Richarlison tenta encontrar uma saída contratual do Tottenham para poder defender o Vasco. O atacante e seus representantes avaliam acionar a Fifa com o argumento de que a ausência na lista do clube inglês para a Premier League caracteriza uma justa causa esportiva para a rescisão. A estratégia ainda depende de análise e não representa, neste momento, uma transferência concluída.
A movimentação alterou o rumo da negociação. O Vasco trabalhava para contratar o jogador em definitivo, mas recuou diante da exigência do Tottenham, que estaria na casa dos 20 milhões de euros, aproximadamente R$ 120 milhões. O valor é considerado elevado para o clube brasileiro, que buscava uma alternativa financeiramente viável para reforçar o ataque.
O cenário estudado pelo estafe de Richarlison permitiria que ele deixasse o Tottenham sem que o Vasco precisasse pagar a taxa de transferência aos ingleses. Caso a rescisão avance, o atacante poderia chegar ao clube carioca para atuar até o fim de 2026, segundo as informações apuradas pelas fontes. A permanência além desse período dependeria de um novo acordo.
A não inscrição na Premier League está no centro do caso
O principal argumento jurídico está relacionado ao artigo 15 do Regulamento sobre o Estatuto e a Transferência de Jogadores da Fifa. A norma prevê que um profissional consolidado pode pedir a rescisão antecipada por justa causa esportiva quando participa de menos de 10% das partidas oficiais do clube ao longo da temporada. A aplicação, contudo, é analisada individualmente.
Há ainda uma exigência de prazo: o pedido baseado nesse fundamento deve ser feito nos 15 dias seguintes à última partida oficial da temporada do clube ao qual o atleta está vinculado. No caso de Richarlison, a tese apresentada por seus representantes considera que ele sequer foi inscrito na principal competição nacional inglesa, o que indicaria a intenção do Tottenham de não utilizá-lo no campeonato.
A situação não é automaticamente resolvida pela regra. A Fifa teria de avaliar se a não inscrição é suficiente para configurar a justa causa esportiva e também examinar as circunstâncias do contrato. Mesmo com uma eventual liberação, ainda pode existir discussão posterior sobre indenização caso a entidade conclua que os requisitos não foram atendidos.
As informações disponíveis apontam que o procedimento seria levado à Fifa, e não à Justiça comum. Essa distinção é relevante porque a análise ocorreria dentro do sistema esportivo internacional, com apuração das responsabilidades do atleta e do clube. Uma decisão posterior poderia definir pagamentos, mas não necessariamente desfazer a saída ou restabelecer o vínculo.
Precedente de Renan Lodi influencia a estratégia
O caso usado como referência é o de Renan Lodi. O lateral brasileiro deixou o Al-Hilal depois de não ser inscrito no campeonato saudita e, posteriormente, acertou com o Atlético-MG. A alegação apresentada foi semelhante: manter o jogador fora da competição impediria o exercício da profissão.
O processo de Lodi ainda era tratado como complexo e não tinha julgamento definitivo da Fifa nas informações apuradas. Por isso, o episódio serve como precedente argumentativo, mas não garante o desfecho pretendido por Richarlison. A entidade deverá considerar as particularidades de cada contrato, o momento da temporada e a utilização efetiva do atleta.
A possibilidade ganhou espaço após mudanças nas regras de transferência relacionadas ao caso Lassana Diarra. Em 2024, o Tribunal Europeu de Justiça considerou incompatíveis com o direito da União Europeia alguns dispositivos do sistema anterior da Fifa, especialmente aqueles que restringiam a circulação de jogadores e poderiam responsabilizar clubes interessados em contratar atletas envolvidos em rompimentos contratuais.
Depois da mudança, as normas passaram a admitir com mais clareza a rescisão por iniciativa do jogador em determinadas situações e reduziram o risco de o novo clube ser obrigado a pagar indenizações automaticamente. Isso não elimina, porém, a possibilidade de o atleta ser responsabilizado mais tarde se a justa causa não for reconhecida.
Vasco busca solução para reforçar o ataque
O interesse do Vasco em Richarlison ocorre em um momento de necessidade ofensiva. Na partida contra o Santa Fe, pela Copa Sul-Americana, a equipe criou oportunidades, mas não conseguiu transformar o volume de jogo em vantagem no confronto de ida. A falta de eficiência nas finalizações reforçou a busca por um atacante de peso.
O clube também se prepara para enfrentar o Grêmio pelo Campeonato Brasileiro, em duelo tratado como importante na disputa contra o rebaixamento. A chegada de Richarlison, caso seja viabilizada, representaria uma alternativa de alto impacto para o setor ofensivo, mas o jogador ainda precisaria resolver sua situação com o Tottenham e cumprir as etapas de registro.
Na negociação direta, a compra por 20 milhões de euros ultrapassaria o investimento de 6 milhões de euros feito pelo Vasco por João Victor, contratado junto ao Benfica em 2023. O negócio se tornaria, portanto, o maior da história do clube nesse critério. Como a quantia foi considerada inviável, a eventual rescisão passou a ser vista como o caminho para reduzir o custo imediato da operação.
O vínculo de Richarlison com o Tottenham teria validade até o meio do próximo ano, com possibilidade de extensão por mais uma temporada. A proximidade do fim do contrato é apontada como um fator que pode influenciar as tratativas, embora não determine o resultado do processo. Enquanto a situação não for definida, o Vasco permanece dependente da liberação do atacante e da solução para o contrato com o clube inglês.