Gui Negão viveu no Maracanã o capítulo mais significativo de sua tentativa de recuperar espaço no Corinthians. Aos 19 anos, o atacante marcou o gol alvinegro na derrota por 2 a 1 para o Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro, e completou os 90 minutos em uma partida na qual voltou a ser protagonista no setor ofensivo. O resultado manteve o Corinthians em uma sequência de cinco derrotas na competição, mas o desempenho individual trouxe um sinal de reação para o jogador.
A retomada ganhou força depois de uma decisão que poderia ter mudado o caminho do jovem nesta temporada. No início de setembro, o Corinthians recusou uma proposta do Le Mans, da França, por um empréstimo até 31 de maio de 2027. A operação previa o pagamento de 200 mil euros, divididos entre uma parcela inicial e outra condicionada à permanência do clube francês na Ligue 1. O acordo ainda teria opção de compra de 6,2 milhões de euros, que se tornaria obrigatória caso Gui Negão fosse titular em 60% dos jogos do time.
As informações sobre a negociação foram publicadas pelo ge. Na avaliação do Corinthians, a permanência do atacante abriu espaço para uma nova tentativa de integração ao elenco principal. O próprio jogador relatou, após a partida no Rio de Janeiro, que acreditava ter pouco espaço antes do fechamento da janela, mas recebeu de Fernando Diniz a indicação de que seria mais utilizado.
O respaldo de Diniz e a mudança na minutagem
Para Gui Negão, a confiança transmitida pelo treinador teve efeito direto na forma como entrou em campo. O atacante afirmou que o apoio recebido depois da janela de transferências foi importante para recuperar a segurança necessária ao desempenho. A declaração ajuda a explicar o peso atribuído ao gol no Maracanã, especialmente depois de um período de participação irregular.
Antes do duelo com o Flamengo, o jogador havia sido utilizado em 17 partidas na temporada e tinha apenas um gol. Em determinado momento, perdeu a condição de principal reserva de Yuri Alberto para Pedro Raul e passou a ocupar uma posição mais distante na hierarquia ofensiva. A ausência de Yuri Alberto, lesionado, ampliou as oportunidades recentes, embora não tenha transformado automaticamente Gui Negão em titular estabelecido.
O recorte das partidas anteriores mostra uma evolução gradual na presença em campo. Ele atuou por 25 minutos contra a Chapecoense, 14 diante do Santos, 20 contra o Coritiba e 21 frente ao Cruzeiro. A participação integral contra o Flamengo representou uma mudança importante em relação a essas entradas curtas, tanto pela duração quanto pela responsabilidade assumida durante o jogo.
Gol encerra jejum e recoloca atacante em evidência
O gol marcado aos 32 minutos do segundo tempo encerrou um jejum de mais de sete meses. A última bola na rede havia sido registrada em 5 de fevereiro, contra o Capivariano, pelo Campeonato Paulista. Desde então, Gui Negão passou por 13 partidas sem marcar ou dar assistência, período que contribuiu para a oscilação de sua confiança e de sua minutagem.
Contra o Flamengo, o atacante atuou ao lado de Jesse Lingard e Dieguinho. Sua movimentação não ficou limitada a um único corredor do campo, e ele apareceu como a conclusão de uma jogada construída entre o meio-campo e o ataque. A atuação recebeu nota 7,1 no Sofascore, avaliação que dimensiona o desempenho específico da partida, mas não define, sozinha, o momento do atleta na temporada.
O próprio Gui Negão reconheceu que não fez uma partida tecnicamente perfeita. Ainda assim, destacou a contribuição em outros aspectos e atribuiu o gol ao trabalho de recuperação realizado com a família, os companheiros, a comissão técnica e os profissionais do clube. A manifestação reforça que o processo de retomada não depende apenas de uma oportunidade isolada, mas também da capacidade de transformar apoio em regularidade.
Corinthians busca alternativas para o ataque
O contexto do time aumenta a importância da evolução do jovem. O Corinthians chegou ao confronto com o Flamengo após cinco derrotas consecutivas no Brasileirão e permaneceu com 32 pontos depois da 27ª rodada. O gol não evitou mais um resultado negativo, mas ofereceu ao técnico uma alternativa em um ataque que precisa encontrar soluções para reagir na competição.
Gui Negão tem contrato com o Corinthians até 30 de junho de 2030. A duração do vínculo dá ao clube margem para desenvolver o atacante sem a necessidade de uma decisão imediata sobre seu futuro, embora a proposta do Le Mans tenha demonstrado que havia interesse externo em sua contratação temporária. Por enquanto, a escolha foi mantê-lo no elenco e observar sua evolução sob o comando de Diniz.
A atuação no Maracanã pode influenciar a distribuição de minutos nas próximas partidas, mas ainda não permite afirmar que o atacante consolidou uma vaga. O fim do jejum e os 90 minutos representam um ponto de partida mais expressivo do que as aparições anteriores. A sequência de jogos, a produção ofensiva e a resposta nas novas oportunidades serão os fatores capazes de mostrar se Gui Negão transformará a retomada de confiança em presença constante no Corinthians.