Venda de Allan ao City abre disputa por valores do Figueirense
Palmeiras terá dez dias para apresentar documentos da transferência do volante ao Manchester City, enquanto a Justiça analisa valores destinados ao Figueirense.
A Justiça determina que o Palmeiras apresente documentos da transferência de Allan em dez dias.Foto: Reprodução da Internet
A transferência do volante Allan para o Manchester City passou a ser examinada pela Justiça de São Paulo por causa dos valores que deveriam ser destinados ao Figueirense. O Palmeiras recebeu prazo de dez dias para apresentar a íntegra dos contratos relacionados à negociação, incluindo anexos e eventuais aditivos sobre a forma de pagamento.
A determinação foi proferida pela 5ª Vara Cível, em decisão atribuída à juíza Marcella Leal Restum. O Palmeiras não aparece como réu no processo. O clube foi incluído na ação na condição de terceiro, porque os documentos da operação estão sob sua responsabilidade e existe previsão contratual de repasse ao clube catarinense.
O processo foi movido pela M&F Investimentos e Participações S/A contra o Figueirense. A disputa está ligada a dívidas do clube de Santa Catarina e à tentativa de seus credores de alcançar recursos que seriam recebidos após a transferência de Allan. A parcela vinculada ao Figueirense já foi atingida por uma ordem de penhora.
Por que a Justiça pediu os contratos
A solicitação judicial busca esclarecer quanto foi efetivamente negociado, como o pagamento foi dividido e quais créditos foram gerados pela saída do jogador para o futebol inglês. Por isso, a decisão não se limita ao contrato principal: também exige anexos e possíveis aditivos que expliquem as condições financeiras da operação.
Com a documentação, o juízo poderá comparar as referências de valores apresentadas no processo e verificar qual base deve ser utilizada no cálculo da quantia destinada ao Figueirense. A análise também deverá ajudar a estabelecer como os recursos penhorados serão transferidos entre as partes que disputam o crédito.
O pedido de documentos, portanto, não representa uma acusação contra o Palmeiras. A participação do clube paulista decorre da obrigação contratual relacionada ao negócio. O prazo de dez dias serve para que a equipe apresente informações que podem ser determinantes para a definição do valor e do destino do dinheiro.
Há duas referências para o valor da transferência
Uma das cifras mencionadas nos autos é de aproximadamente R$ 210 milhões. Esse valor foi relatado pelo próprio Palmeiras no processo e serviu de referência para a discussão sobre a participação financeira do Figueirense.
Já a apuração do Lance!, inicialmente divulgada pelo UOL e confirmada pelo veículo, aponta que o Manchester City pagou 40 milhões de euros por Allan. A quantia foi apresentada como a soma de parcelas fixas e variáveis e equivaleria a cerca de R$ 240 milhões na cotação considerada pela reportagem.
As duas referências não permitem, por si só, concluir que houve divergência definitiva sobre a operação. A conversão de euros para reais depende do câmbio utilizado, enquanto o valor total pode reunir parcelas de naturezas diferentes. A documentação solicitada pela Justiça deverá indicar quais pagamentos foram previstos, quais já foram realizados e qual montante deve ser levado em conta no repasse.
Esse ponto é central porque o acordo citado no processo estabelece que o Figueirense teria direito a 10% do valor total da transferência. Considerando a estimativa de R$ 210 milhões registrada nos autos, a parcela chegaria a aproximadamente R$ 21 milhões. O número, entretanto, ainda depende da conferência dos contratos e da definição judicial sobre a composição da venda.
Percentual e bonificação entram na disputa
Além dos 10% sobre a negociação, o Figueirense teria direito a uma bonificação de R$ 750 mil caso Allan fosse transferido. Essa cláusula amplia a análise necessária no processo, já que a Justiça precisará verificar não apenas o percentual sobre a venda, mas também a obrigação adicional prevista no acordo.
O Figueirense era responsável por parte dos direitos relacionados ao jogador e, conforme descrito no processo, detinha o restante do passe de Allan. A participação do clube catarinense na formação e na trajetória contratual do volante explica por que a transferência ao Manchester City produziu um crédito em favor da equipe.
Como esse crédito está penhorado, o Figueirense não tem liberdade para receber e utilizar imediatamente os valores. A ordem judicial foi determinada no contexto da cobrança apresentada pelos credores, que tentam alcançar o dinheiro antes que ele seja destinado ao clube catarinense.
Palmeiras diz que vai colaborar
Procurado pelo Lance!, o Palmeiras afirmou que não tem preocupação com a solicitação e que colaborará com as determinações da Justiça. A manifestação indica que o clube pretende cumprir o prazo e fornecer os documentos necessários para a continuidade da análise.
A entrega dos contratos não encerra a disputa. Depois do recebimento do material, o juízo ainda deverá examinar os valores fixos e variáveis, as condições dos pagamentos e as cláusulas referentes ao Figueirense. Também caberá à Justiça definir quais quantias estão sujeitas à penhora e de que maneira elas serão destinadas.
Allan foi formado na Academia de Futebol do Palmeiras antes de seguir para o Manchester City. A negociação ganhou relevância no processo não por uma contestação esportiva à transferência, mas porque o acordo financeiro envolvendo o atleta criou uma obrigação de repasse ao Figueirense. Até que os documentos sejam analisados, permanecem como referências a cifra de cerca de R$ 210 milhões registrada nos autos e o montante de 40 milhões de euros informado na apuração do Lance!.