Grêmio tenta negociar rescisão de Luís Castro, mas juros e multas podem aumentar a dívida total.Foto: Reprodução da Internet
O Grêmio ainda não conseguiu quitar a rescisão de Luís Castro, demitido em 13 de setembro, e tenta encontrar um formato de pagamento compatível com a grave situação financeira do clube. As conversas com o treinador continuam, mas a existência de juros e multas previstos no contrato aumenta a preocupação nos bastidores.
Segundo apuração do ge, o vínculo do técnico português iria até o fim de 2027. Por isso, o acordo prevê o pagamento dos salários correspondentes ao período restante após a demissão. A estimativa levantada na apuração se aproxima de R$ 30 milhões, considerando 15 salários, duas parcelas referentes ao 13º e outros encargos.
O Grêmio, porém, contesta internamente esse montante e não divulgou qual valor reconhece como devido. Outra publicação sobre o caso mencionou que a quantia inicialmente fixada seria de R$ 35 milhões e poderia ser reduzida para aproximadamente R$ 10 milhões após ajustes. Como o clube não confirmou publicamente os valores, não há definição sobre qual será o total final da obrigação.
Contrato prevê acréscimos enquanto não houver pagamento
O principal fator de pressão é a forma estabelecida no acordo de saída. O pagamento deveria ser feito à vista e, conforme a apuração divulgada pelo ge, o contrato prevê a incidência de multa por cada dia de atraso, além de juros e outra penalidade financeira a partir da data do desligamento.
Os percentuais e os valores acumulados não foram informados. Dessa forma, não é possível calcular quanto a dívida teria aumentado desde a demissão. A existência desses encargos, contudo, faz com que a demora na negociação possa elevar o custo do rompimento.
O Grêmio trabalha com a possibilidade de apresentar uma proposta parcelada. A intenção é construir um cronograma que o clube consiga cumprir, mas Luís Castro não considera, neste momento, reduzir o valor principal a receber. Uma alternativa cogitada nos bastidores seria tentar obter o perdão dos juros e das multas acumulados desde a saída.
Essa possibilidade ainda não foi discutida formalmente entre as partes e não há garantia de que o treinador aceite abrir mão dos acréscimos. Assim, o ponto central da negociação permanece sendo a composição de uma oferta que concilie a obrigação contratual com a capacidade financeira do clube.
Saída ocorreu após derrota para o Vasco
Luís Castro foi demitido no dia seguinte à derrota para o Vasco, quando o Grêmio decidiu interromper um trabalho que tinha contrato vigente por mais de dois anos. De acordo com os dados publicados pelo Terra, o português comandou a equipe em 50 partidas por Campeonato Gaúcho, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro e Copa Sul-Americana, com 19 vitórias, 14 empates e 17 derrotas.
Depois da saída, o treinador permaneceu em Porto Alegre enquanto as tratativas sobre a rescisão avançavam. A previsão divulgada nas fontes é de que ele viajasse para Portugal em 20 de outubro, onde também está seu advogado, com retorno ao Brasil posteriormente.
O caso ganhou um componente adicional depois de declarações de Renato Portaluppi sobre o elenco e o trabalho realizado na gestão anterior. Luís Castro teria demonstrado incômodo com as críticas, que ocorreram enquanto o atual treinador tentava recuperar o desempenho da equipe. As falas, no entanto, não alteraram o eixo principal da negociação: a definição dos valores e das condições de pagamento.
Problema financeiro se soma à luta contra o rebaixamento
A rescisão é negociada em um momento de forte pressão esportiva e econômica. O Grêmio aparece na 18ª colocação do Campeonato Brasileiro, com 31 pontos, e tenta evitar o rebaixamento. O clube também tem pela frente uma semifinal da Copa do Brasil contra o Atlético-MG, competição apontada nas fontes como uma oportunidade para reagir na temporada.
A possibilidade de queda para a Série B amplia a preocupação com o fluxo de receitas da próxima temporada. No mesmo contexto, o Grêmio adotou um plano coletivo para pagamento de dívidas na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) e sofreu recentemente um transfer ban, restrição que impede o registro de novos jogadores.
O cenário financeiro já havia colocado obstáculos no planejamento do mercado e pode ser acompanhado em detalhes na reportagem do FutNet News sobre as dívidas que ameaçam as movimentações do Grêmio. A pendência com Luís Castro se soma a esse quadro porque envolve um compromisso de valor elevado, com encargos que podem continuar incidindo enquanto não houver acordo.
Dentro de campo, o momento também pressiona a direção. O Grêmio chegou a sete jogos sem vencer após a derrota para o Cruzeiro, sendo quatro partidas sob o comando de Renato. A sequência e a situação na tabela foram abordadas na análise sobre a pressão enfrentada pelo clube no duelo contra o Cruzeiro.
Próximo passo depende de uma proposta viável
Por enquanto, não há acordo anunciado nem confirmação de pagamento parcial ou integral da rescisão. A direção gremista ainda precisa apresentar uma proposta de parcelamento, enquanto o ex-técnico mantém a posição de preservar o valor principal previsto no contrato.
O desfecho dependerá da negociação sobre o prazo, da forma de quitação e dos encargos acumulados desde setembro. Até que esses pontos sejam definidos, a dívida continuará como uma frente aberta para um clube que já enfrenta restrições financeiras, risco esportivo e a necessidade de reorganizar o planejamento para a próxima temporada.