O Grêmio lida com nova cobrança de R$ 10,278 milhões do Vitória por parcelas atrasadas da transferência de.Foto: Reprodução da Internet
O Grêmio passou a administrar uma nova cobrança financeira relacionada à montagem do elenco. O Vitória apresentou duas reclamações à Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) contra o clube gaúcho por parcelas que considera atrasadas na transferência do zagueiro Wagner Leonardo. Somados, os valores reivindicados chegam a R$ 10,278 milhões.
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A disputa ganhou um novo capítulo na quarta-feira (14), em um momento no qual o Grêmio já convive com restrições no mercado e precisa responder a outras pendências. A direção tricolor é comandada por Odorico Roman, enquanto o Vitória tem à frente o presidente Fábio Mota, que demonstrou insatisfação com o andamento dos pagamentos.
Como surgiu a cobrança do Vitória
Wagner Leonardo foi contratado pelo Grêmio em fevereiro de 2025. O negócio foi fechado por US$ 4,5 milhões, quantia estimada em cerca de R$ 26 milhões na cotação da época. O acordo entre os clubes previa o pagamento parcelado da transferência, e o Vitória afirma que parte dos repasses não foi realizada nos prazos estabelecidos.
A primeira reclamação protocolada pelo clube baiano envolve R$ 5,078 milhões e já está sob análise da ANRESF. A segunda, no valor de R$ 5,2 milhões, foi apresentada na terça-feira (13). A soma corresponde às duas parcelas que o Vitória considera vencidas e explica o valor de R$ 10,278 milhões informado na cobrança.
Além dessas duas parcelas, o Vitória afirma que ainda aguarda outra prestação de aproximadamente R$ 5 milhões, com vencimento previsto para fevereiro. Esse valor não está incluído na soma das duas reclamações mencionadas. Na avaliação do clube baiano, os atrasos afetaram o planejamento financeiro e dificultaram o cumprimento de compromissos assumidos com outras equipes.
Fábio Mota tratou do assunto em declarações à ESPN. O dirigente criticou a falta de regularidade nos repasses e relacionou o problema às obrigações financeiras do Vitória. A cobrança, portanto, não é apresentada pelo clube apenas como uma divergência entre comprador e vendedor, mas como uma pendência que interfere no fluxo de caixa da equipe baiana.
Grêmio reconhece somente parte da dívida
A versão do Grêmio é diferente da apresentada pelo Vitória. De acordo com informações publicadas pelo jornal A Tarde com base na ESPN, a direção gremista reconhece atraso em apenas uma parcela da negociação. O clube também afirma que ainda não havia recebido as duas denúncias protocoladas na ANRESF.
A diferença entre as posições será relevante na tramitação do caso. A agência deverá considerar os documentos do acordo, os prazos de vencimento, os pagamentos já realizados e as manifestações dos dois clubes. Sem a conclusão dessa análise, não é possível afirmar que todo o valor apontado pelo Vitória será reconhecido como devido pelo Grêmio.
Também não há, até o momento, confirmação de uma punição específica ao clube gaúcho por causa da transferência de Wagner Leonardo. A apresentação das reclamações abre um procedimento administrativo, mas não equivale a uma condenação. Eventuais medidas dependerão da avaliação da ANRESF e do que for comprovado durante o processo.
Nova disputa se soma a outras restrições
O peso da cobrança aumenta porque o Grêmio já enfrenta outras consequências financeiras. Em agosto, a ANRESF aplicou um bloqueio preventivo relacionado ao plano coletivo de pagamento de credores apresentado à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD). Na prática, o registro de novos atletas ficou condicionado à autorização da agência.
O clube também recebeu um transfer ban da Fifa em 9 de outubro. A punição foi relacionada a uma dívida pela contratação do meia Miguel Monsalve junto ao Independiente Medellín, da Colômbia. A medida pode impedir o registro de jogadores por até três janelas de transferências ou até que a pendência seja regularizada.
Apesar de fazerem parte do mesmo cenário de pressão sobre as finanças gremistas, os casos têm origens diferentes. A punição aplicada pela Fifa está ligada à negociação de Monsalve, enquanto as reclamações agora apresentadas pelo Vitória se referem exclusivamente às parcelas da contratação de Wagner Leonardo. Não há indicação de que uma cobrança tenha causado diretamente a outra.
A distinção também é importante para evitar que as medidas sejam tratadas como uma única punição. O bloqueio preventivo da ANRESF, o transfer ban da Fifa e o novo procedimento envolvendo o Vitória possuem fundamentos e órgãos responsáveis distintos. O efeito conjunto, porém, é ampliar a necessidade de a direção organizar os pagamentos e responder às instituições envolvidas.
Próximos passos dependem da ANRESF
Com as duas reclamações, o Grêmio deverá apresentar sua posição formal sobre os valores questionados e sobre o estágio dos pagamentos previstos no contrato. O Vitória, por sua vez, tentará sustentar que as parcelas cobradas estão vencidas e devem ser consideradas no procedimento de fiscalização financeira.
A ANRESF ainda precisa analisar as denúncias e ouvir os envolvidos. O órgão poderá avaliar se houve descumprimento das regras de sustentabilidade financeira e quais medidas seriam cabíveis, mas o material disponível não confirma qual será o resultado nem se haverá uma nova sanção para o Grêmio.
Também permanece possível que os clubes avancem em uma solução financeira durante a tramitação. Até que exista acordo ou decisão da agência, as versões seguem divergentes: o Vitória cobra R$ 10,278 milhões em duas parcelas, enquanto o Grêmio admite atraso em apenas uma. O próximo desdobramento dependerá da documentação apresentada e das manifestações oficiais de cada parte.