O Fluminense se prepara para o segundo confronto das quartas de final da Libertadores sob a pressão de uma disputa ainda aberta, mas com a confiança reforçada pelo discurso de Renê. Em entrevista à ESPN, o lateral-esquerdo reconheceu que Flamengo e Palmeiras aparecem entre os times mais fortes da temporada, porém afirmou que o favoritismo perde peso quando a competição chega aos confrontos eliminatórios.
A avaliação do jogador parte de uma diferença entre os formatos do Campeonato Brasileiro e da Libertadores. Para Renê, o desempenho dos dois rivais, a qualidade dos elencos e o investimento feito por Flamengo e Palmeiras justificam a expectativa de que eles briguem pelos principais títulos. Essa percepção, segundo ele, é mais comum quando o assunto é o torneio de pontos corridos.
“Tem às vezes sim, o papo [de favoritismo a Palmeiras e Flamengo], mas sobre a Libertadores menos, né? No Brasileirão tem muito essa conversa. São duas equipes que vêm demonstrando sua força, têm um elenco muito forte. Investimento, o momento é bom. Então, acredito que isso tudo ajuda na opinião deles”, afirmou o lateral.
Renê diferencia pontos corridos e mata-mata
Na visão do defensor, a regularidade exigida no Brasileirão favorece avaliações baseadas na profundidade do elenco e na capacidade de manter um nível alto por muitas rodadas. Em uma competição eliminatória, contudo, a disputa se concentra em partidas específicas, nas quais a atuação de cada equipe pode alterar completamente o caminho do confronto.
O jogador também apontou que os jogos de copa costumam ter uma dinâmica menos aberta. A necessidade de administrar o placar, o risco de sofrer um gol decisivo e a possibilidade de a vaga ser definida nos pênaltis tornam o planejamento diferente daquele usado em uma campanha de pontos corridos.
“Mas a gente sabe que o futebol, ali dentro de campo, são 11 contra 11, é tudo igual, principalmente nas copas, onde é um jogo diferente, que não é tão aberto como o campeonato de pontos corridos”, declarou Renê.
O lateral deixou claro que o elenco tricolor acompanha os comentários sobre os adversários e conversa sobre o assunto internamente. A avaliação externa, entretanto, não é tratada como um obstáculo. Renê sustentou que o Fluminense tem capacidade para competir com qualquer equipe e resumiu a postura do grupo ao dizer que o time “não deve nada a ninguém” dentro de campo.
A declaração funciona como uma defesa da possibilidade de o clube carioca enfrentar os candidatos mais badalados sem assumir uma posição de inferioridade antes dos jogos. Renê não negou a força de Flamengo e Palmeiras, mas contestou a ideia de que o investimento ou o momento das equipes determine antecipadamente o resultado de uma série eliminatória.
Vantagem sobre o Platense ainda precisa ser administrada
Antes de projetar um possível encontro com os rivais brasileiros, o Fluminense precisa confirmar a classificação para a semifinal. O time venceu o Platense por 2 a 0 no Maracanã, no primeiro duelo das quartas de final, e entra na partida de volta com uma vantagem que permite a classificação mesmo em caso de derrota por um gol de diferença.
O resultado do jogo de ida, porém, não encerra a disputa. Se o clube argentino vencer por exatamente dois gols, a vaga será decidida nos pênaltis. Por isso, a confiança expressa por Renê está acompanhada de uma tarefa imediata: transformar a vantagem construída no Rio de Janeiro em classificação no confronto decisivo.
O vencedor da série entre Fluminense e Platense terá pela frente Palmeiras ou LDU na semifinal. O chaveamento também mantém a possibilidade de um clássico contra o Flamengo em uma eventual decisão da Libertadores. Esses caminhos ajudam a explicar por que a discussão sobre favoritismo ganhou espaço antes mesmo da definição do atual mata-mata.
Na prática, o Fluminense ainda precisa superar o adversário argentino para que a leitura de Renê sobre os grandes concorrentes tenha continuidade na competição. O lateral defende que a força demonstrada ao longo da temporada não deve ser confundida com uma vantagem automática em uma partida de copa.
Relação com Marcão influencia momento de Renê
Na mesma entrevista, Renê comentou a relação com Marcão, treinador do Fluminense. Os dois se conheceram quando o lateral defendia o Sport e Marcão trabalhava como auxiliar de Oswaldo de Oliveira. A convivência anterior contribuiu para a proximidade entre jogador e comandante, que voltou a dar oportunidades ao defensor.
Renê afirmou que recebe carinho do técnico e que procura responder à confiança dentro de campo. O lateral também manifestou o desejo de ajudar Marcão a conquistar o primeiro troféu como treinador efetivo, sem considerar títulos obtidos em períodos de interinidade.
“O Marcão é um cara que eu conheço faz tempo. Foi um dos meus primeiros auxiliares, quando ele trabalhava com o Oswaldo [de Oliveira], nos encontramos lá no Sport. É um cara que sempre teve um carinho muito grande por mim. Vem me dando a oportunidade de estar em campo. Venho fazendo o meu máximo por ele”, relatou.
O jogador ainda descreveu como suas experiências profissionais modificaram seu estilo. Segundo Renê, o atleta que surgiu no Sport era mais agressivo no apoio, chegava à linha de fundo com frequência e atuava em ritmo intenso. A passagem por Flamengo, Internacional e, agora, Fluminense teria ampliado sua compreensão sobre o jogo.
Ele passou a se definir como um lateral mais construtor e voltado ao funcionamento coletivo. A mudança ajuda a contextualizar a importância que atribui à equipe em sua fala sobre a Libertadores: em vez de concentrar a análise apenas no talento individual ou no investimento dos adversários, Renê destaca a organização do grupo e a capacidade de competir durante os 90 minutos.
O discurso, portanto, combina reconhecimento e confiança. Flamengo e Palmeiras são tratados como equipes fortes, mas o Fluminense não pretende entrar no mata-mata aceitando o papel de derrotado. Para que essa postura se confirme, o primeiro passo será administrar a vantagem diante do Platense e garantir a presença entre os quatro melhores da competição continental.