Neymar desfalca o Santos contra o Palmeiras após expulsão que gerou crise e críticas importantes.Foto: Reprodução da Internet
A expulsão de Neymar no empate por 1 a 1 entre Santos e Bahia, na Vila Belmiro, transformou um episódio disciplinar em um debate mais amplo sobre a postura do atacante. A atuação do camisa 10 foi analisada por Arnaldo Ribeiro no programa Posse de Bola, do UOL, e o jornalista apontou uma sequência de comportamentos que, na avaliação dele, ultrapassou os limites da disputa em campo.
O caso teve início aos 31 minutos do primeiro tempo. Depois de sofrer uma falta, Neymar recebeu a aproximação de Rodrigo Nestor, que tentou ajudá-lo a se levantar. O jogador do Santos, porém, devolveu a bola contra o peito do meio-campista do Bahia. Em seguida, mandou o adversário se levantar e recebeu cartão amarelo pela atitude.
A advertência não encerrou o confronto entre os dois. Na saída para o intervalo, Neymar e Nestor voltaram a trocar palavras. O atacante colocou a mão diante da boca durante a conversa, e o árbitro foi chamado pelo VAR para rever as imagens. Após a análise, decidiu aplicar o cartão vermelho ao santista.
Jogadores das duas equipes precisaram intervir para impedir que a discussão aumentasse. O episódio ainda provocou atraso no reinício do segundo tempo. A leitura labial divulgada posteriormente também ampliou o interesse sobre o conteúdo da conversa entre os atletas, mas a expulsão foi determinada pela decisão tomada depois da revisão do lance.
Na avaliação de Arnaldo Ribeiro, o problema não ficou restrito ao gesto registrado no intervalo. O jornalista afirmou que Neymar apresentou uma postura inadequada durante diferentes momentos do confronto, especialmente nas interações com adversários e integrantes da arbitragem.
“Ele acha que manda no jogo, como manda no Santos, ele acha que pode falar o que quiser, xingar quem quiser, ele acha que pode tudo”, disse o comentarista durante o programa. Arnaldo também classificou o comportamento do atacante como recorrente em determinadas partidas e ressaltou que a crítica à conduta dentro de campo não elimina a idolatria que Neymar mantém entre companheiros e torcedores.
Outro ponto mencionado foi a possibilidade de uma punição anterior ao cartão vermelho. Para Arnaldo, um árbitro mais rigoroso poderia ter interpretado como expulsão o momento em que Neymar atirou a bola contra Nestor. O jornalista também citou um princípio de discussão envolvendo Rogério Ceni, técnico do Bahia, e afirmou que o santista quase agrediu o treinador.
As declarações foram além da análise de um único lance. Arnaldo relacionou a postura de Neymar à falta de negativas e de contestação que, segundo ele, o jogador teria enfrentado ao longo da carreira. Na visão do comentarista, essa trajetória teria contribuído para que o atacante passasse a agir como se pudesse ultrapassar limites sem consequências.
Ao mesmo tempo, Arnaldo reconheceu uma evolução do atleta no período posterior à Copa do Mundo. A ressalva, contudo, veio acompanhada de uma crítica sobre a exposição recente do camisa 10. Para o jornalista, Neymar passou a ser associado com mais frequência a acontecimentos fora de campo do que às próprias atuações pelo Santos.
Versão de Nestor aumenta repercussão
Rodrigo Nestor apresentou sua versão ainda antes de deixar o gramado. O meio-campista afirmou que a falta cometida sobre Neymar foi normal e que apenas tentou ajudar o adversário a se levantar. Depois de receber a bola no peito, disse ter se sentido desrespeitado pelo atacante.
“Ele sabe o que falou para mim. Foi muito desrespeitoso comigo e com a camisa do Bahia”, declarou Nestor. O jogador também lembrou que nasceu em Itaquera e enfrentou dificuldades até chegar ao futebol profissional. A fala ajudou a colocar uma dimensão pessoal na discussão, que já havia chamado atenção pela tensão entre os dois jogadores.
O contexto da partida contribuiu para o clima de irritação. Santos e Bahia jogaram sob chuva forte, com o gramado encharcado e disputas mais intensas. Mesmo assim, a equipe santista conseguiu reagir nos acréscimos, quando Luan Peres marcou o gol do empate. O resultado, porém, acabou dividido nas repercussões com a expulsão do principal nome ofensivo do time.
Suspensão muda os planos do Santos
A consequência prática para o Santos será imediata. O cartão vermelho impede Neymar de participar do clássico contra o Palmeiras, marcado para a próxima quarta-feira, às 19h30, na Vila Belmiro. O duelo é tratado como um compromisso importante para a equipe no Campeonato Brasileiro, e a ausência obriga Cuca a buscar uma alternativa para a formação.
A tendência indicada é que Christian Oliva retorne ao meio-campo. Gabriel Bontempo também aparece como possibilidade para atuar mais adiantado, ao lado de Philippe Coutinho e Everton Cebolinha. Essa composição, contudo, ainda depende da decisão do treinador, que precisará reorganizar o time sem seu camisa 10.
A suspensão não representa apenas a perda de um jogador de referência técnica. Neymar também vinha concentrando a atenção do adversário e participando das principais ações ofensivas do Santos. Sem ele, Cuca terá de distribuir essa responsabilidade entre os demais jogadores, além de escolher se preservará a estrutura utilizada contra o Bahia ou se fará mudanças mais amplas.
O episódio também recoloca em discussão a relação entre protagonismo e disciplina. Neymar é uma das principais referências do elenco santista, mas a expulsão o retirou de uma partida relevante justamente depois de uma atuação marcada por conflitos. Para o clube, o desafio imediato é transformar a repercussão em preparação para o clássico e evitar que a ausência comprometa ainda mais o planejamento da rodada.
O empate diante do Bahia encerrou a partida com um ponto conquistado no fim, mas deixou o Santos sem seu principal nome para o compromisso seguinte. A repercussão das críticas de Arnaldo Ribeiro, somada ao relato de Nestor, mantém o foco sobre o comportamento de Neymar. Os detalhes da discussão também foram abordados em uma análise de leitura labial do confronto.