Leonardo Henrique Peixoto dos Santos, conhecido no futebol como Henrique, morreu nesta quarta-feira (16), aos 49 anos. Ex-zagueiro do Vasco, ele atuava como auxiliar técnico do Duque de Caxias, clube do Rio de Janeiro que confirmou o falecimento e publicou homenagens ao profissional.
A trajetória de Henrique ficou ligada a dois momentos marcantes do Vasco. O primeiro foi a participação em uma geração que conquistou títulos de expressão entre o fim dos anos 1990 e o começo dos anos 2000. O segundo ocorreu em 2004, quando um cabeceio do defensor contra o Athletico-PR livrou o time carioca do rebaixamento no Campeonato Brasileiro.
Formação em São Januário e títulos pelo Vasco
Nascido no Rio de Janeiro em 16 de julho de 1977, Henrique iniciou a formação nas categorias de base do Bonsucesso antes de chegar ao Vasco. Promovido ao elenco profissional em 1998, passou a fazer parte de um grupo que reunia alguns dos principais jogadores da história recente do clube.
O ex-zagueiro teve duas passagens pelo time profissional vascaíno, entre 1998 e 2001 e depois de 2003 a 2004. Nesse intervalo, integrou os elencos que venceram a Libertadores de 1998, a Copa Mercosul de 2000 e o Campeonato Brasileiro de 2000. A conquista continental ocorreu no ano do centenário do Vasco, enquanto os dois troféus de 2000 consolidaram o clube entre as principais forças do futebol brasileiro naquele período.
Henrique não ocupava o espaço destinado às grandes estrelas daqueles times, mas construiu sua importância como integrante do elenco e do setor defensivo. A passagem por São Januário também estabeleceu a identificação que mais tarde seria reforçada pelo gol decisivo marcado em uma temporada de pressão para o clube.
Em 2002, o defensor teve uma experiência fora do Brasil. Foi emprestado ao Litex Lovech, da Bulgária, e depois retornou ao futebol brasileiro. Ao longo da carreira, também defendeu Atlético-MG, Fluminense, Madureira, Vila Nova, Goiás e Náutico. O encerramento da trajetória como jogador ocorreu em 2011, quando vestia a camisa do America-RJ.
Cabeçada contra o Athletico virou símbolo em 2004
O lance que mais aproximou Henrique da memória dos torcedores vascaínos aconteceu na penúltima rodada do Brasileirão de 2004. O Vasco recebeu o Athletico-PR em São Januário, em um confronto que reunia objetivos distintos: os donos da casa tentavam escapar da parte inferior da tabela, enquanto os paranaenses brigavam pela liderança e pelo título.
A partida permaneceu empatada sem gols até o segundo tempo. Aos 21 minutos, Petkovic cobrou uma falta pela direita, e Henrique se antecipou aos marcadores para cabecear e balançar as redes. O gol garantiu a vitória por 1 a 0 e assegurou ao Vasco os pontos necessários para afastar o risco de queda à segunda divisão.
O resultado também teve consequência na disputa pelo campeonato. O Athletico-PR deixou São Januário derrotado e perdeu a liderança para o Santos. O clube paulista assumiu a ponta e confirmou a conquista do título na rodada seguinte. Assim, o gol de Henrique ficou associado simultaneamente à permanência do Vasco na elite e à mudança na corrida pelo troféu nacional.
A importância do momento estava relacionada à fase atravessada pelo Vasco. O clube já não vivia o mesmo ciclo de conquistas que marcou a virada do milênio e enfrentava uma reta final de campeonato sob pressão. Em meio à reformulação do elenco, um jogador formado em São Januário decidiu uma partida de peso com um lance de bola parada.
O episódio ganhou força justamente pela combinação entre o cenário da partida e a origem do autor. Henrique havia integrado os grupos campeões do fim dos anos 1990 e do início dos anos 2000, mas foi em uma campanha de luta contra o rebaixamento que passou a ser lembrado de maneira mais individual pelos vascaínos.
Depois dos gramados, trabalho na comissão técnica
O fim da carreira como atleta não afastou Henrique do futebol. Depois de pendurar as chuteiras, ele migrou para a comissão técnica e passou a trabalhar como auxiliar. Essa era a função exercida no Duque de Caxias quando ocorreu sua morte.
O clube da Baixada Fluminense confirmou o falecimento e prestou homenagens ao profissional. O Vasco também se manifestou nas redes sociais e classificou Henrique como “Cria da Colina”, lembrando sua formação no clube e a participação nas conquistas da Libertadores de 1998, da Mercosul de 2000 e do Brasileiro de 2000.
A manifestação vascaína retomou a ligação construída desde as categorias de base. Henrique saiu de São Januário para disputar competições no exterior e defender diferentes equipes brasileiras, mas manteve o clube como principal referência de sua carreira.
Entre títulos coletivos e uma jogada decisiva, o ex-zagueiro deixou marcas em momentos muito diferentes do Vasco. As taças conquistadas na era de maior força esportiva do clube explicam seu lugar na história do elenco, enquanto a cabeçada contra o Athletico-PR transformou seu nome em símbolo de uma permanência dramática na primeira divisão.