São Paulo pode iniciar 2027 sem treinador definido e com zaga reduzida a apenas três zagueiros.Foto: Reprodução da Internet
O São Paulo pode chegar ao início da temporada de 2027 sem ter definido o treinador, o diretor de futebol e a formação do elenco. A eleição presidencial prevista para a primeira quinzena de dezembro condiciona decisões de longo prazo e aumenta a incerteza sobre o planejamento do clube.
Enquanto a disputa política não é concluída, a atual administração evita avançar em movimentos relevantes para o próximo ano. O resultado é um cenário em que a futura gestão terá de tomar decisões esportivas importantes logo após assumir, com pouco espaço para espera e um problema especialmente delicado no setor defensivo.
Futuro de Dorival ficará para o próximo presidente
Dorival Júnior tem contrato com o São Paulo até 31 de dezembro de 2026. De acordo com a apuração do UOL, o treinador deseja permanecer e está satisfeito com o ambiente de trabalho no clube. A continuidade, porém, não foi assegurada e dependerá da avaliação do presidente eleito.
A eleição deverá ser disputada por Vinícius de Medeiros, candidato da situação, e Marcelo Portugal Gouvêa, representante da oposição. Embora o pleito esteja previsto para a primeira quinzena de dezembro, a data exata ainda não havia sido definida no material apurado.
O resultado não influenciará apenas a permanência de Dorival. A estrutura do departamento de futebol também será reavaliada, incluindo a situação de Rafinha. O ex-lateral ocupa a diretoria de futebol, mantém boa relação com o treinador e pode ter sua continuidade analisada em conjunto com a decisão sobre o comando técnico.
Assim, uma eventual permanência de Dorival pode pesar na avaliação sobre Rafinha, mas não representa garantia de que o dirigente continuará no cargo. Até a definição política, o São Paulo mantém em aberto a liderança do futebol e a condução do planejamento para 2027.
Lesões deixam poucas alternativas na zaga
A maior urgência do elenco está no miolo da defesa. No cenário apresentado pelas fontes, Arboleda, Osorio e Isac são os únicos zagueiros do grupo profissional apontados como disponíveis para o começo de 2027.
Osorio e Isac são formados em Cotia e ainda estão em processo de consolidação na equipe principal. A presença dos dois entre as opções não representa uma definição de titulares, mas mostra como o clube pode iniciar o ano com alternativas reduzidas para uma posição que exige planejamento específico.
Domingos Duarte não deve estar à disposição no começo da próxima temporada. O zagueiro português rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito em setembro, passou por cirurgia e tem previsão de retorno apenas perto da metade de 2027. Contratado em agosto, ele havia ganhado espaço rapidamente e era considerado uma alternativa importante para o setor.
Sabino também virou desfalque de prazo indefinido. O São Paulo anunciou que o jogador será submetido a uma cirurgia para reparar a cartilagem do joelho direito. Até o momento, o clube não divulgou uma previsão oficial de recuperação. A apuração do UOL indica, porém, que o zagueiro não deve voltar a atuar ainda em 2026.
Setor já havia perdido jogadores durante a temporada
A redução das alternativas não começou apenas com as lesões. Dória rescindiu contrato em maio, Alan Franco foi emprestado ao Tigres, do México, em julho, e Ferraresi foi negociado com o Botafogo. Essas saídas diminuíram a quantidade de defensores disponíveis antes mesmo dos problemas físicos mais recentes.
A chegada de Domingos Duarte, a reintegração de Arboleda e a presença de Sabino haviam ajudado a reorganizar a posição. O português se adaptou rapidamente e chegou a ganhar espaço entre os titulares, mas sua lesão interrompeu uma solução que começava a se firmar.
Rafael Tolói também é uma incógnita para a próxima temporada. O zagueiro tem vínculo até 31 de dezembro e, segundo a apuração publicada pelo UOL, não deverá cumprir a meta de participação em partidas necessária para ativar a renovação automática até o fim de 2027.
Uma nova negociação ainda pode ser avaliada pela próxima diretoria. No entanto, informações atribuídas a aliados políticos dos dois candidatos indicam que Tolói tende a ser liberado. Como essa possibilidade não foi confirmada como decisão oficial, o futuro do defensor permanece condicionado à gestão que assumirá o clube.
Igão, que já participou do elenco profissional, atualmente está integrado ao time sub-20 e não é tratado como opção regular do grupo de Dorival. Por isso, a lista de jogadores disponíveis para a abertura de 2027 fica restrita, no cenário atual, a Arboleda, Osorio e Isac.
Próxima gestão terá decisões acumuladas
Depois da eleição, o São Paulo precisará definir o treinador, a composição da diretoria de futebol e a estratégia para a defesa. A nova administração também deverá avaliar se tentará manter Tolói, qual será o futuro de Alan Franco após o empréstimo e quantos reforços serão necessários para o setor.
Essas decisões estarão ligadas ao projeto esportivo do presidente eleito. A quantidade de contratações, eventuais saídas e a própria permanência de Dorival não foram estabelecidas pela atual gestão. O clube, portanto, pode iniciar a pré-temporada de 2027 com a comissão técnica e a direção do futebol ainda indefinidas.
O quadro reúne duas dificuldades que se reforçam: a transição eleitoral retarda compromissos de longo prazo, enquanto as lesões e as saídas reduzem as opções do elenco. Se não houver mudanças até lá, o São Paulo começará o próximo ano com a necessidade imediata de reconstruir a zaga e organizar o comando responsável por essa reformulação.