A permanência de Abel Ferreira no Palmeiras entrou no centro do debate após uma sequência de resultados sem conquistas e atuações que não correspondem ao investimento feito pelo clube. O time venceu apenas um dos últimos nove títulos que disputou, recorte que reforça a cobrança sobre o treinador e aumenta a importância das competições ainda abertas na temporada.
NOTAS DA TORCIDA
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0 × 0 Brasileirão Série A
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Votação encerradaConfira abaixo as médias finais da torcida.
Agustín GiayTitular
Média7,3
Alexander BarbozaTitular
Média7,7
Andreas PereiraTitular
Média8,0
Carlos MiguelTitular
Média8,3
Felipe AndersonTitular
Média7,0
Flaco LópezTitular
Média7,3
Gustavo GómezTitular
Média9,3
Joaquín PiquerezTitular
Média8,0
Lucas EvangelistaTitular
Média6,7
Marlon FreitasTitular
Média7,7
MauricioTitular
Média6,7
Emiliano MartínezEntrou durante o jogo
Média7,0
Jhon AriasEntrou durante o jogo
Média7,3
KhellvenEntrou durante o jogo
Média6,3
LarsonEntrou durante o jogo
Média6,3
Vitor RoqueEntrou durante o jogo
Média6,7
✓ Resultado final baseado em 48 voto(s) da torcida.
O levantamento divulgado pelo jornalista Jorge Nicola, do R7, mostra que o único troféu obtido nesse período foi o Campeonato Paulista de 2026. Antes da conquista estadual, o Palmeiras havia terminado sem taças na Libertadores de 2024 e 2025, nos Campeonatos Brasileiros de 2024 e 2025, nas Copas do Brasil de 2024 e 2025 e no Mundial de 2025.
A sequência não representa ausência total de competitividade. O clube continua envolvido em três torneios e ocupa a vice-liderança do Campeonato Brasileiro. Também está nas semifinais da Copa do Brasil e alcançou as quartas de final da Libertadores. Esses resultados mantêm o Palmeiras na disputa por troféus relevantes, mas deixam o time sob pressão em cada etapa restante do calendário.
O desfecho da temporada terá peso direto na avaliação do trabalho de Abel. Um título nacional ou continental pode interromper o período de poucas conquistas e oferecer uma resposta esportiva às críticas. Em contrapartida, uma eliminação nas três frentes aumentaria a insatisfação de parte da torcida, que já defende a saída do português ao fim do ano.
A cobrança também se relaciona ao histórico recente do Palmeiras. O clube não conquista o Campeonato Brasileiro desde 2023, a Libertadores desde 2021 e a Copa do Brasil desde 2020. A distância em relação às principais taças é considerada incompatível, por torcedores e críticos, com o patamar de investimento mantido pela diretoria durante o ciclo de Abel Ferreira.
O último título brasileiro veio antes, portanto, de duas edições da competição sem uma nova taça para o Palmeiras. No torneio continental, o intervalo é ainda maior: a conquista de 2021 permanece como a mais recente. Já na Copa do Brasil, o clube não repete o título obtido em 2020. O Paulista de 2026 impediu um jejum ainda mais longo, mas não resolveu a falta de troféus de maior expressão.
Elenco caro eleva a responsabilidade
O investimento financeiro é outro elemento que amplia a pressão sobre a comissão técnica. O Palmeiras tem uma folha salarial estimada em R$ 42 milhões por mês, valor apontado pelo R7 como a segunda maior folha da América do Sul. Desde 2020, o clube também teria desembolsado R$ 1,3 bilhão na contratação de 43 reforços.
Esses números fazem com que o desempenho seja analisado para além do resultado de uma partida. A expectativa é de que um elenco formado com tamanho aporte permaneça na disputa por títulos até as fases decisivas e transforme a capacidade de investimento em conquistas. Quando isso não ocorre, a responsabilidade recai sobre diferentes setores, mas o treinador costuma ser o principal alvo da cobrança.
Na comparação apresentada pelo R7, o Flamengo conquistou seis taças no mesmo intervalo em que o Palmeiras levantou apenas um troféu. O rival venceu a Copa do Brasil de 2024, o Campeonato Carioca, o Campeonato Brasileiro, a Libertadores e a Supercopa do Brasil de 2025, além de outro Estadual em 2026.
A diferença no número de títulos aumenta o contraste entre os dois clubes que protagonizaram a disputa pelo protagonismo do futebol brasileiro nos últimos anos. O Palmeiras segue competitivo e aparece à frente em algumas corridas da temporada, mas o retrospecto recente de decisões reforça a percepção de que o time precisa voltar a vencer torneios de maior peso.
Contrato não impede nova avaliação
Abel Ferreira tem contrato com o Palmeiras até dezembro de 2027. O vínculo coincide com o fim do mandato de Leila Pereira na presidência do clube, mas a duração do acordo não elimina a possibilidade de uma avaliação antecipada caso a equipe termine a temporada sem conquistar uma das três competições que ainda disputa.
A pressão ganhou força após uma declaração do treinador no domingo, 6 de setembro. Abel afirmou que os torcedores deveriam aproveitar e desfrutar o período de títulos vivido pelo Palmeiras nos últimos quatro ou cinco anos. A fala ocorreu em meio às críticas ao rendimento recente e foi interpretada como uma resposta ao ambiente de cobrança nas arquibancadas.
O argumento sobre o ciclo vitorioso ainda faz referência a conquistas importantes do clube, mas perdeu força diante do recorte mais recente de resultados. Desde o Paulista de 2024, o Palmeiras passou por oito campeonatos consecutivos sem título antes de voltar a vencer o Estadual em 2026. A sequência ajuda a explicar por que a declaração provocou reação em um momento de maior exigência sobre o trabalho do técnico.
Com Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores ainda no caminho, Abel terá oportunidades concretas para alterar esse quadro dentro de campo. O Palmeiras permanece vivo nas três disputas, mas a combinação entre jejum de troféus relevantes, folha salarial elevada e investimento em reforços tornou o fim da temporada decisivo para a continuidade do treinador no clube.