Inter muda comportamento, mas ainda convive com alerta no Z-4
Com quatro pontos sob Eduardo Baptista, Colorado mostra mais intensidade e pressão, mas precisa transformar a evolução em reação nas oito rodadas finais.
O Internacional precisa manter a intensidade para escapar da zona de rebaixamento nas próximas rodadas.Foto: Reprodução da Internet
O Internacional iniciou uma nova tentativa de escapar do rebaixamento com um cenário menos negativo do que aquele observado antes da mudança no comando, embora ainda não tenha deixado a zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. A equipe somou quatro pontos nos dois primeiros jogos de Eduardo Baptista, venceu o Corinthians e empatou o Gre-Nal, resultados que alteraram o ambiente no Beira-Rio sem resolver a situação na tabela.
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O Colorado tem 32 pontos e restam oito rodadas para o encerramento da competição. A pontuação mantém o clube sob pressão e reduz a margem para novos tropeços. Por isso, a avaliação sobre o início do trabalho do treinador precisa considerar dois lados: os resultados recentes indicam uma possibilidade de reação, mas a permanência na Série A ainda depende de uma sequência consistente.
A mudança aparece primeiro no comportamento sem a bola
O principal sinal de evolução está na forma como o Inter passou a competir quando não tem a posse. A equipe aumentou a intensidade, adiantou a pressão e procurou recuperar a bola em zonas mais próximas da área adversária. Essa postura modificou o ritmo das partidas e se tornou uma das características mais visíveis da equipe nas primeiras apresentações sob a nova comissão técnica.
Os números ajudam a dimensionar essa alteração. De acordo com levantamento publicado pela GZH, o Internacional registrou 54 desarmes nos jogos contra Corinthians e Grêmio. Nas duas últimas partidas da comissão anterior, comandada por Paulo Pezzolano, foram 29. A diferença mostra que o time passou a disputar mais jogadas e a tentar interromper as ações dos rivais com maior frequência.
Também houve crescimento nas ações de pressão. Nos dois primeiros compromissos de Eduardo Baptista, o Colorado somou 377 ações desse tipo, contra 290 nos dois jogos anteriores da equipe. O dado não representa, isoladamente, uma garantia de melhora, mas ajuda a explicar a percepção de que o Inter se tornou mais agressivo e menos passivo durante os confrontos.
Essa pressão não ficou restrita ao aspecto estatístico. A recuperação da posse em posições avançadas já participou diretamente de gols colorados e passou a oferecer ao time uma maneira diferente de construir ataques. Em vez de depender somente de longas sequências com a bola, o Inter também tenta aproveitar erros provocados pela própria intensidade defensiva.
Resultados recentes ainda não mudam a realidade da tabela
A vitória sobre o Corinthians e o empate no clássico contra o Grêmio deram ao elenco uma base para recuperar confiança. Foram quatro pontos de seis possíveis, aproveitamento suficiente para interromper parte da instabilidade que marcou o período anterior. Ainda assim, o efeito dessa sequência será limitado se não houver continuidade nas próximas rodadas.
O próprio Eduardo Baptista trata o próximo compromisso como uma nova decisão. A cautela do treinador está relacionada ao estágio da campanha: o Inter segue no Z-4, precisa pontuar em ritmo elevado e enfrenta uma reta final em que as distâncias entre os clubes ameaçados podem mudar rapidamente. A melhora recente, portanto, não permite ao time administrar resultados ou diminuir a intensidade.
O cenário dos concorrentes diretos mantém a disputa aberta, segundo a avaliação apresentada sobre a parte inferior da classificação. Esse contexto pode ampliar as possibilidades do Colorado, mas não substitui a necessidade de fazer a própria pontuação. O Inter não depende apenas de resultados alheios; precisa aproveitar as oportunidades e evitar que uma nova oscilação devolva o ambiente de crise.
Calendário oferece confrontos importantes ao Colorado
O próximo desafio será fora de casa, contra o Mirassol. O duelo aparece como um teste relevante para medir se o comportamento apresentado diante de Corinthians e Grêmio pode ser repetido longe do Beira-Rio. Além do resultado, a partida permitirá observar se a pressão adiantada continuará funcionando contra um adversário envolvido no contexto da parte inferior da tabela.
Na sequência, o Internacional terá quatro compromissos no Beira-Rio: Botafogo, Coritiba, Vitória e Bragantino. O mando de campo cria uma oportunidade concreta para a equipe buscar pontos, mas não transforma os jogos em confrontos simples. Para tirar proveito da sequência em casa, o time terá de manter a intensidade sem comprometer o equilíbrio defensivo e melhorar a eficiência quando recuperar a posse.
O período de treinamentos antes do duelo com o Mirassol será importante para ajustar justamente essa relação entre pressão e controle. A equipe já demonstrou disposição para tentar recuperar a bola mais à frente, mas a estratégia precisa ser sustentada por organização para não abrir espaços quando a primeira pressão for superada. O desafio da comissão técnica é consolidar o comportamento, e não apenas repetir um esforço pontual.
A situação do Inter também exige que a evolução coletiva seja acompanhada por regularidade. Os desarmes e as ações de pressão mostram uma mudança de postura, enquanto os quatro pontos recentes oferecem um primeiro sinal de resposta. Nenhum desses elementos, porém, altera o fato de que o clube ainda precisa converter desempenho em vitórias e empates suficientes para sair da zona de rebaixamento.
O confronto com o Mirassol será, assim, o próximo capítulo da tentativa de recuperação iniciada por Eduardo Baptista. Se o Colorado conseguir repetir a intensidade, aproveitar as oportunidades criadas pela pressão e somar novamente, a mudança poderá ganhar consistência. Caso contrário, os resultados diante de Corinthians e Grêmio correm o risco de permanecer como uma melhora isolada em uma campanha que continua exigindo respostas imediatas.