Neymar ficará fora de três partidas do Santos devido a suspensão por violação do Protocolo Vini Jr.Foto: Reprodução da Internet
O Santos terá de lidar com uma ausência importante na sequência do Campeonato Brasileiro. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) puniu Neymar com dois jogos de suspensão por violar o Protocolo Vini Jr. durante a partida contra o Bahia, pela 32ª rodada. Como o atacante também recebeu o terceiro cartão amarelo no empate, o desfalque do camisa 10 chegará a três compromissos.
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A decisão foi tomada nesta quarta-feira (28) pela Segunda Comissão Disciplinar, em primeira instância e por maioria de votos. O clube ainda pode recorrer ao Pleno do STJD, instância superior da Justiça Desportiva. Até que haja eventual mudança no julgamento, Neymar não estará à disposição para os confrontos com Palmeiras, Red Bull Bragantino e Coritiba.
Por que Neymar foi suspenso pelo STJD
O episódio analisado pelo tribunal ocorreu no intervalo do duelo entre Santos e Bahia. Neymar discutiu com Rodrigo Nestor e cobriu a boca com uma das mãos enquanto falava com o meio-campista. O gesto foi identificado pela arbitragem como uma violação ao Protocolo Vini Jr., conjunto de medidas criado para combater manifestações racistas e outras condutas discriminatórias no futebol.
Segundo a súmula, o atacante recebeu cartão vermelho direto antes do reinício da partida, depois de o árbitro Sávio Pereira Sampaio ser alertado pela equipe do VAR. O documento também registrou que, após a expulsão, Neymar correu em direção ao banco de reservas do Bahia para confrontar Nestor e precisou ser contido por companheiros.
A denúncia citou o artigo 191, inciso II, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), relacionado ao descumprimento de determinações de entidades esportivas. Esse dispositivo prevê multa de R$ 100 a R$ 100 mil. A Procuradoria também pediu, de forma alternativa, o enquadramento no artigo 258, que trata de atitudes contrárias à disciplina ou à ética esportiva e prevê suspensão de uma a seis partidas.
A punição do STJD se soma à suspensão automática provocada pelo terceiro cartão amarelo recebido no jogo contra o Bahia. Por isso, Neymar não poderá enfrentar o Palmeiras, no clássico desta quarta-feira (28), nem o Red Bull Bragantino, em compromisso previsto para 2 de novembro. O terceiro jogo perdido será contra o Coritiba.
Com o cenário atual, o retorno está previsto para o duelo com o Grêmio, pela 36ª rodada do Campeonato Brasileiro, após a Data Fifa de novembro. A partida aparece inicialmente marcada para o dia 22, mas ainda não tinha data e horário confirmados pela Confederação Brasileira de Futebol no material apurado.
A sequência representa impacto esportivo relevante para o Santos. De acordo com os dados divulgados na apuração, o clube ocupa a oitava posição do Brasileirão, com 46 pontos. A equipe, portanto, precisará atravessar uma parte importante da reta final sem seu principal nome ofensivo, enquanto aguarda a definição sobre um possível recurso.
Entenda a confusão com Rodrigo Nestor
A discussão entre os jogadores não começou no intervalo. Aos 30 minutos do primeiro tempo, Neymar se irritou após uma disputa e lançou a bola na direção de Nestor. O árbitro aplicou cartão amarelo ao santista, que já estava pendurado e passou a cumprir suspensão automática no compromisso seguinte.
Na volta para o segundo tempo, os atletas retomaram o confronto verbal. Nestor afirmou depois da partida que Neymar havia sido desrespeitoso com ele e com a camisa do Bahia. O meio-campista também disse que o atacante falhou como pessoa, embora tenha evitado reproduzir o conteúdo da suposta fala por considerar que havia crianças acompanhando a transmissão.
Neymar apresentou uma versão diferente. Em publicação nas redes sociais, afirmou que colocou a mão na boca, mas negou ter dito algo ofensivo antes da reação de Nestor. O atacante classificou o episódio como uma tentativa de tirar proveito de uma regra criada para combater o racismo. A divergência entre os relatos acabou inserida no contexto do julgamento, mas a comissão disciplinar manteve a suspensão de dois jogos.
O caso também ganhou destaque porque a regra foi aplicada em uma situação sem manifestação racista comprovada no material apresentado. O protocolo estabelece procedimentos para identificar e punir comportamentos discriminatórios, e a cobertura da boca pode dificultar a leitura do que é dito durante uma discussão. A utilização desse mecanismo já havia sido registrada em outro jogo do Campeonato Brasileiro, quando Arthur Cabral, do Botafogo, recebeu cartão vermelho em episódio envolvendo Jair Ventura, do Vitória.
Recurso pode alterar a punição
Como o julgamento ocorreu na primeira instância, o Santos tem a possibilidade de levar o caso ao Pleno do STJD. O recurso pode manter, reduzir ou modificar a decisão, mas não há, no material apurado, indicação de qual medida o clube adotará ou de quando o pedido será analisado.
Enquanto a situação jurídica não muda, a comissão técnica precisa considerar Neymar fora dos três próximos jogos listados. A suspensão automática pelo cartão amarelo e a punição disciplinar têm origens diferentes, mas produzem o mesmo efeito imediato: o atacante ficará afastado em uma fase decisiva da campanha santista no campeonato.
O episódio já havia provocado repercussão dentro e fora de campo. A expulsão contra o Bahia ocorreu em uma partida na qual o Santos buscou o empate no fim, mas perdeu seu principal jogador para o clássico seguinte. Agora, com a decisão do STJD, a ausência foi ampliada para mais dois compromissos, e o clube dependerá do recurso caso queira contar novamente com Neymar antes do confronto previsto diante do Grêmio.