O Grêmio terá uma configuração incomum no banco de reservas nesta quarta-feira, no Estádio Nilton Santos. Luiz Felipe Scolari e Renato Portaluppi, dois dos treinadores mais importantes da história do clube, estarão juntos na área técnica para o duelo com o Botafogo, pelo Campeonato Brasileiro.
A equipe será dirigida principalmente por Felipão. O coordenador técnico assumiu a preparação após a saída de Luís Castro e comandou os treinamentos de segunda e terça-feira. Renato, anunciado para iniciar sua quinta passagem como técnico gremista, participará do confronto em uma função de apoio, acompanhando de perto a equipe durante a transição.
O novo treinador foi liberado para permanecer no banco depois que seu contrato foi publicado no Boletim Informativo Diário da CBF. Renato se encontrou com a delegação no hotel em que o elenco está concentrado no Rio de Janeiro, no fim da tarde de terça-feira, e passou a integrar a rotina do grupo.
A presença de Portaluppi não altera o planejamento inicial para a partida. Felipão continua como principal responsável pelo time e cumprirá os protocolos relacionados ao jogo, incluindo as entrevistas. Renato terá um papel semelhante ao de auxiliar durante esse primeiro compromisso, antes de assumir efetivamente o comando da equipe na sequência do trabalho.
A parceria começa em um momento de cobrança sobre o Grêmio. O time chega ao confronto com duas derrotas consecutivas e próximo da zona de rebaixamento. Por isso, o resultado contra o Botafogo tem importância imediata para a tentativa de aumentar a margem de segurança na tabela e interromper a sequência negativa.
A troca de comissão técnica aconteceu no meio da temporada, o que reduziu o tempo disponível para Renato conhecer o grupo e implementar suas ideias. Nesse primeiro jogo, a preparação ficou concentrada nas atividades conduzidas por Scolari. A convivência na área técnica permitirá que o novo comandante acompanhe diretamente o comportamento dos jogadores em uma partida oficial, enquanto recebe informações sobre o elenco.
Felipão acompanha o departamento de futebol gremista desde abril de 2025, quando foi contratado para exercer a função de coordenador técnico. A atribuição prioritária estava ligada às categorias de base, com participação na indicação de jogadores para promoção e conversas com os treinadores das equipes formadoras.
Durante esse período, Scolari também observou a montagem do elenco profissional e a evolução de atletas que chegaram ao time principal. Entre os jogadores promovidos ou respaldados nesse processo estão Luís Eduardo, Pedro Gabriel, Tiaguinho, Jefinho, Zortea e Riquelme. O coordenador ainda acompanhou de perto remanescentes do grupo, como Carlos Vinicius, Villasanti, Kannemann, Marlon, Amuzu e Pavon.
Esse conhecimento se tornou mais relevante depois da saída de Luís Castro. Sob o comando de Mano Menezes, Felipão manteve maior abertura para conversas sobre o time, diálogo com os jogadores e sugestões relacionadas ao elenco. Com Castro, adotou uma postura mais reservada para permitir que o treinador português conhecesse a estrutura do clube e conduzisse o trabalho com autonomia.
A mudança no comando profissional fez Scolari voltar a participar diretamente da preparação. Desde a saída de Castro, ele liderou as atividades que antecederam o jogo no Rio. A chegada de Renato reaproxima o coordenador da rotina da equipe e cria uma passagem de informações entre quem acompanhou o grupo nos últimos meses e quem começa agora uma nova etapa à frente do Grêmio.
Dois recordistas do clube dividem a área técnica
Renato e Felipão ocupam as duas primeiras posições entre os treinadores que mais comandaram o Grêmio em partidas oficiais. Renato lidera o ranking, com 543 jogos somados em suas cinco passagens. Scolari aparece logo atrás, com 385 partidas pelo clube.
A experiência dos dois também está ligada a algumas das principais conquistas gremistas. Felipão conduziu o time aos títulos da Copa do Brasil de 1994, da Libertadores de 1995 e do Campeonato Brasileiro de 1996. Renato esteve à frente das campanhas vitoriosas na Copa do Brasil de 2016 e na Libertadores de 2017, além de outras taças conquistadas durante sua trajetória no clube.
O reencontro na função de treinadores resgata ainda um episódio de 1995. Naquele ano, quando Felipão dirigia o Grêmio, Renato voltou temporariamente a vestir a camisa tricolor durante a Copa dos Campeões Mundiais, em Brasília. Vinculado ao Fluminense, o atacante participou da vitória por 2 a 0 sobre o Flamengo e deu o passe para Jardel marcar o primeiro gol.
Naquela partida, Renato atuou por 33 minutos antes de ser substituído por Arílson. O retorno momentâneo marcou sua última aparição como jogador do Grêmio, segundo o histórico relembrado na apuração. Mais de três décadas depois, ele volta a trabalhar ao lado de Felipão, agora como treinador e integrante da comissão técnica.
Renato começa a acompanhar o elenco no Rio
A regularização no BID permitiu que a nova passagem começasse antes mesmo da estreia efetiva como comandante. No Nilton Santos, Renato poderá observar as escolhas feitas por Felipão, a resposta do grupo à pressão do campeonato e as necessidades mais urgentes para a sequência da temporada.
Depois do compromisso no Rio de Janeiro, a programação prevê a continuidade do trabalho de Renato em Porto Alegre. A divisão de responsabilidades contra o Botafogo, portanto, representa uma solução de transição: Felipão conduz a equipe em uma partida que já havia sido preparada, enquanto o novo técnico inicia a adaptação ao elenco e ao ambiente do clube.
O duelo reúne dois personagens centrais da história recente do Grêmio, mas o objetivo imediato é esportivo. O time precisa reagir no Campeonato Brasileiro, e a partida marcará o primeiro contato de Renato com a equipe em campo desde o início de sua quinta passagem pelo clube.