Renato Gaúcho iniciou oficialmente sua quinta passagem pelo Grêmio com uma meta objetiva para a reta final do Campeonato Brasileiro. Apresentado na quinta-feira, o treinador afirmou que o time precisa conquistar cinco vitórias nas 11 rodadas restantes para construir uma margem considerada suficiente na luta contra o rebaixamento.
O técnico retorna ao clube em uma situação de pressão. O Grêmio ocupa a 16ª posição, com 28 pontos, e está à frente do Vasco apenas pelo saldo de gols. O time gaúcho, porém, tem uma partida a mais que o adversário carioca, circunstância que reduz a margem para novos tropeços na disputa contra a zona de queda.
A chegada foi marcada por uma recepção de mais de mil torcedores na Arena do Grêmio. Renato classificou o retorno como uma espécie de “convocação” feita pelo clube e disse que a escolha está relacionada aos resultados obtidos em suas passagens anteriores. Para o treinador, o histórico explica por que voltou a ser chamado em um momento delicado.
“Eu acho que eu sou convocado pelo Grêmio por causa dos resultados do trabalho que eu entrego. Ninguém volta cinco vezes no clube se você não entrega”, afirmou Renato durante a entrevista coletiva. Ele também ressaltou a relação construída com a instituição e colocou a permanência na Série A como o principal objetivo do trabalho.
“Para mim é sempre um prazer estar trabalhando nesse clube. O momento, volto a repetir, não é muito bom. Mas também não vamos fazer final do mundo”, declarou. Na sequência, o técnico disse que pretende somar os pontos necessários para presentear a torcida com a manutenção do Grêmio na primeira divisão.
A projeção apresentada pelo novo comandante parte de uma referência tradicional do Campeonato Brasileiro. Renato reconheceu que a marca de 45 pontos costuma ser tratada como uma pontuação segura, mas avaliou que o equilíbrio desta edição pode permitir que a permanência seja garantida com um total menor.
Com os atuais 28 pontos, cinco vitórias acrescentariam 15 pontos ao Grêmio e levariam a equipe a 43. A conta não considera necessariamente apenas triunfos: o treinador também mencionou a possibilidade de combinar as vitórias com empates nos compromissos restantes.
“Com 45 pontos é 100% certo que foge. Eu já tenho um outro tipo de conta. Eu tenho, na minha cabeça, que esse ano não vai precisar 45 pontos. O Grêmio tem 11 jogos pela frente, tem 7 vitórias. O Grêmio precisa de cinco vitórias, 15 pontos”, explicou.
Renato sustentou o raciocínio com base no histórico dos pontos corridos. Segundo ele, nenhum time que alcançou 12 vitórias terminou rebaixado. A referência indica que o Grêmio precisaria transformar a reta final em uma sequência de resultados positivos, chegando a cinco triunfos e buscando outros pontos por meio de igualdades.
A matemática, no entanto, é apenas uma projeção. Para que ela tenha efeito na classificação, o time precisará reagir em campo e abrir vantagem em relação aos concorrentes diretos. A posição atual, somada ao jogo a mais diante do Vasco, faz com que cada rodada tenha peso relevante na tentativa de afastar o risco de queda.
Treinador pede apoio e fala em mudança de ambiente
O pedido de Renato à torcida foi outro ponto central de sua apresentação. Depois de agradecer a recepção na Arena, ele solicitou que os jogadores não sejam vaiados durante as partidas, inclusive quando errarem passes, finalizações ou jogadas individuais.
“Não adianta vaiar quando um jogador errar uma jogada, um passe ou um gol. Não pode. A partir de agora é proibido vaiar”, afirmou. A declaração foi apresentada como parte da tentativa de criar um ambiente de confiança para o elenco na sequência do campeonato.
O treinador entende que o apoio das arquibancadas pode ajudar os atletas a recuperar segurança em uma fase de pressão. Renato afirmou que os jogadores precisam se sentir amparados não apenas pela comissão técnica, mas também pelos torcedores que acompanharão os 11 compromissos finais.
Na avaliação do técnico, a recepção recebida na Arena mostrou que ainda existe uma ligação forte entre ele e a torcida gremista. Renato agradeceu o carinho e disse que esse apoio será importante para que o grupo se sinta mais confiante durante a tentativa de reação.
Durante a entrevista, Renato também citou Luiz Felipe Scolari, o Felipão, de maneira positiva. O treinador afirmou que o ex-comandante é uma pessoa de quem gosta e que sua presença ao lado representa uma fonte de energia positiva. A menção reforçou o tom de união que Renato pretende estabelecer no retorno ao clube.
Palmeiras será o primeiro teste
A primeira partida da nova passagem está marcada para domingo, às 11h (de Brasília), contra o Palmeiras, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre. O duelo será a oportunidade inicial para o técnico aplicar suas ideias e começar a perseguir a meta de cinco vitórias.
O compromisso também colocará o Grêmio diante de um adversário forte logo no início do trabalho. Ainda assim, Renato evitou tratar o momento como uma situação irreversível. Ao dizer que não pretende transformar a crise em uma “final do mundo”, o treinador indicou que a prioridade é concentrar o elenco na soma de pontos rodada a rodada.
A tarefa envolve dois movimentos simultâneos: melhorar o desempenho gremista e acompanhar a pontuação dos clubes que estão próximos na classificação. A equipe não depende apenas de uma vitória isolada, mas de uma sequência capaz de modificar sua posição na tabela ao longo das últimas 11 rodadas.
Renato deixou claro que não estabeleceu a quinta passagem pensando em uma conquista pessoal. “Eu não busco o melhor para mim, eu não busco o melhor para fulano, beltrano, ciclano. Eu busco sempre o melhor para o clube”, declarou. A frase resume o discurso adotado na apresentação: o foco imediato está na recuperação do Grêmio e na permanência na Série A.
Com a meta definida pelo treinador, o Grêmio começa a reta decisiva sob nova direção e com pouca margem para desperdícios. A projeção de cinco vitórias oferece um parâmetro para o trabalho, mas terá de ser confirmada pelos resultados. O primeiro capítulo será disputado diante do Palmeiras, na Arena, no domingo.