Renato Portaluppi encerrou o primeiro compromisso de sua quinta passagem pelo Grêmio com uma avaliação positiva sobre a postura da equipe. O empate por 0 a 0 com o Palmeiras, neste domingo, na Arena, não tirou o Tricolor da zona de rebaixamento, mas serviu para o treinador estabelecer o nível de dedicação que espera do elenco na reta final do Campeonato Brasileiro.
Com o resultado, o Grêmio chegou aos 29 pontos e permaneceu na 17ª colocação. A vitória do Vasco no sábado manteve o time entre os quatro últimos, justamente durante a pausa provocada pela Data Fifa. Restam dez rodadas para o fim da competição, e Renato pretende aproveitar o intervalo para corrigir os problemas identificados na estreia e preparar a equipe para a sequência decisiva.
“Se a gente fizer a nossa parte, o Grêmio não vai cair”, afirmou o técnico depois da partida. A confiança, porém, veio acompanhada de uma cobrança direta. Renato pediu que o grupo não transforme a disputa contra os concorrentes em seu principal foco e defendeu que a reação precisa começar pelo desempenho do próprio Grêmio.
Empate vira parâmetro para o trabalho
O ponto conquistado contra o Palmeiras teve peso limitado na classificação, mas foi valorizado por Renato pelo comportamento apresentado em campo. Na visão do comandante, a entrega demonstrada na Arena precisa deixar de ser uma resposta pontual e passar a orientar os próximos jogos do time.
“Não adianta ficar pensando nisso, naquilo, tem que pensar jogo a jogo com essa entrega”, disse. O treinador também avisou que os jogadores que não acompanharem o padrão de empenho exigido perderão espaço nas escolhas para a reta final.
A declaração sinaliza uma das primeiras medidas públicas de Renato desde o retorno: aumentar a cobrança sobre a postura coletiva. O técnico reconheceu que ainda há aspectos a ajustar, mas afirmou que a parada no calendário permitirá trabalhar sem a pressão de uma partida imediata.
“Não é hora de caminhar. Não é hora de pensar em outras coisas, é hora da entrega”, declarou. Segundo Renato, o objetivo é fazer o Grêmio voltar da pausa mais preparado para enfrentar as dez rodadas restantes. A avaliação sobre o empate, portanto, não ficou restrita ao resultado: a atuação também serviu como referência do comportamento que ele deseja repetir.
Retorno começou com apelo à torcida
A reestreia oficial aconteceu poucos dias depois da apresentação do treinador na Arena. Mais de 1.500 torcedores participaram da recepção a Renato, que voltou ao clube em um cenário diferente das passagens anteriores: o Grêmio está envolvido diretamente na luta para escapar do rebaixamento e atravessa uma temporada abaixo das expectativas.
Durante a apresentação, o técnico associou seu retorno a um chamado do clube. “O presidente me convocou, eu vim”, afirmou. Renato também relatou a emoção provocada pelo reencontro com os torcedores e mencionou um pedido feito por sua mãe para que ele ajudasse o Grêmio quando tivesse essa oportunidade.
O treinador pediu apoio nas arquibancadas e solicitou que a torcida não vaiasse a equipe. A intenção era criar um ambiente favorável para a reação, especialmente porque a Arena seria o palco do primeiro jogo da nova passagem. Antes da partida com o Palmeiras, Renato convocou os gremistas a lotarem o estádio nos compromissos seguintes.
O apelo ocorreu em meio à pressão sobre o elenco e à necessidade de recuperar a confiança dos jogadores. Na apresentação, Renato disse que trabalharia para ajudar o grupo a retomar a segurança. A postura foi mantida após o empate, quando o treinador voltou a defender concentração no trabalho e dedicação uniforme.
Tetê e Felipão entram no discurso do treinador
Um dos nomes citados por Renato na apresentação foi Tetê. O atacante vinha sendo questionado, e o técnico afirmou que já havia conversado com o jogador, embora os dois ainda não tivessem tido contato anterior. Renato disse que pretende ajudá-lo a recuperar o desempenho e destacou que o atleta tem qualidade técnica.
A menção a Tetê fez parte de uma mensagem mais ampla sobre reconstrução interna. Em vez de tratar a disputa contra o rebaixamento apenas como uma questão tática, Renato apontou a recuperação da confiança como uma prioridade para o grupo. A cobrança por entrega, nesse contexto, foi apresentada junto à tentativa de fortalecer os jogadores.
Luiz Felipe Scolari também apareceu no discurso. Felipão, que comandou o Grêmio antes da chegada de Renato, foi descrito como uma lenda pelo novo treinador. Renato afirmou que precisa de pessoas como ele por perto para transmitir energia positiva, sinalizando respeito ao trabalho anterior e desejo de contar com referências próximas ao clube.
Antes da estreia, Renato teve o primeiro contato com o elenco no Centro de Treinamento Presidente Luiz Carvalho. Os jogadores que atuaram por mais tempo contra o Botafogo fizeram trabalho regenerativo, enquanto os demais participaram de atividades sob orientação da preparação física. O encontro marcou o início prático do trabalho antes do duelo com o Palmeiras.
Grêmio terá o Remo na retomada
O próximo compromisso está marcado para 7 de outubro, contra o Remo, no Mangueirão, pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro. Até lá, Renato terá a pausa da Data Fifa para organizar a equipe e aprofundar as correções que, segundo ele, ainda são necessárias.
A situação esportiva dá ao período uma importância especial. O Grêmio não conseguiu deixar o Z-4 mesmo somando um ponto contra o Palmeiras e terá de transformar a postura elogiada pelo técnico em resultados. A distância para os adversários não foi informada no material disponível, mas a posição na tabela torna cada uma das dez rodadas restantes relevante para o objetivo de permanência.
Renato, por sua vez, estabeleceu uma linha de trabalho clara para a retomada: atenção jogo a jogo, entrega sem oscilações e participação coletiva na tentativa de tirar o clube da parte mais baixa da classificação. O duelo com o Remo será a primeira oportunidade de verificar se o comportamento apresentado na reestreia poderá se repetir fora da Arena.