O Vasco apresentou ao Tottenham uma proposta para contratar Richarlison e aguarda uma resposta do clube inglês. A negociação ganhou urgência por causa do encerramento da janela de transferências no Brasil, previsto para sexta-feira, dia 11. A diretoria cruz-maltina tenta encontrar uma solução que permita concluir o negócio dentro do prazo de registros.
O modelo inicialmente desejado pelo Vasco era o empréstimo. Essa alternativa, porém, perdeu força porque o Tottenham já atingiu o limite de jogadores cedidos a clubes de outras federações, conforme a regra da Fifa mencionada nas apurações. Com isso, os ingleses passaram a trabalhar apenas com uma transferência definitiva do atacante.
Tottenham estabelece preço para liberar o atacante
O clube londrino colocou Richarlison entre os jogadores negociáveis e definiu 20 milhões de euros, aproximadamente R$ 118 milhões na cotação apresentada pelo Torcedores, como referência mínima para uma venda. A exigência transforma a negociação em uma operação de maior porte para o Vasco, que precisaria viabilizar a compra em vez de buscar uma cessão temporária.
O Globo informou que o Vasco sinalizou uma oferta considerada possível dentro de sua realidade financeira, sem a intenção de assumir uma operação fora de controle. A diretoria esperava uma manifestação do Tottenham antes de discutir em profundidade os termos financeiros com Richarlison. A estratégia indica que o clube brasileiro pretende primeiro confirmar a abertura dos ingleses para o negócio.
O presidente Pedrinho participa diretamente das conversas. Ele mantém contato com o atacante e tenta usar a relação entre os dois para avançar na negociação. A proposta foi apresentada em um momento em que o Tottenham tem poucas alternativas para negociar Richarlison antes do fechamento da janela, fator que o Vasco considera favorável.
Propostas do futebol turco ajudam a explicar a exigência
O valor pedido pelo Tottenham também está relacionado a investidas recentes do Trabzonspor. O clube turco tentou contratar Richarlison em duas ocasiões, mas não conseguiu convencer os ingleses a aceitar as ofertas.
Segundo o Torcedores, a primeira proposta previa 15 milhões de euros fixos. Na segunda tentativa, o Trabzonspor repetiu o valor garantido e acrescentou outros 5 milhões de euros condicionados ao cumprimento de metas. Mesmo com a possibilidade de a operação chegar aos 20 milhões de euros, o Tottenham recusou as duas investidas.
O Globo apresentou os valores das ofertas turcas em libras, indicando uma primeira proposta de 15 milhões e uma segunda de 20 milhões na moeda britânica. Como há diferença entre as versões sobre a moeda utilizada, o ponto comum é que o Tottenham rejeitou as duas ofertas e manteve uma exigência elevada para negociar o atacante.
Esse histórico dá ao clube inglês um parâmetro para as conversas com o Vasco. A diretoria londrina não parece disposta a aceitar uma saída temporária nem uma proposta significativamente inferior ao valor que considera adequado. Para o clube carioca, portanto, o desafio não está apenas em convencer o jogador, mas também em estruturar uma compra próxima da quantia estabelecida.
Preferência do jogador pode pesar contra o Vasco
Richarlison tem uma ligação conhecida com o Vasco e já demonstrou carinho pelo clube em diferentes ocasiões. O desejo de familiares de vê-lo novamente com a camisa cruz-maltina também é apontado como um elemento favorável à tentativa. A presença de Pedrinho nas tratativas reforça esse vínculo e mantém o clube confiante na possibilidade de um acordo.
A preferência do atacante, entretanto, aparece como um obstáculo adicional. Informações reunidas pelo Torcedores, com referência à ESPN, indicam que Richarlison teria maior interesse em propostas do Oriente Médio e pouco entusiasmo com um retorno imediato ao futebol brasileiro. O Shabab Al-Ahli, dos Emirados Árabes Unidos, acompanha a situação. A equipe é comandada pelo treinador brasileiro André Jardine.
O jogador também não estaria descartando a permanência em Londres por mais algum tempo, mesmo sem espaço garantido no elenco. Essa possibilidade permitiria a Richarlison aguardar uma oportunidade de mercado mais alinhada aos seus interesses, em vez de aceitar necessariamente a primeira alternativa disponível. O atacante não foi inscrito pelo Tottenham na Premier League, segundo o Lance, e não está nos planos principais da equipe.
A combinação entre a exigência financeira dos Spurs e a preferência do jogador reduz a margem de manobra do Vasco. O clube precisa conseguir a liberação para uma compra, alcançar um valor elevado e, ao mesmo tempo, convencer Richarlison a retornar ao país. A proximidade do prazo brasileiro torna cada etapa mais sensível, porque a negociação ainda exigiria ajustes e registro dentro da janela.
Contrato aumenta pressão sobre os ingleses
Richarlison está no último ano de seu contrato com o Tottenham. A partir de janeiro, ele poderá assinar um pré-contrato com outra equipe e, caso não haja renovação ou transferência, deixar o clube inglês sem custos ao fim do vínculo, em julho do ano seguinte.
Essa situação cria uma pressão para os dois lados. O Tottenham tenta obter uma compensação financeira antes de perder o controle sobre o destino do jogador, enquanto os interessados podem considerar o risco de pagar uma quantia alta por um atleta que estará mais perto de uma saída gratuita. No caso do Vasco, o prazo curto da janela impede que a diretoria simplesmente aguarde a evolução contratual.
O atacante foi contratado pelo Tottenham em 2022 por 50 milhões de libras, aproximadamente R$ 315 milhões na cotação da época. Em quatro temporadas completas pelo clube, marcou 32 gols, mas também enfrentou problemas físicos desde sua chegada à Inglaterra. O desempenho e as lesões contribuíram para que ele deixasse de ser tratado como peça intocável no elenco.
Até o momento, a conclusão da negociação depende de duas respostas. O Tottenham precisa aceitar uma proposta de compra dentro das condições discutidas, e Richarlison precisa decidir se o Vasco é o destino que deseja neste momento. Sem a possibilidade de empréstimo, o retorno do atacante ao futebol brasileiro passou a depender de uma operação definitiva e de valor elevado.