O São Paulo entra em campo nesta terça-feira, às 21h30, para decidir contra o Boca Juniors uma vaga na semifinal da Copa Sul-Americana. O duelo de volta das quartas de final será disputado no Morumbis, onde o Tricolor tentará reverter a derrota por 1 a 0 sofrida na Bombonera. O gol argentino foi marcado por Merentiel.
Para avançar diretamente, a equipe comandada por Dorival Júnior precisa ganhar por pelo menos dois gols de diferença. Um triunfo são-paulino por apenas um gol levará a definição da série para as cobranças de pênaltis. O Boca, portanto, joga pelo empate e também pode se classificar com uma nova vitória.
A principal mudança no time brasileiro ocorrerá no ataque. Jonathan Calleri recebeu o terceiro cartão amarelo no primeiro jogo e cumprirá suspensão. Sem o centroavante argentino, Gustavo Santana aparece como favorito para iniciar a partida, embora a escalação oficial só seja divulgada antes do confronto.
Gustavo Santana ganha espaço na decisão
O atacante passou a ser uma alternativa mais frequente de Dorival nas últimas semanas. Gustavo Santana marcou na vitória sobre o Red Bull Bragantino e também participou do jogo de ida contra o Boca, quando entrou no lugar de Luciano. A comissão técnica ainda o preservou do clássico diante do Palmeiras, movimento que aumentou a expectativa em torno de sua presença entre os titulares no Morumbis.
A possível entrada do jovem modifica a maneira de ocupar o setor ofensivo. Calleri atua como referência, usa o jogo físico para disputar espaço com os zagueiros e costuma permanecer mais próximo da área. Gustavo Santana oferece maior mobilidade, pode circular pelos lados e tem como característica atacar os espaços deixados pela defesa adversária.
André Silva também está à disposição e apresenta características mais próximas das de um centroavante tradicional. No entanto, ele perdeu espaço nas partidas recentes, enquanto Gustavo Santana ganhou força na disputa interna. Por isso, a tendência indicada pelas informações disponíveis é de uma substituição direta no comando do ataque, sem uma alteração completa do sistema.
Luciano é outro nome importante para a formação. O camisa 10 se recuperou de um edema na coxa esquerda e deve ser relacionado. A decisão sobre sua titularidade seria tomada pela comissão técnica antes do jogo, mas havia expectativa de que ele pudesse começar. Caso seja confirmado, pode formar a dupla ofensiva com Gustavo Santana.
Uma alternativa seria adiantar Luciano e montar um ataque sem um centroavante fixo. Essa escolha daria mais liberdade para a movimentação dos jogadores, mas também representaria uma mudança maior na estrutura utilizada pelo São Paulo. A manutenção do modelo habitual, com Gustavo Santana no lugar de Calleri, aparece como o caminho mais provável.
Morumbis sustenta confiança do São Paulo
O desempenho em casa é o principal argumento do São Paulo para buscar a virada. Desde o retorno de Dorival Júnior, o treinador comandou o time em 14 partidas no estádio, com quatro vitórias, cinco empates e cinco derrotas. Os quatro triunfos desse recorte ocorreram no Morumbis.
A equipe também atravessa uma sequência positiva como mandante, com três vitórias consecutivas. O retrospecto ganhou importância em um período de pressão no Campeonato Brasileiro, depois de uma série de dez partidas sem vencer. O estádio passou a funcionar como um ponto de reação para o time, que chegou a ficar próximo da zona de rebaixamento durante esse período.
Considerando a temporada de 2026 desde o trabalho iniciado por Hernán Crespo, o São Paulo disputou 16 partidas no Morumbis. Foram 11 vitórias, três empates e duas derrotas, aproveitamento de 75%. O índice é apontado como o melhor do clube no estádio desde 2015, quando a equipe alcançou a mesma marca.
O número poderia ter sido construído com mais jogos em casa. A agenda de shows no Morumbis obrigou o São Paulo a transferir quatro compromissos para outros locais ao longo do ano. Canindé, Brinco de Ouro e Nabi Abi Chedid receberam partidas do clube durante esse período.
O fator torcida também foi mencionado por Dorival após a derrota na Argentina. Em entrevista coletiva, o treinador disse esperar um Morumbis cheio e afirmou que gostaria de ver o estádio “tomado”. A expectativa é de casa cheia para o último jogo das quartas de final, justamente em uma partida na qual o time precisa transformar o apoio das arquibancadas em pressão ofensiva.
Desafio é atacar sem oferecer espaços
A desvantagem construída na Bombonera obriga o São Paulo a assumir a iniciativa, mas o time precisará controlar os riscos. O Boca pode adotar uma postura mais cautelosa, proteger o resultado agregado e explorar os contra-ataques quando os brasileiros avançarem.
Por isso, a partida exigirá equilíbrio entre intensidade e organização. O São Paulo terá de criar volume suficiente para marcar os gols necessários, sem permitir que a equipe argentina encontre campo para acelerar as jogadas. A mobilidade de Gustavo Santana e Luciano pode ser útil para retirar os zagueiros de suas posições, enquanto a presença de jogadores mais próximos da área será necessária para aproveitar cruzamentos e rebotes.
A preparação final ocorreu na segunda-feira, no CT da Barra Funda. O elenco realizou exercícios físicos, ajustes de posicionamento e ensaios de jogadas de bola parada. A atividade foi direcionada a um confronto no qual cada detalhe pode influenciar a tentativa de reverter o placar da ida.
A provável escalação do São Paulo tem Rafael; Domingos Duarte, Arboleda e Sabino; Lucas Ramon, Danielzinho, Marcos Antônio e Iago; Artur, Luciano e Gustavo Santana. A formação ainda depende da confirmação da comissão técnica, especialmente pela avaliação da condição física de Luciano.
O vencedor do confronto enfrentará na semifinal quem avançar entre Vasco e Santa Fé. Antes de projetar a próxima fase, o São Paulo precisa superar a vantagem do Boca e confirmar no Morumbis o desempenho que transformou o estádio em seu principal trunfo recente.