São Paulo opta por priorizar pagamentos internos e adia quitação da dívida com a Fifa.Foto: Reprodução da Internet
O São Paulo decidiu adiar novamente a quitação da dívida que provocou o transfer ban da Fifa e trabalha com a possibilidade de resolver o problema apenas em novembro. A pendência está relacionada à contratação de Giuliano Galoppo, realizada em 2022, e mantém o clube impedido de registrar novos jogadores.
A mudança no cronograma ocorre em meio à necessidade de reorganizar os pagamentos internos. A diretoria considera prioridade regularizar os valores atrasados com jogadores e funcionários, preservando o fluxo de caixa para evitar novos problemas com a folha salarial. O clube também ainda precisa avançar na quitação de parcelas de direitos de imagem do elenco.
Por que o pagamento foi adiado
O planejamento inicial do São Paulo previa o pagamento da dívida em 6 de outubro. No entanto, os recursos disponíveis foram destinados a outras obrigações financeiras, e a previsão acabou sendo alterada. Agora, a tendência é que a diretoria concentre esforços na regularização das pendências do elenco antes de concluir o acordo relacionado ao transfer ban.
O clube teve atraso na parcela dos salários em carteira referente a agosto. Internamente, existe o entendimento de que esse tipo de situação não pode se repetir. Além dos vencimentos registrados em carteira, há valores pendentes de direitos de imagem, outra forma de remuneração prevista nos contratos de parte dos atletas.
A prioridade não significa que a dívida com os agentes tenha sido descartada. O São Paulo continua obrigado a cumprir os termos da decisão da entidade máxima do futebol e precisará organizar o caixa para atender tanto às despesas recorrentes quanto aos valores que sustentam o bloqueio de registros.
A dívida principal é de US$ 350 mil, quantia estimada em aproximadamente R$ 1,8 milhão, com agentes que participaram da negociação de Galoppo. O argentino foi contratado pelo São Paulo em 2022, e a pendência resultante da operação levou à punição aplicada pela Fifa no início de outubro.
Há dois prazos envolvidos no processo. Os encargos administrativos relacionados ao transfer ban precisam ser pagos até 30 de outubro. Já o débito principal tem como limite o início de dezembro, quando se completam os 60 dias previstos na decisão da Fifa.
Mesmo com a possibilidade de utilizar parte desse período, o planejamento atual aponta para uma solução em novembro. O adiamento, portanto, ocorre dentro da janela estabelecida para a dívida principal, mas reduz a margem de manobra da diretoria caso surjam novas despesas ou dificuldades na geração de receitas.
Como está o caixa tricolor
O São Paulo conta com um acordo com a Ticketmaster que prevê a antecipação de mais de R$ 100 milhões para reforçar o caixa. A existência dessa receita, porém, não significa que todo o montante esteja livre para uma única finalidade. Parte dos recursos já foi usada para pagar uma parcela atrasada dos direitos de imagem.
O dinheiro também precisa ser distribuído entre salários, compromissos com funcionários e outras obrigações de curto prazo. Esse cenário explica por que a direção estabeleceu uma ordem de prioridades em vez de quitar imediatamente o débito que bloqueia os registros. A preocupação central é manter as despesas recorrentes sob controle e evitar a abertura de novos atrasos.
Na prática, o clube administra uma fonte extraordinária de receita ao mesmo tempo em que enfrenta diferentes vencimentos. A decisão de postergar o pagamento aos agentes ligados a Galoppo reflete essa necessidade de escolher quais compromissos devem ser atendidos primeiro, sem eliminar a obrigação de resolver a punição da Fifa.
Segundo transfer ban no segundo semestre
O episódio envolvendo Galoppo representa o segundo transfer ban enfrentado pelo São Paulo no segundo semestre de 2026. Antes disso, o clube havia sido punido por uma dívida com a Lazio, relacionada à contratação de Marcos Antônio. A pendência foi quitada em agosto, permitindo a retirada da restrição anterior.
A repetição de um bloqueio em intervalo curto aumenta a pressão sobre o planejamento financeiro do clube. Enquanto a dívida com a Lazio foi resolvida, o novo caso voltou a limitar a capacidade de atuação no mercado e passou a exigir uma nova mobilização de recursos para a regularização.
As duas punições, contudo, estão relacionadas a processos diferentes. A restrição atual decorre especificamente do débito com agentes envolvidos na contratação de Galoppo, e não da pendência que havia sido solucionada anteriormente.
O que o bloqueio muda para o São Paulo
O transfer ban não impede o São Paulo de disputar partidas nem altera a situação dos jogadores que já fazem parte do elenco. A consequência direta é administrativa: o clube não pode registrar novos atletas enquanto a pendência permanecer aberta e a Fifa não reconhecer o cumprimento das exigências previstas na decisão.
Isso afeta eventuais contratações futuras, já que um acordo verbal ou uma negociação concluída não seria suficiente para colocar um reforço à disposição em uma competição que exija registro formal. A liberação depende da regularização financeira e da apresentação da documentação necessária à entidade.
O próximo passo da diretoria é conciliar os pagamentos do elenco com os prazos do processo. Se o planejamento for mantido, o São Paulo deverá utilizar novembro para quitar a dívida principal e buscar o fim do bloqueio. Até lá, o clube seguirá priorizando salários e direitos de imagem, enquanto administra a pressão para evitar novos atrasos e recuperar liberdade no mercado.