Alerrandro se destacou no Inter com intensidade e participação em jogadas decisivas sob novo comando técnico.Foto: Reprodução da Internet
Alerrandro ganhou novo peso no Internacional após a chegada de Eduardo Baptista. O centroavante recuperou a titularidade, participou de jogadas decisivas e passou a ser valorizado por uma característica que vai além da presença na área: a disposição para pressionar a saída de bola dos adversários.
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A mudança já apareceu nos dois primeiros jogos do treinador no comando da equipe. Alerrandro começou entre os titulares contra Corinthians e Grêmio e esteve envolvido nos gols marcados por Vitinho. A sequência não apenas ampliou sua participação ofensiva, mas também fortaleceu sua posição na disputa pelo comando do ataque colorado.
Alerrandro passou a ser importante sem a bola
O principal avanço do camisa 9 está no comportamento durante a fase defensiva. Em vez de permanecer restrito à área adversária, o atacante passou a ser utilizado para incomodar os primeiros jogadores da construção rival. A pressão tem como objetivo dificultar a saída de bola, recuperar a posse em regiões avançadas e permitir que o Inter ataque com a defesa adversária desorganizada.
Essa função combina com a mudança de postura que Eduardo Baptista tenta implementar. O treinador busca uma equipe mais agressiva sem a bola, capaz de encurtar os espaços e reagir rapidamente depois de perder a posse. A evolução coletiva do Internacional também foi observada em uma análise sobre o novo comportamento do time, contexto no qual a intensidade de Alerrandro passou a ter valor tático.
Contra o Corinthians, o atacante participou da construção do primeiro gol colorado. No Gre-Nal 455, a ação foi ainda mais direta: Alerrandro pressionou Villasanti, recuperou a bola e encontrou Vitinho. O companheiro encobriu Weverton e abriu o placar. O lance mostrou como uma recuperação próxima ao gol pode se transformar rapidamente em uma oportunidade ofensiva.
Para o centroavante, a contribuição não termina quando ele deixa de finalizar. A comissão técnica passou a enxergar valor também nos deslocamentos, nas disputas e na capacidade de abrir espaço para os jogadores que atuam próximos. A participação nos dois gols de Vitinho reforçou essa leitura no começo do trabalho de Eduardo Baptista.
Números mostram intensidade no início do trabalho
Os dados físicos ajudam a explicar por que Alerrandro conquistou a confiança da nova comissão técnica. O atacante percorreu, em média, 800 metros em alta intensidade por partida, registrou 205 metros em sprints e alcançou velocidade máxima de 30 km/h.
As marcas não representam apenas esforço individual. Elas estão relacionadas ao tipo de função que o treinador passou a exigir do camisa 9, especialmente nas tentativas de pressionar os defensores e os jogadores responsáveis pela saída adversária. A intensidade permite que Alerrandro participe de ações sem a bola e, ao mesmo tempo, esteja disponível para atacar os espaços quando o Inter recupera a posse.
Nos primeiros 133 minutos sob o comando de Eduardo Baptista, o centroavante somou uma assistência, três desarmes e 28 passes certos em 35 tentativas. Também cometeu quatro faltas. O conjunto indica uma atuação mais participativa, com presença nas disputas e na circulação da bola, e não apenas na espera por cruzamentos ou passes dentro da área.
Os números precisam ser observados dentro de uma amostra curta, mas ajudam a dimensionar a mudança de função. Alerrandro passou a aparecer em diferentes momentos da jogada: na pressão inicial, na recuperação da posse, no passe de continuidade e na aproximação da área. Essa versatilidade é um dos fatores que explicam sua permanência entre os titulares nos dois primeiros compromissos da nova comissão.
Confiança e parceria com Vitinho
A recuperação da confiança também aparece como parte importante do momento do atacante. Guilherme da Costa, profissional que já havia trabalhado com Alerrandro no Atlético-MG e no Red Bull Bragantino, destacou o comprometimento do jogador com o trabalho coletivo e avaliou que ele vem retomando a confiança.
Desde a apresentação, Eduardo Baptista indicava a intenção de utilizar o centroavante entre os titulares para aumentar a presença do Internacional no ataque. A escolha foi aplicada contra Corinthians e Grêmio, justamente nas duas partidas em que Vitinho marcou. Em ambas, Alerrandro participou da construção das jogadas, criando uma conexão inicial entre o homem de referência e o jogador responsável por concluir as ações.
A parceria ainda está em fase inicial, mas oferece uma alternativa para o setor ofensivo. Vitinho pode receber a bola em melhores condições quando a pressão de Alerrandro provoca erros na saída rival. Da mesma forma, o centroavante ganha possibilidades de aproximação quando o companheiro atua por dentro ou chega de trás.
O crescimento do atacante modifica a disputa interna do setor. A concorrência deixa de ser definida apenas pela quantidade de finalizações ou gols e passa a considerar a adaptação às exigências coletivas do novo modelo. Para Eduardo Baptista, um centroavante capaz de pressionar, disputar e acelerar a transição pode ser decisivo mesmo quando não balança a rede.
Próximo desafio será fora de casa
O próximo compromisso do Internacional será contra o Mirassol, fora de casa, nesta sexta-feira (16), às 20h. A equipe está na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro e precisa somar pontos na reta final da competição.
Por isso, Alerrandro será avaliado em mais de um aspecto. Além de buscar participação nas finalizações, o camisa 9 terá de repetir a intensidade apresentada diante de Corinthians e Grêmio, pressionar a primeira linha adversária e colaborar para que o Inter mantenha o comportamento sem a bola.
A sequência pode consolidar o espaço conquistado pelo centroavante, mas a confirmação depende da continuidade do desempenho. Até aqui, os sinais apontam para maior confiança, participação coletiva e adaptação às ideias do treinador. A pressão ofensiva, antes um aspecto secundário de sua atuação, tornou-se o detalhe que mais fortaleceu sua posição no Internacional.