O Internacional decidiu manter Paulo Pezzolano como treinador e Fabinho Soldado no comando do departamento de futebol, ao menos até a partida seguinte pelo Campeonato Brasileiro. A escolha ocorreu depois de uma reunião convocada pelo presidente Alessandro Barcellos com integrantes da oposição e pré-candidatos ligados ao clube.
O encontro aconteceu em um momento de forte pressão sobre o futebol colorado. O Inter havia perdido por 3 a 2 para o Santos e continuava na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. A crise esportiva foi discutida junto com a situação financeira do clube, que também esteve entre as preocupações apresentadas durante a conversa.
Segundo a apuração do Bolavip Brasil, cerca de dez pessoas participaram da reunião. O objetivo era avaliar alternativas para o futebol e discutir a necessidade de mudanças ainda durante a temporada, sem esperar o encerramento do ano ou uma eventual troca de gestão.
Reunião debateu troca no departamento de futebol
Entre as possibilidades analisadas esteve a entrada de Roberto Siegmann na vice-presidência de futebol até dezembro. A ideia representaria uma mudança no comando administrativo do setor, justamente em uma fase de resultados negativos e de desgaste entre dirigentes, comissão técnica e parte do ambiente político do clube.
O nome de Clemer também foi citado como alternativa para a comissão técnica caso Pezzolano deixasse o cargo. Ex-goleiro e identificado com o Internacional, ele apareceria em um cenário de reformulação que poderia atingir simultaneamente a direção do futebol e o comando da equipe.
A informação sobre as discussões foi inicialmente divulgada pelo jornalista Lucas Collar e relatada posteriormente pelo Bolavip Brasil. As conversas ocorreram em meio a reuniões no CT Parque Gigante e à avaliação de integrantes do Conselho de Gestão de que o ambiente havia chegado a um nível elevado de desgaste.
A permanência de Fabinho Soldado também entrou no radar das discussões. Parte dos participantes defendia uma intervenção mais ampla, com alterações no departamento e na comissão técnica, para tentar provocar uma reação imediata depois da sequência de resultados negativos.
A possível chegada de Siegmann, portanto, não era tratada apenas como uma troca de nomes. Ela poderia alterar a estrutura de decisões do futebol colorado até o fim do ano. Nesse desenho, Clemer seria uma opção para substituir Pezzolano, caso a direção optasse por interromper o trabalho do uruguaio.
Abel Braga apoiou a continuidade do treinador
Apesar das alternativas debatidas, a decisão tomada foi preservar a estrutura atual para o próximo compromisso. Abel Braga, diretor técnico do Internacional, teve papel relevante na escolha e apoiou a permanência de Pezzolano para o duelo diante da Chapecoense.
A derrota para o Santos havia ampliado a cobrança, mas não produziu uma mudança imediata. Conforme a apuração sobre o ambiente interno, a continuidade do treinador já era considerada mesmo em caso de novo revés. O resultado que poderia acelerar uma demissão seria uma goleada sofrida diante da equipe paulista, hipótese que não se concretizou.
O placar de 3 a 2, ainda assim, manteve o Inter em situação delicada na tabela e aumentou a pressão sobre o técnico. A direção passou a avaliar o desempenho da equipe, a permanência do executivo e a dificuldade de estabelecer uma resposta estável para a sequência do campeonato.
A escolha por não mexer imediatamente também esteve ligada às condições do mercado. O clube encontrava dificuldades para contratar um treinador disposto a assumir um trabalho com poucas rodadas restantes e sem garantia de continuidade. O período eleitoral do Internacional tornava a montagem de um novo projeto ainda mais complexa.
Jogo em Chapecó ganhou peso na avaliação
Com a manutenção de Pezzolano e Soldado, o confronto com a Chapecoense passou a ser o principal ponto de avaliação da direção. A partida estava marcada para 12 de setembro, às 17h, na Arena Condá.
O compromisso era considerado importante por causa da posição do Internacional na classificação. Na zona de rebaixamento, a equipe precisava buscar pontos para reduzir a pressão e tentar se aproximar dos adversários na luta contra as últimas posições. O desempenho em Santa Catarina também serviria para medir a resposta do elenco sob o comando mantido.
A decisão não encerrou as discussões sobre o futuro do futebol. Barcellos ouviu representantes da oposição e pré-candidatos, enquanto nomes como Siegmann e Clemer foram colocados em análise. As alternativas, porém, não se transformaram em mudanças antes do encontro com a Chapecoense.
Pezzolano recebeu uma nova oportunidade, e Fabinho Soldado permaneceu no cargo em meio ao ambiente de cobrança. Abel Braga respaldou a continuidade do treinador, mas a pressão sobre a estrutura não desapareceu. O resultado em Chapecó poderia influenciar a avaliação sobre a comissão técnica e o departamento de futebol, embora a decisão imediata tenha sido manter ambos.
Assim, o Internacional entrou na preparação para o duelo com a Chapecoense sem alterações no comando, mas com a direção ainda discutindo alternativas para o setor. A reunião mostrou que mudanças eram consideradas internamente; a escolha final, naquele momento, foi adiar a reformulação e observar a resposta da equipe no Campeonato Brasileiro.