Grêmio enfrenta restrições severas e precisa regularizar dívidas para registrar novos jogadores no mercado.Foto: Reprodução da Internet
O Grêmio passou a conviver com um cenário mais restritivo para registrar jogadores. Duas novas decisões da Fifa, divulgadas na segunda-feira, se somaram à punição relacionada à contratação do meia Monsalve. Com isso, o clube gaúcho tem três transfer bans internacionais ativos e precisa regularizar diferentes pendências financeiras para recuperar liberdade no mercado.
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As sanções impedem o registro de novos atletas enquanto os débitos que deram origem aos processos não forem pagos ou enquanto as respectivas punições não forem revogadas. Na prática, a limitação alcança tanto contratações já encaminhadas quanto futuras operações: acertar a chegada de um jogador não basta se o Grêmio continuar impedido de formalizar o vínculo nas competições.
A primeira sanção detalhada está ligada à dívida pela contratação de Monsalve. O colombiano foi adquirido pelo Grêmio e atualmente está emprestado ao Estudiantes, da Argentina. O fato de o meia estar fora do elenco não altera a responsabilidade financeira assumida pelo clube na operação que levou à sua contratação.
De acordo com o registro consultado no site da Fifa, esse transfer ban entrou em vigor em 9 de outubro. A punição prevê o bloqueio de registros por três janelas de transferências, mas pode ser encerrada antes desse período caso o débito seja quitado. A revogação depende, portanto, da solução da obrigação que motivou o processo.
As duas decisões mais recentes também têm validade até a regularização dos débitos correspondentes. O material disponível não identifica os credores envolvidos nem informa os valores cobrados em cada um desses processos. Por isso, não é possível afirmar que as três punições tenham a mesma origem ou calcular o peso individual de cada pendência.
O ponto comum é o efeito administrativo. Enquanto os bans permanecerem ativos, o Grêmio não poderá registrar novos jogadores. A restrição não se limita ao planejamento de transferências: ela também exige que o clube coordene pagamentos, documentos e pedidos de revogação antes de concluir qualquer movimentação esportiva.
Anresf impõe controle adicional ao clube
As decisões internacionais não são a única barreira enfrentada pelo Grêmio. Em agosto, antes da sequência de punições da Fifa, a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol, a Anresf, havia aplicado um bloqueio preventivo ao clube dentro das regras brasileiras de sustentabilidade financeira.
O mecanismo nacional tem funcionamento diferente. A medida da Anresf não proibia automaticamente o Grêmio de contratar ou registrar jogadores, mas condicionava novas operações à autorização prévia da agência. Assim, o clube continuava sujeito a uma análise antes de efetivar o registro de um reforço.
A restrição está relacionada à apresentação, pelo Grêmio, de um plano coletivo de pagamento de credores à Câmara Nacional de Resolução de Disputas, a CNRD. A proposta prevê a quitação de uma dívida total próxima de R$ 16 milhões, distribuída em 23 processos, ao longo de 60 meses.
Esse plano tornou o cumprimento do cronograma uma parte essencial da situação esportiva. A organização dos pagamentos não serve apenas para resolver obrigações antigas: também é necessária para demonstrar capacidade de atender às exigências financeiras e reduzir o risco de novas medidas administrativas.
Prazos podem levar a um bloqueio nacional
Uma decisão de julgamento da Anresf estabeleceu obrigações específicas para o Grêmio. O clube recebeu prazo de 45 dias para quitar pagamentos em atraso com Capivariano e Votuporanguense. Se a determinação não for cumprida, poderá sofrer uma nova proibição de registrar atletas.
Essa consequência ampliaria a restrição existente. Atualmente, a Anresf submete as operações gremistas à autorização prévia; em caso de descumprimento do prazo, o clube poderá enfrentar um impedimento direto de registros no âmbito nacional, além dos três bans aplicados pela Fifa.
A decisão também determinou que o Grêmio faça um acerto com um jogador em até 15 dias úteis. O não cumprimento dessa obrigação pode resultar em multa de R$ 100 mil. O material disponível não informa a identidade do atleta nem o conteúdo do acordo exigido, mas confirma que a determinação faz parte do conjunto de medidas financeiras em andamento.
Planejamento do elenco depende dos pagamentos
O impacto das punições ultrapassa a possibilidade de contratar ou não. Em um mercado no qual os clubes precisam registrar os atletas para utilizá-los oficialmente, a permanência dos bloqueios pode impedir que um reforço seja integrado ao elenco mesmo depois de uma negociação concluída. A liberação depende da solução das pendências e da retirada formal das restrições.
Por isso, o planejamento gremista fica condicionado a duas instâncias. No plano internacional, o clube precisa resolver os processos que resultaram nos bans da Fifa, incluindo a dívida relacionada a Monsalve. No plano nacional, deve cumprir as obrigações definidas pela Anresf, observar os prazos e seguir submetendo novas operações à autorização da agência enquanto a medida preventiva estiver vigente.
Até o momento, o caso de Monsalve é a única origem identificada entre os três transfer bans da Fifa. Os credores, valores e motivos dos dois processos mais recentes não foram informados no material disponível. O próximo passo concreto do Grêmio, portanto, é financeiro: quitar ou negociar as pendências reconhecidas, cumprir as determinações da Anresf e buscar a revogação das punições que hoje limitam seus registros.