O Internacional pode encontrar no comportamento esperado do Grêmio uma oportunidade para recuperar um modelo de jogo que produziu algumas de suas melhores respostas recentes. No Gre-Nal 454, pela volta das quartas de final da Copa do Brasil, Paulo Pezzolano avalia a possibilidade de montar um time mais compacto, preparado para defender em bloco e acelerar assim que recuperar a bola.
NOTAS DA TORCIDA
Avalie os jogadores na última partida
3 × 2 Brasileirão Série A
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Votação encerradaConfira abaixo as médias finais da torcida.
Alan PatrickTitular
Média8,0
Alexandro BernabeiTitular
Média7,0
Braian AguirreTitular
Média6,3
Bruno HenriqueTitular
Média7,0
Félix TorresTitular
Média6,0
Guillermo MaripánTitular
Média7,0
Matheus BahiaTitular
Média7,0
Matheus CunhaTitular
Média6,7
RonaldoTitular
Média6,3
Thiago MaiaTitular
Média8,3
VitinhoTitular
Média6,7
Antonio SanabriaEntrou durante o jogo
Média6,3
CalebeEntrou durante o jogo
Média6,0
Johan CarboneroEntrou durante o jogo
Média7,0
JuninhoEntrou durante o jogo
Média6,7
Niclas EliassonEntrou durante o jogo
Média6,7
✓ Resultado final baseado em 48 voto(s) da torcida.
A ideia parte da expectativa de que o Grêmio adote uma postura mais agressiva em sua casa. Com o rival avançando as linhas e assumindo maior iniciativa, o Colorado pode explorar os espaços às costas da defesa. A estratégia não representa necessariamente uma mudança radical, mas a retomada de comportamentos que já funcionaram contra adversários de peso no futebol brasileiro.
Palmeiras, Flamengo e Corinthians estão entre os jogos em que o Inter conseguiu competir melhor sem controlar a posse durante a maior parte do tempo. Nesses confrontos, a equipe protegeu o próprio campo, reduziu os espaços entre os setores e procurou atacar rapidamente depois dos desarmes. A transição ofensiva foi uma das principais formas encontradas para levar perigo.
Velocidade pelos lados é uma das armas
Uma das estruturas utilizadas por Pezzolano tem cinco jogadores na última linha durante a fase defensiva, três atletas ocupando o meio-campo e liberdade para os homens de frente acelerarem as jogadas. O desenho dá importância aos corredores e pode favorecer Carbonero e Bernabei, que aparecem como alternativas para receber em campo aberto.
Alan Patrick também exerce papel relevante nesse funcionamento. O meia pode se aproximar da construção no setor central e, quando o time progride, aparecer em zonas mais adiantadas para participar da conclusão. A movimentação entre o meio e o ataque ajuda a conectar a recuperação da bola com a chegada ao último terço, sem exigir que o Inter mantenha pressão constante sobre o adversário.
Para que o plano seja eficiente, o Colorado terá de recuperar a bola com a equipe próxima. A compactação permite que o primeiro passe depois do desarme encontre jogadores em melhores condições e evita que o time fique exposto durante a transição. Quando os setores se distanciam, a saída rápida perde força e o adversário ganha tempo para reorganizar a defesa.
O desenho do Grêmio será decisivo. Se Luís Castro optar por dois zagueiros e adiantar as linhas, os espaços pelos lados podem aparecer com mais frequência. Nesse cenário, o Inter terá de fazer a leitura correta para não acelerar de maneira precipitada e, ao mesmo tempo, não desperdiçar as oportunidades criadas pela postura ofensiva do rival.
O primeiro Gre-Nal apresentou um obstáculo diferente. No Beira-Rio, o Grêmio também utilizou uma linha com cinco defensores, o que diminuiu as áreas disponíveis para os ataques em velocidade. O Inter teve dificuldade para gerar profundidade, e a utilização de Vitinho como referência central não resolveu completamente o problema.
