Neymar enfrentará o STJD por possível infração ao Protocolo Vini Jr., podendo ser multado ou suspenso.Foto: Reprodução da Internet
Neymar será julgado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) na quarta-feira (28), após a expulsão no empate por 1 a 1 entre Santos e Bahia, na Vila Belmiro. O atacante é acusado de possível descumprimento do Protocolo Vini Jr., em episódio ocorrido durante uma discussão com Rodrigo Nestor.
O caso será analisado pela Segunda Comissão Disciplinar do tribunal. A denúncia ainda não representa uma condenação, e o jogador terá direito de apresentar sua defesa. O julgamento pode definir se haverá apenas punição financeira ou também suspensão esportiva para o camisa 10 santista.
A expulsão aconteceu no intervalo da partida. Durante o bate-boca com Nestor, Neymar levou a mão à boca. O árbitro Sávio Pereira Sampaio não teria visto o gesto no momento em que ocorreu, mas foi alertado pela equipe do VAR e aplicou o cartão vermelho direto.
Depois de receber a ordem para deixar o campo, o atacante ainda correu em direção ao banco de reservas do Bahia, segundo o relato registrado na súmula. Companheiros do Santos precisaram contê-lo para evitar uma nova aproximação do adversário.
O episódio já havia provocado repercussão dentro e fora do clube. O cartão vermelho recebido por Neymar também alterou o planejamento do Santos para a sequência do Campeonato Brasileiro, independentemente da decisão que será tomada pelo tribunal.
A Procuradoria do STJD enquadrou o jogador no artigo 191, inciso II, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). O dispositivo trata do descumprimento de determinações estabelecidas por entidades responsáveis pela administração do esporte.
Na avaliação da Procuradoria, o gesto de cobrir a boca pode ter violado o item 7 do Protocolo Vini Jr., previsto no Código Disciplinar da Fifa. A regra busca permitir a identificação de manifestações ofensivas ou discriminatórias durante as partidas, inclusive quando as câmeras não conseguem registrar com clareza o conteúdo de uma fala.
O artigo 191 prevê multa entre R$ 100 e R$ 100 mil, conforme a gravidade considerada pelos auditores. A Procuradoria também apresentou, de forma subsidiária, a possibilidade de enquadramento no artigo 258 do CBJD, relacionado a condutas contrárias à disciplina ou à ética desportiva.
Se esse segundo entendimento for adotado, a punição pode variar de uma a seis partidas de suspensão. A definição, portanto, dependerá da interpretação da comissão sobre o gesto, o contexto da discussão e os demais elementos incluídos no processo.
O que foi registrado no episódio
O áudio divulgado pela Confederação Brasileira de Futebol mostrou a comunicação entre a arbitragem de vídeo e Sávio Pereira Sampaio antes da expulsão. A equipe do VAR chamou a atenção para o momento em que Neymar cobriu a boca, levando o árbitro de campo a revisar a situação.
O relato da súmula também aponta que o gesto teria sido intencional. O documento registra ainda a reação do atacante após o cartão vermelho, quando ele se dirigiu ao setor do banco do Bahia e acabou sendo contido por jogadores do próprio Santos.
Após a partida, Rodrigo Nestor afirmou que ouviu declarações desrespeitosas durante a discussão. O meio-campista, porém, decidiu não repetir publicamente o conteúdo das falas. Segundo ele, Neymar tinha conhecimento do que havia dito e da forma como a camisa do Bahia teria sido mencionada.
O conteúdo exato atribuído ao atacante não foi divulgado no material apresentado sobre a denúncia. Assim, a análise do STJD deverá considerar os registros oficiais da arbitragem, as imagens do lance, a comunicação do VAR e os depoimentos relacionados ao episódio.
Posição de Neymar e impacto para o Santos
Depois do jogo, Neymar pediu desculpas aos torcedores pela expulsão, mas contestou a interpretação dada ao gesto. O jogador afirmou que apenas colocou a mão na boca durante uma troca de provocações com Nestor e negou ter feito uma manifestação racista.
O atacante também questionou a forma como o protocolo foi utilizado naquela situação. Ao mesmo tempo, admitiu que o debate poderia contribuir para aperfeiçoar a aplicação da regra no futebol. A manifestação, contudo, não impede a tramitação da denúncia nem antecipa o resultado do julgamento.
Antes mesmo da sessão do tribunal, Neymar já seria desfalque em compromissos importantes do Santos. O atacante recebeu o terceiro cartão amarelo na partida contra o Bahia, o que o tiraria do confronto seguinte diante do Palmeiras. O cartão vermelho também o impede de atuar contra o Red Bull Bragantino, de acordo com as informações disponíveis.
Uma eventual suspensão adicional aumentaria o período de ausência do principal nome do elenco santista. O clube, por isso, trabalha na preparação da defesa e tenta limitar as consequências esportivas do caso. A expectativa interna, relatada nas informações apuradas, é de que uma punição mais pesada possa ser evitada.
A situação ocorre em um momento decisivo da campanha do Santos no Campeonato Brasileiro, com seis rodadas restantes conforme o relato divulgado. Neymar vinha recuperando sequência de partidas depois de enfrentar problemas físicos, e sua ausência representa uma perda técnica para uma equipe que conta com sua capacidade de criação e finalização.
Julgamento pode definir próximos passos
A sessão da Segunda Comissão Disciplinar está marcada para quarta-feira (28) e terá transmissão ao vivo pelo site oficial do STJD, conforme informado. Até a decisão, Neymar permanece na condição de denunciado, sem condenação definitiva.
O tribunal poderá aceitar o enquadramento principal, aplicar a punição alternativa ou concluir pela ausência de infração disciplinar nos termos apresentados. A decisão também deverá esclarecer se o caso produzirá somente efeito financeiro ou se haverá impacto adicional na escalação do Santos.
Enquanto aguarda o julgamento, o clube precisa lidar com ausências já previstas e com a possibilidade de ampliar a perda de seu camisa 10. O desfecho do processo será determinante para saber quando Neymar poderá voltar a defender o Santos no campeonato.