Corinthians amarga sua décima partida sem vitória e mergulha na zona de rebaixamento.Foto: Reprodução da Internet
A primeira partida de Clarence Seedorf à beira do campo pelo Corinthians terminou com uma derrota que reúne, ao mesmo tempo, sinais de reação e problemas conhecidos. O Timão perdeu por 3 a 2 para o Vasco, neste sábado (24), em São Januário, pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro, depois de virar o placar no segundo tempo e sofrer dois gols nos minutos finais.
O resultado levou o Corinthians ao décimo jogo consecutivo sem vencer na competição. Com 33 pontos, a equipe caiu para a 17ª posição e entrou na zona de rebaixamento. A distância para o Internacional, primeiro clube fora do Z-4, é de dois pontos. Restam seis rodadas para o fim do campeonato, o que reduz a margem de erro na tentativa de permanecer na Série A.
A derrota também aumentou o peso sobre Seedorf, contratado para comandar a reação corinthiana na reta final. O treinador não ignorou o impacto emocional da virada, mas preferiu destacar a postura apresentada pelo elenco durante parte da partida. Depois de sair atrás, o Corinthians conseguiu mudar o cenário no começo da etapa final, criou oportunidades e chegou a parecer capaz de controlar o confronto.
O problema foi a incapacidade de sustentar essa resposta. O Vasco aumentou a presença ofensiva nos minutos decisivos e encontrou espaço para marcar aos 42 e aos 44 minutos. A sequência transformou uma vantagem corinthiana em mais uma derrota e expôs a dificuldade da equipe para proteger resultados positivos.
Confiança de Seedorf convive com pressão na tabela
Na entrevista após o jogo, Seedorf afirmou que o grupo sentiu os gols sofridos no fim, mas não considera encerrada a luta contra o rebaixamento. O técnico avaliou que a irritação dos jogadores com a sequência negativa é um sinal de que o elenco continua mobilizado e não aceitou a situação.
“Não acabou aqui”, disse o treinador. Seedorf também mencionou a entrega observada no segundo tempo e a necessidade de aproveitar a força da torcida nos compromissos em casa. A declaração foi dada em um momento no qual o Corinthians precisa transformar o discurso de reação em pontos, já que a equipe deixou de depender apenas dos próprios resultados para sair imediatamente da zona de queda.
O comandante, entretanto, reconheceu que houve falhas nos dois lados do jogo. Na avaliação apresentada depois da partida, o time poderia ter sido mais eficiente nas ações ofensivas e mais concentrado quando precisou defender. A combinação entre chances desperdiçadas, perda de organização e pressão vascaína foi determinante para o desfecho.
Substituições foram explicadas por desgaste físico
Seedorf foi questionado sobre as alterações feitas no segundo tempo, principalmente porque o Corinthians perdeu força depois de assumir a vantagem. O técnico explicou que as trocas tiveram relação direta com o desgaste dos atletas. Segundo ele, Yuri estava muito cansado e precisava sair para evitar o risco de uma lesão. Bidu também teria pedido para deixar o campo.
Com o Vasco colocando quatro jogadores no ataque, a comissão técnica decidiu reforçar o meio-campo. Charles e Allan entraram para aumentar a pressão e oferecer mais proteção à defesa. Kaio foi utilizado com a função de manter alguma capacidade de atacar, impedindo que o Corinthians recuasse completamente.
A estratégia produziu uma resposta inicial, mas não resolveu o problema quando o Vasco recuperou a bola e avançou. Seedorf reconheceu que o time não conseguiu defender bem nessas situações. A explicação ajuda a entender as mudanças, mas não diminui a consequência prática: mesmo com a tentativa de equilibrar energia defensiva e ameaça ofensiva, o Corinthians sofreu dois gols em curto intervalo.
Memphis também vive momento de baixa produção
A crise coletiva ocorre paralelamente a um período de baixa do principal nome ofensivo do elenco. Memphis Depay não marca há 12 partidas pelo Corinthians, a maior sequência sem gols desde sua chegada ao clube. O último gol foi anotado contra o Santos, em 22 de março de 2026, pela primeira rodada do Brasileirão.
O jejum atual superou a marca anterior do atacante, que havia ficado dez jogos sem balançar as redes entre janeiro e março. Em 2026, Memphis soma 23 partidas, 18 como titular, um gol e duas assistências. Os números indicam uma participação ofensiva abaixo da expectativa criada em torno do camisa 10, especialmente em uma equipe que precisa voltar a vencer para escapar do Z-4.
Durante esse período, o holandês também desperdiçou um pênalti contra o Estudiantes, nas quartas de final da Libertadores. A cobrança por cima do gol aumentou os questionamentos sobre seu desempenho. Ao mesmo tempo, Memphis registra sete grandes chances criadas e média de 1,2 passe decisivo por partida, números que mostram que sua contribuição não desapareceu completamente, embora a finalização esteja abaixo do necessário.
A fase do jogador ganhou atenção adicional depois da renovação contratual, aprovada pelo Conselho de Orientação do Corinthians. Com o novo vínculo confirmado, a expectativa sobre o atacante aumentou, e a recuperação de sua produção pode ter peso na tentativa de reação alvinegra. Mais detalhes sobre o jejum podem ser vistos em Memphis atravessa jejum inédito e aumenta alerta no Corinthians.
Mirassol será o próximo teste em Itaquera
O Corinthians volta a campo na sexta-feira (30), contra o Mirassol, na Neo Química Arena. Será o primeiro compromisso de Seedorf como mandante e uma oportunidade imediata para interromper a série sem vitórias. A partida terá importância direta na luta contra o rebaixamento, pois o time precisa recuperar os dois pontos de distância para o Internacional e evitar que a situação fique ainda mais difícil nas rodadas finais.
Para isso, o Corinthians precisará repetir a intensidade mostrada na reação do segundo tempo, mas sem perder o controle quando estiver em vantagem. A equipe também terá de encontrar soluções para a baixa produção de Memphis e para os momentos de instabilidade defensiva. A confiança defendida por Seedorf permanece como mensagem interna; a resposta decisiva, porém, dependerá do resultado em campo.