Abel Ferreira afirma que o padel ajudou a aliviar a pressão e prolongar sua passagem no Palmeiras.Foto: Reprodução da Internet
Abel Ferreira encontrou em uma atividade fora do futebol uma maneira de administrar a pressão do cargo no Palmeiras. Após a classificação para a final da Libertadores de 2026, o treinador português contou que o padel passou a fazer parte da rotina da comissão técnica e associou o esporte à capacidade de superar derrotas, aliviar o estresse e se preparar para o jogo seguinte.
A declaração foi dada depois da vitória sobre o Fluminense, na quarta-feira (21), em uma semifinal decidida nos pênaltis. Em tom descontraído, Abel afirmou que a prática pode até ter ajudado a prolongar sua passagem pelo clube. “Se não fosse o padel que a presidente comprou para termos no CT, para transpirar, fazer o luto das derrotas e preparar para o próximo jogo, se calhar não era mais treinador do Palmeiras há muito tempo”, disse.
O contato do técnico com a modalidade começou antes de sua chegada ao futebol brasileiro. Durante o período em que trabalhou no PAOK, da Grécia, Abel conheceu o padel ao lado dos auxiliares João Martins, Vitor Castanheira, Tiago Costa e Carlos Martinho. A atividade foi mantida quando ele assumiu o Palmeiras, em 2020.
Nos dois primeiros anos no clube, entre 2020 e 2022, Abel e integrantes de sua comissão atravessavam a Avenida Marquês de São Vicente para jogar no Santo Padel. O espaço ficava no complexo do Nacional Atlético Clube, nas proximidades da Academia de Futebol, e era usado como ponto de descontração pelos profissionais.
A mudança ocorreu em 2023, quando o Palmeiras construiu uma quadra coberta de aproximadamente 200 metros quadrados dentro do centro de treinamento. A estrutura passou a estar disponível para jogadores, funcionários e convidados, além de facilitar o acesso da comissão técnica à prática esportiva durante a rotina no clube.
Embora Abel relacione o padel ao descanso e ao controle da tensão, a competitividade continua presente nas partidas. Na manhã da semifinal contra o Fluminense, poucas horas antes do confronto, o treinador jogou com seus auxiliares na quadra instalada na Academia de Futebol.
“Pela manhã jogamos padel. Minha comissão técnica treina sem eu saber, tive que roubar para ganhar uma partida”, brincou o português. A fala revela que o momento de lazer também é marcado por disputas internas, sem deixar de cumprir a função de criar uma pausa antes de um compromisso de alta importância.
Na prática, o esporte passou a ocupar um espaço regular no cotidiano do departamento de futebol. A rotina de Abel envolve treinamentos, viagens, jogos decisivos e cobrança por resultados. Nesse ambiente, a atividade funciona como uma forma de convivência com os auxiliares e como um intervalo entre a frustração de um resultado e a preparação para o próximo desafio.
O que caracteriza o esporte
O padel tem elementos semelhantes aos do tênis, mas é disputado em uma quadra menor, geralmente em duplas e cercada por paredes de vidro e grades. A bola pode continuar em jogo depois de tocar uma parede, desde que tenha quicado no chão, característica que altera a dinâmica das trocas.
A contagem de pontos segue a lógica tradicional do tênis, com games e sets. O saque é realizado por baixo, outra diferença em relação ao tênis convencional. A modalidade ganhou grande popularidade na Espanha e em Portugal, países ligados à trajetória de Abel, e também passou a ser praticada por nomes conhecidos do futebol brasileiro, como Ronaldo e Neymar.
Em 2023, Abel já havia elogiado a estrutura do Palmeiras e definido o clube como um “oásis no deserto”. A quadra construída no centro de treinamento se encaixa nesse ambiente de suporte citado pelo treinador, embora sua fala mais recente tenha destacado principalmente os efeitos pessoais da atividade sobre a rotina da comissão.
Declaração ocorreu após nova decisão continental
A revelação aconteceu em um momento de forte exigência esportiva para o Palmeiras. Ao superar o Fluminense nos pênaltis, o time garantiu vaga em sua quarta final de Libertadores sob o comando de Abel Ferreira. A classificação veio depois de uma disputa eliminatória que exigiu concentração até a última cobrança.
O resultado também ampliou a dimensão da responsabilidade sobre o técnico. Desde que assumiu o clube, Abel convive com a necessidade de disputar títulos e responder à expectativa criada pelos resultados anteriores. Por isso, ao falar em “fazer o luto das derrotas”, ele descreveu uma rotina de recuperação emocional necessária para que a comissão retome rapidamente o trabalho.
A vitória nos pênaltis e a presença na decisão continental estão detalhadas na cobertura do avanço do Palmeiras à final da Libertadores. O padel, porém, aparece em outra dimensão da campanha: não como elemento tático ou preparação específica para a partida, mas como um recurso utilizado por Abel e seus auxiliares para lidar com a pressão acumulada ao longo da temporada.
Assim, a modalidade deixou de ser apenas um passatempo ocasional. Dentro do Palmeiras, passou a integrar a rotina de convivência da comissão técnica e a maneira encontrada por Abel Ferreira para aliviar a tensão, absorver os resultados negativos e manter o foco nos compromissos seguintes.