuldade ainda maior.
O momento foi analisado também em avaliação sobre o que pode tirar o Remo da crise na Série A. A partida no Mineirão será o próximo teste para saber se o time conseguirá responder dentro de campo às cobranças feitas depois do empate no Mangueirão.