Grêmio deve regularizar dívidas em prazos diferentes para evitar sanções que limitam novos registros.Foto: Reprodução da Internet
O Grêmio terá de agir em duas frentes para evitar o agravamento das restrições financeiras que já atingem o clube. Em decisão divulgada na segunda-feira (19), a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) determinou que o Tricolor regularize, em até 45 dias após a notificação, débitos com Capivariano e Votuporanguense. Se não comprovar o pagamento ou a formalização das obrigações, a equipe poderá receber um novo transfer ban.
A determinação foi tomada pela Segunda Turma de Julgamento da agência durante a análise de solvência referente a julho de 2026. O procedimento faz parte do sistema de fiscalização financeira ligado às regras de sustentabilidade do futebol brasileiro e acompanha o cumprimento de compromissos assumidos pelos clubes.
A principal exigência envolve as pendências com os dois clubes. O prazo de 45 dias começa a ser contado a partir da notificação oficial ao Grêmio. Para evitar a punição, a direção precisará apresentar à Anresf a comprovação exigida dentro do período definido.
O eventual transfer ban não significa apenas uma advertência administrativa. A sanção impede o registro de novos jogadores e pode afetar diretamente a montagem do elenco nas próximas janelas. O Grêmio ainda teria a possibilidade de negociar reforços, mas encontraria uma barreira para inscrever os atletas enquanto a punição estivesse ativa.
Além dos débitos com Capivariano e Votuporanguense, a agência abriu um prazo específico para uma pendência envolvendo um jogador. Nesse caso, o clube terá 15 dias úteis para efetuar o pagamento. O descumprimento poderá resultar em multa de R$ 100 mil.
O nome do atleta não foi divulgado nas informações apresentadas à imprensa, assim como os valores das dívidas relacionadas aos dois clubes. A ausência desses dados impede dimensionar financeiramente as cobranças, mas não altera a existência de prazos diferentes para cada obrigação.
Risco se soma a punições já existentes
A nova decisão ocorre enquanto o Grêmio já convive com outras limitações para registrar jogadores. Em 9 de outubro, a Fifa aplicou um transfer ban relacionado a uma dívida pela contratação do meia colombiano Miguel Monsalve, adquirido junto ao Independiente Medellín em 2024.
A cobrança ligada à negociação é estimada em aproximadamente R$ 2 milhões. Caso a pendência não seja solucionada, a punição internacional pode impedir o registro de atletas por até três janelas de transferências. Por isso, a determinação da Anresf representa uma possibilidade adicional de bloqueio, e não a repetição da sanção aplicada pela Fifa.
O clube também possui um bloqueio preventivo da própria Anresf. Essa medida condiciona novos registros à autorização da agência, conforme os critérios de sustentabilidade financeira. Na prática, as restrições podem se sobrepor e tornar mais difícil a utilização de contratações no planejamento esportivo.
Esse cenário aumenta a importância dos prazos definidos no novo julgamento. A regularização de uma dívida não necessariamente elimina todas as outras limitações, já que cada procedimento possui origem e exigências próprias. O Grêmio precisa, portanto, cumprir separadamente a obrigação de 15 dias úteis e a determinação de 45 dias.
Agência reconheceu pagamentos anteriores
Na mesma análise, a Anresf reconheceu que o Grêmio realizou pagamentos ao Panathinaikos, da Grécia, e ao Racing, da Argentina. Os valores, porém, foram quitados depois da data de corte utilizada no procedimento de solvência.
Também houve uma mudança no enquadramento de uma dívida com o Cruzeiro. A obrigação foi reclassificada como anterior a 2026 e passou a ser tratada dentro das regras aplicáveis a compromissos desse período. A alteração modifica a forma como o débito aparece na análise, mas não representa, por si só, uma declaração de quitação.
De acordo com as informações divulgadas sobre o funcionamento da fiscalização, obrigações contraídas em 2026 têm tratamento mais rigoroso. Para débitos entre clubes nacionais, a regularização ou a formalização de acordo escrito dentro de 45 dias pode evitar o bloqueio previsto. Já as pendências com atletas estão sujeitas a prazo específico e, neste caso, à multa estipulada pela agência.
Pressão administrativa acompanha luta contra o rebaixamento
A situação financeira chega em um momento delicado também no Campeonato Brasileiro. O Grêmio ocupa a 18ª posição, com 31 pontos, e atravessa uma sequência de sete partidas sem vitória. A equipe tenta reagir nas rodadas finais, enquanto a direção precisa administrar as cobranças fora de campo.
O próximo compromisso será contra o Coritiba, na segunda-feira (26), às 19h30, no Couto Pereira. O confronto aparece em meio à tentativa de interromper a série negativa e reduzir a pressão sobre o time. Informações relacionadas ao duelo podem ser consultadas na prévia do jogo do Grêmio contra o Coritiba.
Enquanto a equipe busca pontos para deixar a zona de rebaixamento, a administração terá de organizar os pagamentos e reunir os documentos solicitados pela Anresf. O primeiro prazo a ser observado é o de 15 dias úteis referente à dívida com o atleta. Depois, será necessário cumprir a exigência de 45 dias ligada a Capivariano e Votuporanguense.
Até o momento, não foram divulgados o nome do jogador, os valores das cobranças com os clubes ou uma manifestação do Grêmio sobre a decisão. Sem a comprovação da regularização, o risco de novas limitações continuará presente e poderá comprometer a capacidade do clube de registrar reforços para a temporada de 2027.