O Vasco começou a organizar uma nova tentativa para disputar no Maracanã a partida de volta da semifinal da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors. A diretoria pretende formalizar o pedido de uso do estádio e, diante de uma eventual recusa, avalia deixar preparada uma iniciativa na Justiça.
A estratégia ainda não representa uma ação judicial protocolada nem confirma o Maracanã como palco do confronto. O clube trabalha com a possibilidade de recorrer ao Judiciário apenas se a administração do estádio rejeitar novamente a solicitação. A informação foi divulgada pelo jornalista Diogo Dantas, de O Globo, e repercutida pela CartaCapital.
O movimento ocorre porque São Januário não pode receber partidas das semifinais da competição continental. O estádio vascaíno não alcança a capacidade mínima exigida pela Conmebol para essa fase, o que impede o clube de utilizar sua casa no duelo decisivo contra o time argentino.
Vasco tentou ampliar São Januário
Antes de concentrar os esforços no Maracanã, o Vasco chegou a considerar a instalação de estruturas provisórias em São Januário. A alternativa permitiria ampliar a capacidade do estádio e preservar o mando no endereço tradicional do clube.
A ideia, porém, foi descartada por causa do prazo disponível. O tempo restante até a partida não seria suficiente para desenvolver e executar uma obra capaz de atender às exigências da Conmebol. Com isso, a busca por outro estádio passou a ser necessária, independentemente da preferência da comissão técnica ou da diretoria.
Pedro Emanuel já havia demonstrado o desejo de continuar jogando em São Januário. Ao comentar as alternativas, o treinador apontou o Maracanã como sua segunda escolha e classificou o estádio como a “segunda casa” do Vasco. A possibilidade de permanecer no Rio de Janeiro é um dos fatores que tornam o local prioritário para o clube.
Histórico recente influencia possível recurso
A preparação de uma resposta judicial está ligada ao histórico recente entre o Vasco e a administração do Maracanã. O clube teve solicitações anteriores para atuar no estádio recusadas e chegou a procurar a Justiça para tentar levar ao local o confronto contra o Vitória, pela Copa do Brasil.
Naquele episódio, a tentativa não terminou com autorização para que a partida fosse realizada no Maracanã. Por isso, a diretoria pretende se antecipar e avaliar os caminhos possíveis antes de receber a resposta ao novo pedido. Qualquer medida dependerá do teor da negativa, do prazo disponível e das condições exigidas para a realização da semifinal.
Apesar do antecedente, o Vasco ainda precisa cumprir a etapa administrativa. A solicitação formal será submetida à administração do estádio, que terá de verificar a possibilidade de receber o compromisso. Somente depois dessa análise será possível saber se o impasse permanecerá no campo das negociações ou avançará para uma disputa judicial.
Nilton Santos é a alternativa no Rio
Enquanto tenta viabilizar o Maracanã, o Vasco mantém o Nilton Santos como plano alternativo. O estádio também fica na capital fluminense e aparece como uma opção para que o clube não precise deixar o Rio de Janeiro na semifinal da Sul-Americana.
A existência desse caminho reduz o risco de a indefinição sobre o Maracanã impedir a organização do jogo, mas não elimina a necessidade de uma escolha dentro do planejamento da competição. O palco definido precisará ser comunicado à Conmebol, responsável pela organização do torneio e pela verificação das condições do estádio escolhido.
O calendário do Maracanã é outro fator que pode pesar na decisão. Há a possibilidade de o Flamengo disputar a semifinal da Libertadores caso avance no torneio. Se o time rubro-negro tiver compromisso no estádio na mesma semana da partida entre Vasco e Boca Juniors, a coincidência poderá afetar a disponibilidade do local e complicar a tentativa vascaína.
Assim, o clube trabalha em três frentes relacionadas ao mesmo objetivo: busca a liberação do Maracanã, considera uma reação judicial caso receba nova negativa e preserva o Nilton Santos como alternativa. Até que a administração do estádio se manifeste e a Conmebol receba a definição, o local da volta da semifinal permanece em aberto.