Marcão justificou a espera nas substituições, priorizando experiência e equilíbrio contra o forte Palmeiras.Foto: Reprodução da Internet
A eliminação do Fluminense para o Palmeiras, na semifinal da Libertadores, não encerrou o debate sobre as decisões tomadas durante a partida. Após a derrota nos pênaltis, o técnico Marcão foi questionado principalmente pela demora nas substituições e explicou que optou por manter em campo jogadores experientes para tentar sustentar o equilíbrio diante de um adversário considerado forte física e mentalmente.
O confronto terminou com vitória palmeirense por 5 a 3 nas penalidades, depois de o time paulista vencer por 1 a 0 no tempo normal. A definição no Nubank Parque ampliou a pressão sobre as escolhas do treinador, especialmente porque o Fluminense buscava uma reação ofensiva nos minutos finais e levou alternativas como Wesley Natã e Samuel ao banco.
Na entrevista coletiva, Marcão afirmou que a estratégia previa estender ao máximo a participação dos atletas mais acostumados a jogos decisivos. A avaliação da comissão técnica era de que o Fluminense precisava acompanhar a intensidade do Palmeiras antes de alterar a estrutura da equipe.
“A gente tem que ver que jogamos no Allianz (Nubank Park) contra uma equipe do Palmeiras que é muito forte física e mentalmente, e a gente tinha que trocar com eles até certo momento. A gente estendeu ao máximo o tempo dos jogadores grandes, que estão acostumados com jogos grandes, para, no final, arriscar da forma que a gente arriscou”, explicou o treinador.
Segundo Marcão, antecipar as mudanças poderia comprometer o equilíbrio que o Fluminense tentava preservar. A escolha, portanto, não foi apresentada apenas como uma consequência do desgaste físico, mas como parte de um plano para atravessar o período de maior pressão do Palmeiras e aumentar o risco ofensivo na reta final.
A justificativa veio depois de críticas direcionadas ao momento das alterações. Entre os questionamentos públicos esteve a avaliação de Felipe Melo, que considerou inadequada uma orientação dada por Marcão durante a partida. O ex-jogador afirmou que ainda havia tempo para preservar a organização tática, em vez de apostar somente no aspecto emocional. A análise foi registrada pelo FutNet News.
Ganso mudou o plano ofensivo
Marcão também detalhou por que Wesley Natã e Samuel não entraram exatamente no cenário inicialmente imaginado. A ideia era colocar um segundo atacante para atuar próximo de Hulk, mas o posicionamento de Paulo Henrique Ganso exigiu uma reorganização das funções no meio e no ataque.
“Trazer o Wesley e o Samuel para ajudar, jogar junto dele… Estava pensando em colocar um segundo atacante para ajudar o Hulk, e aí o Paulo (Henrique Ganso) baixou, e a gente teve que fazer um outro movimento com o Luciano (Lucho Acosta)”, disse.
Na leitura do técnico, Ganso recuou e passou a ocupar uma faixa mais baixa do campo. Essa movimentação interferiu na maneira como as alternativas ofensivas seriam encaixadas e obrigou a comissão técnica a adaptar o plano antes de confirmar as mudanças. A explicação indica que a entrada dos jogadores não dependia apenas de escolher quem estava mais descansado, mas também de encontrar funções compatíveis com a organização que estava se desenhando.
Marcão aproveitou a resposta para defender a participação de Ganso. O treinador destacou a capacidade do meia de interpretar o jogo, ajustar a pressão e encontrar espaços na primeira fase de construção. Para ele, parte da contribuição do camisa 10 não aparece necessariamente em uma jogada decisiva, mas influencia a estrutura coletiva.
“Mas o Paulo tem uma leitura muito grande do jogo, talvez imperceptível para quem não está de dentro. Ele ajusta a pressão, organiza os movimentos, é um cara que, quando a gente está numa primeira fase, consegue achar os espaços”, afirmou.
Decisão nos pênaltis aumentou a repercussão
O debate sobre o planejamento ganhou força porque o Fluminense chegou à disputa por pênaltis, mas não conseguiu avançar. Carlos Miguel defendeu a cobrança de Nonato, enquanto Marlon Freitas converteu a tentativa seguinte. O Palmeiras fechou a série em 5 a 3 e garantiu presença na final da competição.
Hulk, apontado por Marcão como o quinto cobrador, não participou das quatro cobranças realizadas pelo Fluminense. O treinador explicou que o atacante estava previsto para a etapa seguinte da série. Também saiu em defesa de Nonato, que, segundo ele, treinou bem, estava confiante e havia feito uma boa partida. O tema foi detalhado em reportagem do FutNet News.
Com a queda, o Fluminense encerrou sua participação nas copas e voltou a concentrar a agenda no Campeonato Brasileiro. O próximo compromisso informado após a eliminação seria contra a Chapecoense, no sábado, às 19h30, na Arena Condá. Depois, estavam previstos os duelos com Internacional, em casa, e Vitória, fora.
Assim, a explicação de Marcão não elimina a divergência sobre o momento das substituições, mas esclarece a lógica adotada pela comissão técnica: preservar a experiência durante o período de maior equilíbrio e recorrer a alternativas ofensivas quando a partida exigisse uma postura mais arriscada. A eliminação, porém, manteve abertas as discussões sobre as escolhas feitas no jogo decisivo.