O Internacional pode encontrar no comportamento esperado do Grêmio uma oportunidade para recuperar um modelo de jogo que produziu algumas de suas melhores respostas recentes. No Gre-Nal 454, pela volta das quartas de final da Copa do Brasil, Paulo Pezzolano avalia a possibilidade de montar um time mais compacto, preparado para defender em bloco e acelerar assim que recuperar a bola.
A ideia parte da expectativa de que o Grêmio adote uma postura mais agressiva em sua casa. Com o rival avançando as linhas e assumindo maior iniciativa, o Colorado pode explorar os espaços às costas da defesa. A estratégia não representa necessariamente uma mudança radical, mas a retomada de comportamentos que já funcionaram contra adversários de peso no futebol brasileiro.
Palmeiras, Flamengo e Corinthians estão entre os jogos em que o Inter conseguiu competir melhor sem controlar a posse durante a maior parte do tempo. Nesses confrontos, a equipe protegeu o próprio campo, reduziu os espaços entre os setores e procurou atacar rapidamente depois dos desarmes. A transição ofensiva foi uma das principais formas encontradas para levar perigo.
Velocidade pelos lados é uma das armas
Uma das estruturas utilizadas por Pezzolano tem cinco jogadores na última linha durante a fase defensiva, três atletas ocupando o meio-campo e liberdade para os homens de frente acelerarem as jogadas. O desenho dá importância aos corredores e pode favorecer Carbonero e Bernabei, que aparecem como alternativas para receber em campo aberto.
Alan Patrick também exerce papel relevante nesse funcionamento. O meia pode se aproximar da construção no setor central e, quando o time progride, aparecer em zonas mais adiantadas para participar da conclusão. A movimentação entre o meio e o ataque ajuda a conectar a recuperação da bola com a chegada ao último terço, sem exigir que o Inter mantenha pressão constante sobre o adversário.
Para que o plano seja eficiente, o Colorado terá de recuperar a bola com a equipe próxima. A compactação permite que o primeiro passe depois do desarme encontre jogadores em melhores condições e evita que o time fique exposto durante a transição. Quando os setores se distanciam, a saída rápida perde força e o adversário ganha tempo para reorganizar a defesa.
O desenho do Grêmio será decisivo. Se Luís Castro optar por dois zagueiros e adiantar as linhas, os espaços pelos lados podem aparecer com mais frequência. Nesse cenário, o Inter terá de fazer a leitura correta para não acelerar de maneira precipitada e, ao mesmo tempo, não desperdiçar as oportunidades criadas pela postura ofensiva do rival.
O primeiro Gre-Nal apresentou um obstáculo diferente. No Beira-Rio, o Grêmio também utilizou uma linha com cinco defensores, o que diminuiu as áreas disponíveis para os ataques em velocidade. O Inter teve dificuldade para gerar profundidade, e a utilização de Vitinho como referência central não resolveu completamente o problema.
Referência central ainda é uma questão
A dificuldade voltou a aparecer diante do Atlético-MG, que também trabalhou com uma linha de cinco jogadores na defesa. Sem um centroavante de referência, o Colorado encontrou menos alternativas para atacar a área e empurrar o adversário para trás. A equipe conseguiu circular a bola, mas teve problemas para transformar a posse em profundidade.
O cenário projetado para a Arena pode amenizar essa limitação. Com mais campo para correr, os jogadores de lado podem assumir protagonismo e fazer o time avançar sem depender exclusivamente de uma presença fixa entre os zagueiros. Ainda assim, a velocidade precisará ser acompanhada por ocupação da área, para que os cruzamentos e os passes para trás encontrem companheiros em condições de finalizar.
Se o Grêmio recuar depois de sofrer os primeiros ataques, a partida exigirá outra resposta. O Inter não poderá permanecer preso à transição caso deixe de encontrar espaço para correr. A comissão técnica terá de ajustar a altura do bloco e a circulação da bola para evitar que a equipe se torne previsível. A possibilidade de um plano reativo funcionar depende, portanto, da capacidade de adaptação ao longo dos 90 minutos.
Bola parada vira prioridade para a decisão
As jogadas de falta e escanteio formam a outra frente de trabalho de Pezzolano. O treinador abordou o tema após o empate, e o fundamento ganhou peso porque o Inter tem encontrado dificuldades para criar e concluir no jogo corrido. Em um confronto eliminatório equilibrado, uma cobrança bem executada pode produzir uma chance mesmo quando a equipe não consegue desmontar a defesa em troca de passes.
O problema colorado está tanto na precisão dos cruzamentos quanto na sequência das jogadas. Muitas bolas levantadas terminam fora da área de disputa ou não encontram jogadores do Inter. Com isso, o time perde a possibilidade de pressionar a defesa adversária em uma segunda bola, aproveitar um desvio ou disputar um rebote próximo ao gol.
O lance do gol de Matheus Bahia contra o Corinthians aparece como uma referência para esse tipo de situação. Depois de um escanteio parcialmente afastado, o lateral aproveitou a sobra e finalizou. A jogada mostra que a cobrança inicial não precisa resultar diretamente em uma cabeçada para criar perigo: a organização para atacar o rebote também pode ser determinante.
O levantamento apresentado pelo Diário Gaúcho indica que o Internacional marcou quatro gols de bola parada no Campeonato Brasileiro. O número coloca o clube entre os menos eficientes da competição nesse fundamento, atrás apenas de Cruzeiro e Vitória, conforme os dados citados pelo veículo. A estatística reforça a necessidade de melhorar a qualidade das cobranças e a movimentação dos jogadores dentro da área.
O Grêmio também é apontado como um adversário que tem sofrido gols em lances desse tipo, o que aumenta a importância das oportunidades para o Colorado. A equipe precisa aproveitar escanteios e faltas laterais com mais regularidade, mas sem transformar cada cobrança em uma jogada previsível. A variedade nos movimentos e a atenção às sobras podem ampliar as opções de finalização.
Pezzolano, assim, trabalha com duas soluções ligadas ao mesmo desafio: competir sem precisar comandar a partida o tempo inteiro e encontrar maneiras mais eficientes de chegar ao gol. A compactação pode proteger o Inter e abrir espaço para Carbonero e Bernabei, enquanto a bola parada oferece uma alternativa quando o jogo estiver travado.
A estratégia não assegura a classificação para a semifinal. O Colorado terá de executar a marcação, acelerar com precisão e corrigir a produção ofensiva caso o adversário altere sua postura. O Gre-Nal 454 será definido pela capacidade de transformar o plano de jogo em ações concretas, especialmente nos momentos em que surgirem os espaços e nas oportunidades criadas a partir de faltas e escanteios.