A convocação de Martinelli para a Seleção Brasileira consolidou uma marca importante para a formação do Fluminense. O meio-campista se tornou o quarto jogador nascido em 2001 e revelado em Xerém a ser chamado para a equipe principal do país. Antes dele, André, João Pedro e Luiz Henrique já haviam recebido oportunidades no ciclo profissional.
O grupo é considerado um dos mais bem-sucedidos da história recente das categorias de base tricolores. Os quatro jogadores percorreram caminhos diferentes depois da formação, mas tiveram em comum a passagem pelo Fluminense e a chegada ao futebol de alto nível. A nova convocação transforma Martinelli no último integrante dessa geração a alcançar a Seleção e recoloca o trabalho de Xerém em evidência.
Luiz Henrique é o único dos quatro que disputou a última Copa do Mundo. André, João Pedro e Martinelli apareceram em listas da Seleção durante o ciclo que antecedeu o Mundial, mas deixaram de ser chamados com a aproximação da competição. A presença do meio-campista na convocação mais recente recupera a representação dessa geração no elenco brasileiro.
Uma geração que amadureceu no futebol profissional
A trajetória do quarteto começou em uma equipe de base que esteve perto de conquistar troféus importantes. No sub-17, o Fluminense terminou como vice-campeão da Copa do Brasil, derrotado pelo Flamengo, e também ficou com a segunda colocação na Taça BH, após perder a decisão para o Atlético-MG.
Embora os títulos tenham escapado naquele período, parte dos jogadores conseguiu repetir o protagonismo no elenco profissional. A mudança de categoria foi acompanhada por conquistas relevantes para o clube, especialmente com Martinelli e André. Os dois tiveram participação nas campanhas do Campeonato Carioca de 2023, da Libertadores e da Recopa Sul-Americana.
Luiz Henrique também conquistou um troféu pelo time principal antes de seguir carreira fora do clube. O atacante integrou o elenco campeão do Campeonato Carioca de 2022. João Pedro teve uma trajetória diferente: deixou o Fluminense antes de levantar uma taça com a equipe profissional, mas ganhou projeção rapidamente e foi negociado com o futebol europeu.
Esse percurso ajuda a explicar a importância da convocação de Martinelli. O feito não se resume à presença individual do jogador na Seleção. Ele também completa uma sequência de quatro atletas da mesma geração de Xerém que chegaram ao principal time do Brasil, depois de passarem pelo processo de formação e pela transição para o profissional.
O retorno financeiro produzido em Xerém
O impacto do grupo ultrapassou o desempenho esportivo. André, João Pedro e Luiz Henrique também representaram receitas expressivas para o Fluminense em negociações realizadas após a afirmação no clube. O volante se tornou a maior venda da história tricolor, em uma operação de 22 milhões de euros, valor equivalente a R$ 135,5 milhões na cotação da época. Atualmente, André defende o Wolverhampton.
Luiz Henrique foi negociado por 8 milhões de euros em 2022. João Pedro deixou o Fluminense por 11,5 milhões de euros, quantia equivalente a R$ 76,82 milhões na cotação do período. O valor relacionado à transferência do atacante foi posteriormente renegociado na atual gestão, conforme o levantamento publicado sobre a geração.
As negociações reforçaram a combinação entre formação de atletas e retorno financeiro. Parte do quarteto contribuiu para conquistas antes de sair, enquanto as transferências de jogadores desenvolvidos em Xerém abriram espaço para receitas relevantes. Martinelli, ao permanecer por mais tempo no elenco, tornou-se o representante que completou a marca dentro do próprio clube.
Martinelli ganhou espaço desde 2020
Martinelli chegou ao elenco profissional em 2020, aos 18 anos, e permaneceu integrado ao time principal desde então. O meio-campista conquistou espaço com praticamente todos os treinadores que passaram pelo Fluminense, característica que ajudou a transformá-lo em uma presença constante na equipe.
A avaliação interna sobre o jogador considera sua qualidade técnica, leitura tática, capacidade física e comportamento profissional. O meia também recebeu reconhecimento de companheiros e figuras importantes do futebol. Marcelo afirmou, em entrevista, que Martinelli foi o atleta que mais o impressionou depois de seu retorno ao Fluminense.
Outra referência veio após a participação do Fluminense no Mundial de Clubes. Fernando Diniz relatou que Pep Guardiola perguntou sobre Martinelli depois do confronto com o Manchester City, vencido pela equipe inglesa por 4 a 0. A observação atribuída ao treinador reforçou a percepção de que o meio-campista havia chamado atenção em um palco internacional, mesmo com a derrota tricolor.
Os números ajudam a dimensionar a permanência do jogador no clube. Martinelli soma 333 partidas com a camisa do Fluminense, considerando os jogos oficiais e dois amistosos disputados no meio do ano. No período, marcou 18 gols e registrou 21 assistências.
Com a convocação, o meio-campista acrescenta a Seleção Brasileira a uma trajetória construída majoritariamente no Fluminense. A marca reúne formação, continuidade no profissional, títulos, projeção internacional e negociações importantes. Para Xerém, Martinelli representa o fechamento de um ciclo: a geração de jogadores nascidos em 2001 agora tem quatro nomes chamados para a equipe principal do Brasil.