A permanência de Abel Ferreira no Palmeiras entrou no centro do debate após uma sequência de resultados sem conquistas e atuações que não correspondem ao investimento feito pelo clube. O time venceu apenas um dos últimos nove títulos que disputou, recorte que reforça a cobrança sobre o treinador e aumenta a importância das competições ainda abertas na temporada.
O levantamento divulgado pelo jornalista Jorge Nicola, do R7, mostra que o único troféu obtido nesse período foi o Campeonato Paulista de 2026. Antes da conquista estadual, o Palmeiras havia terminado sem taças na Libertadores de 2024 e 2025, nos Campeonatos Brasileiros de 2024 e 2025, nas Copas do Brasil de 2024 e 2025 e no Mundial de 2025.
A sequência não representa ausência total de competitividade. O clube continua envolvido em três torneios e ocupa a vice-liderança do Campeonato Brasileiro. Também está nas semifinais da Copa do Brasil e alcançou as quartas de final da Libertadores. Esses resultados mantêm o Palmeiras na disputa por troféus relevantes, mas deixam o time sob pressão em cada etapa restante do calendário.
Três competições podem mudar o cenário
O desfecho da temporada terá peso direto na avaliação do trabalho de Abel. Um título nacional ou continental pode interromper o período de poucas conquistas e oferecer uma resposta esportiva às críticas. Em contrapartida, uma eliminação nas três frentes aumentaria a insatisfação de parte da torcida, que já defende a saída do português ao fim do ano.
A cobrança também se relaciona ao histórico recente do Palmeiras. O clube não conquista o Campeonato Brasileiro desde 2023, a Libertadores desde 2021 e a Copa do Brasil desde 2020. A distância em relação às principais taças é considerada incompatível, por torcedores e críticos, com o patamar de investimento mantido pela diretoria durante o ciclo de Abel Ferreira.
O último título brasileiro veio antes, portanto, de duas edições da competição sem uma nova taça para o Palmeiras. No torneio continental, o intervalo é ainda maior: a conquista de 2021 permanece como a mais recente. Já na Copa do Brasil, o clube não repete o título obtido em 2020. O Paulista de 2026 impediu um jejum ainda mais longo, mas não resolveu a falta de troféus de maior expressão.
Elenco caro eleva a responsabilidade
O investimento financeiro é outro elemento que amplia a pressão sobre a comissão técnica. O Palmeiras tem uma folha salarial estimada em R$ 42 milhões por mês, valor apontado pelo R7 como a segunda maior folha da América do Sul. Desde 2020, o clube também teria desembolsado R$ 1,3 bilhão na contratação de 43 reforços.
Esses números fazem com que o desempenho seja analisado para além do resultado de uma partida. A expectativa é de que um elenco formado com tamanho aporte permaneça na disputa por títulos até as fases decisivas e transforme a capacidade de investimento em conquistas. Quando isso não ocorre, a responsabilidade recai sobre diferentes setores, mas o treinador costuma ser o principal alvo da cobrança.
Na comparação apresentada pelo R7, o Flamengo conquistou seis taças no mesmo intervalo em que o Palmeiras levantou apenas um troféu. O rival venceu a Copa do Brasil de 2024, o Campeonato Carioca, o Campeonato Brasileiro, a Libertadores e a Supercopa do Brasil de 2025, além de outro Estadual em 2026.
A diferença no número de títulos aumenta o contraste entre os dois clubes que protagonizaram a disputa pelo protagonismo do futebol brasileiro nos últimos anos. O Palmeiras segue competitivo e aparece à frente em algumas corridas da temporada, mas o retrospecto recente de decisões reforça a percepção de que o time precisa voltar a vencer torneios de maior peso.
Contrato não impede nova avaliação
Abel Ferreira tem contrato com o Palmeiras até dezembro de 2027. O vínculo coincide com o fim do mandato de Leila Pereira na presidência do clube, mas a duração do acordo não elimina a possibilidade de uma avaliação antecipada caso a equipe termine a temporada sem conquistar uma das três competições que ainda disputa.
A pressão ganhou força após uma declaração do treinador no domingo, 6 de setembro. Abel afirmou que os torcedores deveriam aproveitar e desfrutar o período de títulos vivido pelo Palmeiras nos últimos quatro ou cinco anos. A fala ocorreu em meio às críticas ao rendimento recente e foi interpretada como uma resposta ao ambiente de cobrança nas arquibancadas.
O argumento sobre o ciclo vitorioso ainda faz referência a conquistas importantes do clube, mas perdeu força diante do recorte mais recente de resultados. Desde o Paulista de 2024, o Palmeiras passou por oito campeonatos consecutivos sem título antes de voltar a vencer o Estadual em 2026. A sequência ajuda a explicar por que a declaração provocou reação em um momento de maior exigência sobre o trabalho do técnico.
Com Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores ainda no caminho, Abel terá oportunidades concretas para alterar esse quadro dentro de campo. O Palmeiras permanece vivo nas três disputas, mas a combinação entre jejum de troféus relevantes, folha salarial elevada e investimento em reforços tornou o fim da temporada decisivo para a continuidade do treinador no clube.