O Grêmio precisa superar baixa produção ofensiva e jejum fora de casa para evitar o rebaixamento.Foto: Reprodução da Internet
O empate por 1 a 1 com o Internacional, no Gre-Nal 455, deixou o Grêmio diante de uma combinação de problemas que aumenta a pressão na reta final do Campeonato Brasileiro. Na 18ª colocação, com 31 pontos, o Tricolor ainda não venceu desde o retorno de Renato Portaluppi e terá oito rodadas para tentar escapar de mais um rebaixamento em sua história.
O resultado no clássico não foi suficiente para aliviar a situação. A equipe segue sem encontrar regularidade e precisa corrigir questões que aparecem em diferentes setores do time. A baixa produtividade do ataque, a falta de criatividade no meio-campo e o rendimento ruim como visitante formam o principal conjunto de preocupações para a comissão técnica.
O primeiro obstáculo está na dificuldade para transformar posse e construção em oportunidades claras. Em 30 partidas, o Grêmio marcou 32 gols e aparece como dono do terceiro pior ataque da competição. Apenas Chapecoense, com 29, e Corinthians, com 31, balançaram as redes menos vezes no recorte apresentado.
O número ajuda a explicar por que o time permanece ameaçado na parte inferior da tabela. Em uma disputa contra o rebaixamento, a capacidade de marcar passa a ser decisiva, especialmente quando a equipe precisa buscar vitórias em vez de apenas administrar empates. A produção ofensiva insuficiente reduz a margem para erros defensivos e torna cada partida mais pesada.
Carlos Vinícius também sente os efeitos desse cenário. Principal referência do ataque, o centroavante está há seis jogos sem marcar e teve somente uma finalização no clássico contra o Internacional. O desempenho indica um problema coletivo, e não apenas uma fase individual do atacante: ele tem recebido pouca participação dos companheiros e acaba isolado entre os defensores adversários.
Para tentar mudar esse comportamento, Renato trabalha com a possibilidade de alterar o posicionamento dos pontas. A ideia é fazer com que os jogadores deixem de permanecer constantemente abertos junto às linhas laterais e passem a oferecer mais apoio ao centroavante. Um dos objetivos é ocupar o lado oposto da jogada e aumentar a presença gremista na área.
Meio-campo ainda não encontrou solução
A criação também é uma preocupação central. O Grêmio perdeu alternativas para a função de meia com a saída de Willian, o empréstimo de Monsalve e a venda de Gabriel Mec. Nesse contexto, Krovinovic aparece como a principal opção de origem para ocupar o setor, mas ainda não conseguiu entregar a participação ofensiva esperada.
O croata foi titular no Gre-Nal 455, depois de Renato utilizar formações com três zagueiros e três volantes em outros momentos. A mudança, porém, não foi suficiente para aumentar a produção ofensiva da equipe. A dificuldade não está apenas em escalar um meia, mas em fazer com que ele atue em uma faixa do campo capaz de aproximá-lo das jogadas decisivas.
Após o clássico, Renato afirmou que conversa com o jogador sobre a necessidade de pisar na área e participar mais diretamente das finalizações. A cobrança indica o papel que o treinador espera do meio-campista: além de organizar a saída e ajudar na circulação da bola, Krovinovic precisa aparecer próximo ao gol para evitar que Carlos Vinícius fique sem apoio.
O ajuste pode alterar a dinâmica dos pontas e do centroavante. Se o meia avançar, os extremos terão de equilibrar amplitude e presença por dentro, enquanto os volantes precisarão oferecer cobertura. Até aqui, contudo, o Grêmio ainda não encontrou uma combinação que resolva simultaneamente a construção das jogadas e a ocupação da área.
Jejum como visitante aumenta a pressão
O terceiro problema aparece no desempenho longe da Arena. O Grêmio ainda não venceu como visitante no Campeonato Brasileiro, marca que limita a recuperação na classificação. Mesmo com partidas em casa pela frente, depender exclusivamente do fator local representa um risco para uma equipe que precisa somar pontos em diferentes cenários.
A tabela reserva quatro compromissos fora de Porto Alegre: Coritiba, Flamengo, Santos e Corinthians. O material disponível não informa as datas desses jogos, mas aponta que eles poderão ter peso importante na luta pela permanência na Série A. A sequência reúne partidas que exigirão do Grêmio uma postura mais competitiva longe de sua torcida.
O próximo desafio, por outro lado, será na Arena. O Grêmio enfrentará o Cruzeiro no domingo, dia 18, às 16h. A partida é tratada como uma oportunidade de interromper a sequência de empates e reduzir a pressão sobre o time na parte inferior da tabela.
Embora jogar em casa ofereça uma possibilidade de reação, o confronto também amplia a responsabilidade da equipe. O Grêmio precisa transformar o domínio territorial em chances de gol, aproximar Carlos Vinícius dos companheiros e encontrar maior participação de Krovinovic. Sem essa evolução, a vantagem de atuar diante da torcida pode não ser suficiente.
Renato precisa transformar ajustes em pontos
O momento exige respostas práticas do treinador. As conversas sobre posicionamento, a busca por um meia mais participativo e a necessidade de melhorar o rendimento fora de casa só terão impacto real se forem acompanhadas por resultados. A permanência na Série A depende de uma reação rápida, porque restam oito rodadas e o clube está na zona de rebaixamento.
O empate no clássico manteve o Grêmio vivo na disputa, mas não resolveu suas fragilidades. A equipe precisa produzir mais no ataque, criar com maior frequência e competir melhor como visitante. O jogo contra o Cruzeiro será o primeiro teste para verificar se as mudanças trabalhadas por Renato podem alterar o comportamento tricolor.
Enquanto isso, a comissão técnica terá de administrar a escassez de alternativas para o meio-campo e recuperar a confiança de um centroavante que não marca há seis partidas. O desafio é fazer o time funcionar como conjunto, em vez de depender de soluções individuais. A margem para novos tropeços diminuiu, e cada rodada passou a ter peso direto na luta contra a queda.