A reação de Matheus Pereira ao deixar o campo durante o clássico entre Atlético-MG e Cruzeiro, pela Copa do Brasil, esteve ligada à arbitragem, e não à substituição. O meia explicou que se irritou com o segundo cartão amarelo recebido por Villalba, lance que resultou na expulsão do defensor e mudou o equilíbrio do confronto na Arena MRV.
O Cruzeiro vencia por 1 a 0 quando Villalba cometeu falta em Cuello, no ataque do Atlético, aos 15 minutos do segundo tempo. O árbitro Raphael Claus aplicou o segundo amarelo ao jogador celeste, que deixou a partida. Em seguida, o time mineiro passou a jogar em inferioridade numérica e sofreu a virada, com gols de Victor Hugo e Fred.
Matheus Pereira afirmou que, na avaliação dele, Claus inicialmente não pretendia advertir Villalba. O jogador atribuiu a aplicação do cartão à intervenção do assistente e disse que a decisão influenciou diretamente o andamento do clássico.
“A minha indignação foi pelo amarelo, que o Claus não ia dar. Ele deu porque o bandeirinha disse que era amarelo. Ele nem ia dar o amarelo, acabou que deu, condicionando completamente o jogo”, declarou o meia.
A saída de Matheus Pereira aconteceu quatro minutos depois da expulsão, aos 19 minutos da etapa final. O técnico Artur Jorge fez três alterações simultâneas: Matheus Henrique entrou no lugar de Gerson, Gabriel Rojas substituiu Matheus Pereira, e Villarreal passou a ocupar a vaga de Kaio Jorge.
O momento da troca provocou a impressão de que o armador estava contrariado por deixar o gramado. Depois da partida, porém, ele rejeitou essa interpretação e disse que respeita as decisões da comissão técnica. Matheus Pereira também ressaltou que se considera mais um integrante do elenco e que sua prioridade é contribuir independentemente do tempo em campo.
“Não fiquei puto de ter saído. Eu sempre falei, sou mais um para ajudar. E naquilo que me compete, vou fazer meu melhor, respeitar meus companheiros que entrarem”, afirmou.
O meia voltou a associar sua chateação exclusivamente ao lance de Villalba. Para ele, a expulsão deixou o Cruzeiro em uma situação mais difícil justamente quando a equipe tentava proteger a vantagem construída no clássico.
“A minha indignação, a minha chateação tem a ver simplesmente com o segundo amarelo, que ele nem ia dar e acabou dando. Ficou mais difícil para a gente”, completou Matheus Pereira.
Artur Jorge detalha as três mudanças
Artur Jorge explicou que as substituições tiveram razões diferentes. Segundo o treinador, Gerson pediu para sair depois de sentir um desconforto muscular. A alteração de Kaio Jorge foi planejada porque o atacante estava pendurado com cartão amarelo, enquanto a troca de Matheus Pereira ocorreu por decisão exclusivamente técnica.
“O Gerson pediu pra sair, o Matheus Pereira foi a única opção minha tomada em relação aquilo que era colocar um jogador mais fresco”, explicou o técnico.
Ao justificar a retirada de Kaio Jorge, Artur Jorge afirmou que buscava manter no ataque uma referência capaz de atuar na área e, ao mesmo tempo, explorar a velocidade e os espaços deixados pela defesa atleticana. Villarreal foi escolhido para cumprir essa função na sequência do confronto.
A expulsão de Villalba, portanto, antecedeu as três trocas e alterou as necessidades do Cruzeiro. Com um jogador a menos, o time precisou reorganizar o sistema para tentar conter a pressão do Atlético-MG, enquanto o adversário ganhou espaço para avançar e ocupar o campo ofensivo.
Na análise do treinador, a inferioridade numérica também afetou a capacidade celeste de manter a posse. O Cruzeiro foi recuando, passou a defender mais perto da própria área e encontrou dificuldades para sustentar o resultado que havia construído.
“Tivemos um jogo equilibrado, a partir da expulsão ficamos mais expostos à superioridade numérica e territorial do adversário, que nos empurrou pra trás, nos obrigou a defender mais perto da área e acabamos por não conseguir segurar o resultado que tínhamos”, avaliou Artur Jorge.
Eliminação encerra campanha do Cruzeiro na Copa do Brasil
A virada por 2 a 1 eliminou o Cruzeiro da Copa do Brasil e encerrou a participação da equipe na competição. O resultado também aumentou o peso dos compromissos restantes no Campeonato Brasileiro, torneio que passou a ser o único ainda no calendário do clube mineiro nesta temporada.
O Cruzeiro ocupa a sexta colocação do Brasileirão e mira uma posição que permita disputar a Conmebol Libertadores de 2027. A busca por essa vaga passa a concentrar os objetivos esportivos do time depois da queda no clássico estadual.
O calendário prevê o retorno da equipe em 6 de setembro, contra o Athletico-PR, em casa, às 16h (de Brasília). Na rodada seguinte, o Cruzeiro visita o Santos em 12 de setembro, às 21h. O terceiro compromisso da sequência será diante do Vitória, fora de casa, em 20 de setembro, às 16h.
Além de recuperar-se do impacto da eliminação, Artur Jorge terá de acompanhar a condição física de Gerson, que deixou o clássico por desconforto muscular. A comissão técnica também precisará reorganizar a equipe para a sequência nacional, agora sem a possibilidade de dividir a atenção com outra competição eliminatória.