Referência central ainda é uma questão
A dificuldade voltou a aparecer diante do Atlético-MG, que também trabalhou com uma linha de cinco jogadores na defesa. Sem um centroavante de referência, o Colorado encontrou menos alternativas para atacar a área e empurrar o adversário para trás. A equipe conseguiu circular a bola, mas teve problemas para transformar a posse em profundidade.
O cenário projetado para a Arena pode amenizar essa limitação. Com mais campo para correr, os jogadores de lado podem assumir protagonismo e fazer o time avançar sem depender exclusivamente de uma presença fixa entre os zagueiros. Ainda assim, a velocidade precisará ser acompanhada por ocupação da área, para que os cruzamentos e os passes para trás encontrem companheiros em condições de finalizar.
Se o Grêmio recuar depois de sofrer os primeiros ataques, a partida exigirá outra resposta. O Inter não poderá permanecer preso à transição caso deixe de encontrar espaço para correr. A comissão técnica terá de ajustar a altura do bloco e a circulação da bola para evitar que a equipe se torne previsível. A possibilidade de um plano reativo funcionar depende, portanto, da capacidade de adaptação ao longo dos 90 minutos.
Bola parada vira prioridade para a decisão
As jogadas de falta e escanteio formam a outra frente de trabalho de Pezzolano. O treinador abordou o tema após o empate, e o fundamento ganhou peso porque o Inter tem encontrado dificuldades para criar e concluir no jogo corrido. Em um confronto eliminatório equilibrado, uma cobrança bem executada pode produzir uma chance mesmo quando a equipe não consegue desmontar a defesa em troca de passes.
O problema colorado está tanto na precisão dos cruzamentos quanto na sequência das jogadas. Muitas bolas levantadas terminam fora da área de disputa ou não encontram jogadores do Inter. Com isso, o time perde a possibilidade de pressionar a defesa adversária em uma segunda bola, aproveitar um desvio ou disputar um rebote próximo ao gol.
O lance do gol de Matheus Bahia contra o Corinthians aparece como uma referência para esse tipo de situação. Depois de um escanteio parcialmente afastado, o lateral aproveitou a sobra e finalizou. A jogada mostra que a cobrança inicial não precisa resultar diretamente em uma cabeçada para criar perigo: a organização para atacar o rebote também pode ser determinante.
O levantamento apresentado pelo Diário Gaúcho indica que o Internacional marcou quatro gols de bola parada no Campeonato Brasileiro. O número coloca o clube entre os menos eficientes da competição nesse fundamento, atrás apenas de Cruzeiro e Vitória, conforme os dados citados pelo veículo. A estatística reforça a necessidade de melhorar a qualidade das cobranças e a movimentação dos jogadores dentro da área.
O Grêmio também é apontado como um adversário que tem sofrido gols em lances desse tipo, o que aumenta a importância das oportunidades para o Colorado. A equipe precisa aproveitar escanteios e faltas laterais com mais regularidade, mas sem transformar cada cobrança em uma jogada previsível. A variedade nos movimentos e a atenção às sobras podem ampliar as opções de finalização.
Pezzolano, assim, trabalha com duas soluções ligadas ao mesmo desafio: competir sem precisar comandar a partida o tempo inteiro e encontrar maneiras mais eficientes de chegar ao gol. A compactação pode proteger o Inter e abrir espaço para Carbonero e Bernabei, enquanto a bola parada oferece uma alternativa quando o jogo estiver travado.
A estratégia não assegura a classificação para a semifinal. O Colorado terá de executar a marcação, acelerar com precisão e corrigir a produção ofensiva caso o adversário altere sua postura. O Gre-Nal 454 será definido pela capacidade de transformar o plano de jogo em ações concretas, especialmente nos momentos em que surgirem os espaços e nas oportunidades criadas a partir de faltas e escanteios.