O Corinthians deixou a Argentina com um empate por 1 a 1 diante do Estudiantes, no jogo de ida das quartas de final da Libertadores, mas Fernando Diniz considerou que o principal resultado da noite foi a mudança de postura da equipe. Depois de uma sequência negativa no Campeonato Brasileiro, o time mostrou organização defensiva, competitividade e capacidade de reação para evitar a derrota fora de casa.
O treinador avaliou que a atuação representou uma resposta às críticas recentes, especialmente pela disposição demonstrada durante os 90 minutos. Para Diniz, a entrega apresentada contra o Estudiantes precisa aparecer em todos os compromissos, independentemente do torneio ou do adversário. “O que a torcida merece de nós é entrega total, absoluta e irrestrita em todos os jogos”, afirmou em entrevista coletiva.
O Corinthians saiu atrás no placar, mas conseguiu buscar a igualdade e terminou o confronto com a sensação de que poderia ter construído um resultado ainda melhor. A equipe, no entanto, precisou lidar com a pressão de atuar fora de casa contra um adversário reconhecido pelo treinador como organizado e com uma proposta ofensiva bem definida.
Postura defensiva foi o principal destaque
Na avaliação de Diniz, a equipe foi mais consistente sem a bola do que havia sido nos tropeços recentes pelo Brasileirão. O técnico apontou a marcação e a construção como pontos positivos do empate, embora tenha identificado uma dificuldade no primeiro tempo: a falta de confiança para explorar melhor a capacidade técnica dos jogadores.
O treinador afirmou que o Estudiantes impôs um desafio importante, principalmente por atuar com um modelo de jogo elaborado. Mesmo sob pressão, o Corinthians conseguiu controlar parte das ações e reduziu os espaços para o adversário. A obediência tática foi tratada como uma das principais diferenças em relação à derrota para a Chapecoense, citada por Diniz durante a entrevista.
O comandante também contestou a marcação da falta que originou o gol argentino, mas não concentrou sua análise no lance. A prioridade foi destacar a disposição coletiva apresentada pelo Corinthians e a capacidade de sustentar o confronto mesmo depois de sofrer o primeiro gol.
Em comparação com a partida contra a Chapecoense, Diniz identificou uma diferença de comprometimento. Naquela ocasião, segundo o técnico, o time chegou a criar oportunidades, mas não teve o mesmo nível de concentração defensiva. Contra o Estudiantes, a equipe foi mais dedicada na recomposição e manteve maior organização ao longo do jogo.
Intervalo mudou a participação ofensiva
A comissão técnica aproveitou o intervalo para pedir que os jogadores assumissem mais riscos no ataque. Diniz entendeu que o Corinthians estava competindo bem, mas precisava confiar mais na própria capacidade de criação e permitir que o talento individual aparecesse com maior frequência.
Depois da orientação, o time passou a participar mais do jogo no campo de ataque. A movimentação ofensiva aumentou, o Corinthians encontrou o gol do empate e ainda criou outras oportunidades. Para o treinador, se a equipe tivesse conseguido manter aquele ritmo durante mais tempo, poderia ter deixado a Argentina com uma vitória.
O técnico, porém, reconheceu que o ritmo caiu nos 15 minutos finais. A necessidade de administrar o desgaste e a pressão do Estudiantes fez o Corinthians baixar as linhas, comportamento que impediu uma busca mais agressiva pelo segundo gol. Ainda assim, Diniz disse ter gostado da atuação do início ao fim.
Rodrigo Garro recebeu elogios pela participação na jogada do gol corintiano e pela atuação em uma partida considerada difícil pelo treinador. Diniz também citou Memphis Depay, destacando a contribuição do atacante no sistema defensivo. A avaliação foi de que os dois ajudaram a equipe a manter a solidez necessária diante do Estudiantes.
Empate não encaminha classificação
Apesar de ter marcado fora de casa, o Corinthians não trata o resultado como garantia de classificação. Diniz ressaltou que o Estudiantes continua sendo um adversário perigoso e tem condições de atuar bem longe de seus domínios. Por isso, a decisão na Neo Química Arena exigirá uma atuação tão concentrada quanto a apresentada na Argentina.
A vaga na semifinal será definida na quarta-feira, dia 16, às 21h30, em São Paulo. Quem vencer o segundo jogo avança. Se houver novo empate, a classificação será decidida nos pênaltis, independentemente do número de gols marcados pelas equipes ao longo do confronto.
O mando de campo dá ao Corinthians a possibilidade de decidir diante de sua torcida, mas também aumenta a responsabilidade sobre a equipe. Diniz destacou que o apoio dos torcedores foi perceptível até mesmo na Argentina. Em determinados momentos, segundo ele, os corintianos fizeram mais barulho do que o estádio inteiro, comportamento que o treinador associou ao espírito de luta desejado para o time.
Brasileirão ocupa espaço antes da decisão
Antes de voltar a pensar exclusivamente na Libertadores, o Corinthians terá um compromisso importante pelo Campeonato Brasileiro. O time enfrentará o Flamengo no domingo, dia 13, às 17h30, no Maracanã. A partida ocorre três dias antes do duelo decisivo contra o Estudiantes e coloca uma exigência adicional sobre o planejamento da comissão técnica.
Diniz afirmou que a escalação será definida a partir da condição física dos jogadores após a viagem e a partida na Argentina. O elenco se reapresentará no centro de treinamento na sexta-feira, e a comissão avaliará o desgaste antes de decidir como conduzirá os dois compromissos.
O jogo contra o Flamengo é relevante para a situação corintiana no Brasileiro, enquanto a partida diante do Estudiantes vale a continuidade na principal competição continental. A sequência exige cuidado na gestão do elenco, mas também mantém o Corinthians envolvido em duas frentes de grande peso na temporada.
O empate em La Plata, portanto, serviu para interromper a série de atuações contestadas no aspecto comportamental, mas não resolveu os problemas do time. A equipe ganhou confiança com a reação e voltou a mostrar competitividade, porém ainda precisará transformar essa postura em desempenho consistente no Brasileiro e, principalmente, confirmar a evolução na partida que definirá o semifinalista da Libertadores.