Felipe Melo critica Marcão por priorizar emoções ao invés de tática em momento decisivo da semifinal.Foto: Reprodução da Internet
A eliminação do Fluminense diante do Palmeiras, na semifinal da Libertadores, deixou uma discussão tática além da disputa por pênaltis. Durante o segundo tempo, quando o confronto ainda estava empatado por 0 a 0, Marcão aproveitou a parada para reidratação para tentar mudar o comportamento dos jogadores. O treinador pediu mais intensidade, sugeriu que o adversário demonstrava receio e orientou o time a buscar a área com bolas cruzadas.
A fala ganhou repercussão depois da partida e foi analisada por Felipe Melo no programa Seleção SporTV, exibido na quinta-feira (22). Para o comentarista, a tentativa de mobilizar o elenco era compreensível, mas a mensagem passou do ponto ao indicar que a equipe deveria deixar a organização tática em segundo plano quando ainda havia cerca de 25 minutos de tempo regulamentar, além dos acréscimos.
O treinador procurou transmitir confiança aos atletas em um momento no qual o Fluminense precisava marcar para reverter a situação da semifinal. Marcão afirmou que os jogadores do Palmeiras estariam “com medo” e pediu que a equipe acelerasse as jogadas pelos lados, chegasse à linha de fundo e colocasse a bola na área.
“Ei, não falamos mais de tática agora. 25 minutos. Coração, irmão. Os caras não querem jogar, estão com medo de vocês. Rodou, rodou, chegou no fundo; joga a bola na área. Vai acontecer”, disse o técnico aos jogadores durante a interrupção.
A orientação não significava, por si só, uma mudança formal no desenho da equipe. O conteúdo da mensagem, porém, foi interpretado como uma ordem para priorizar a entrega emocional e a busca direta pelo gol em detrimento de instruções mais detalhadas sobre posicionamento e construção das jogadas.
Felipe Melo reconhece Marcão, mas discorda da estratégia
Antes de contestar a fala, Felipe Melo fez questão de separar o episódio da avaliação geral sobre o treinador. O comentarista afirmou que Marcão teve papel importante na campanha do Fluminense e destacou a capacidade do técnico de aproximar o grupo em um período de pressão.
“Tenho plena convicção de que, se o Marcão não tivesse assumido o Fluminense, o clube não estaria chegando nas quartas de final. É um cara que consegue fazer essa leitura e trazer os atletas para perto”, declarou.
Na sequência, o ex-jogador apresentou a ressalva. Na visão dele, a alternativa mais adequada seria manter a estrutura tática e, ao mesmo tempo, aumentar a agressividade ofensiva. Felipe Melo considerou que a ideia de jogar apenas com “coração” seria mais apropriada para os minutos finais, quando já não houvesse tempo para elaborar novas jogadas.
“Acho que se equivocou ao falar que não tinha tática faltando 25 minutos mais acréscimos. Tem que ter tática, sim. Essa situação de ‘coração’ é quando faltam uns três minutos de jogo e vai todo mundo para o ataque”, explicou o comentarista.
A dúvida sobre quem ocuparia a área
A crítica também se concentrou na relação entre o pedido para cruzar e as características dos jogadores disponíveis naquele momento. Felipe Melo questionou se a instrução para colocar a bola na área estava acompanhada da presença de um atleta capaz de disputar o jogo aéreo em condições favoráveis.
“Faltando 25 minutos você tem que ter tática, sim. A partir do momento que ele fala: ‘Pega a bola e joga na área’, quem estava na área? O Fluminense tinha um centroavante de 1,90m de altura no banco de reservas”, completou.
O comentário não estabelece que a entrada do atacante garantiria o gol ou a classificação. O ponto levantado foi a necessidade de combinar a escolha da jogada com a formação disponível em campo. Se a orientação era insistir nos cruzamentos, a presença de um centroavante de maior estatura poderia, na avaliação do comentarista, ser considerada na montagem da estratégia.
Gol saiu após alterações, mas não decidiu a semifinal
Alguns minutos depois da conversa na parada de reidratação, Marcão fez mudanças na equipe. Wesley Natã e Samuel Xavier entraram em campo, e a jogada que levou ao gol tricolor foi construída pelo lado direito. O jovem atacante participou da ação e deu a assistência para Hércules marcar.
O gol recolocou o Fluminense na disputa, mas não encerrou o confronto. Como a semifinal permaneceu sem um vencedor definitivo no tempo regulamentar, a vaga foi decidida nos pênaltis. O Palmeiras levou a melhor e avançou à final da Libertadores, enquanto o time carioca deixou a competição.
O desfecho aumentou a repercussão sobre as escolhas feitas durante a partida, embora a eliminação não possa ser atribuída exclusivamente à orientação dada na parada. A fala de Marcão foi apenas um dos elementos analisados depois do jogo, especialmente porque ocorreu em um momento de pressão e acabou registrada na transmissão.
Nas redes sociais, a declaração do treinador provocou interpretações diferentes. Alguns torcedores entenderam a mensagem como uma tentativa legítima de despertar o elenco em uma semifinal equilibrada. Outros consideraram que a equipe ainda tinha tempo suficiente para manter a organização e construir ataques com maior critério.
Foi justamente nessa diferença que Felipe Melo concentrou sua análise: acelerar o jogo não exigiria necessariamente abandonar a tática. Para ele, o Fluminense poderia buscar cruzamentos e aumentar a intensidade sem abrir mão de funções, posicionamentos e combinações ofensivas.
Até o material disponível, Marcão não apresentou uma resposta pública específica à crítica. Estão confirmados, porém, o empate no momento da orientação, o intervalo aproximado de 25 minutos ainda restante, as substituições feitas posteriormente, o gol tricolor e a classificação palmeirense nos pênaltis. O debate permanece ligado à decisão do treinador de recorrer ao apelo emocional antes dos minutos finais, enquanto Felipe Melo preservou sua avaliação positiva sobre o trabalho de Marcão no comando do Fluminense.