A derrota de virada para o Cruzeiro, no sábado (22), reforçou uma preocupação que já vinha aparecendo nos números do Flamengo: a equipe tem perdido consistência defensiva depois do intervalo. Sob o comando de Leonardo Jardim, o time conseguiu controlar o adversário na primeira etapa, mas sofreu uma mudança importante no andamento da partida no segundo tempo.
NOTAS DA TORCIDA
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2 × 1 Brasileirão Série A
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Votação encerradaConfira abaixo as médias finais da torcida.
Agustín RossiTitular
Média6,5
ArrascaetaTitular
Média9,0
Ayrton LucasTitular
Média6,5
DaniloTitular
Média7,5
Erick PulgarTitular
Média9,0
Guillermo VarelaTitular
Média7,5
Jorge CarrascalTitular
Média6,5
Léo OrtizTitular
Média7,5
Lucas PaquetáTitular
Média7,5
PedroTitular
Média7,5
Samuel LinoTitular
Média7,5
Bruno HenriqueEntrou durante o jogo
Média7,0
Evertton AraújoEntrou durante o jogo
Média6,5
Gonzalo PlataEntrou durante o jogo
Média6,5
JorginhoEntrou durante o jogo
Média7,5
Luiz AraújoEntrou durante o jogo
Média6,5
✓ Resultado final baseado em 32 voto(s) da torcida.
O comportamento observado no Mineirão não foi tratado como um episódio isolado. Desde a retomada do futebol brasileiro após o fim da Copa do Mundo, o Flamengo disputou oito partidas e sofreu sete gols. A média é de 0,9 gol por jogo. Nesse recorte, a equipe terminou apenas dois compromissos sem ser vazada e sofreu gols em seis partidas, o equivalente a 75% dos jogos.
Segundo tempo muda o jogo
Contra o Cruzeiro, a diferença entre os dois tempos apareceu de forma clara no volume ofensivo dos mineiros. O adversário finalizou sete vezes antes do intervalo, mas chegou a 17 tentativas na etapa final. Foram dez chutes a mais em apenas 45 minutos, enquanto o Flamengo encontrou dificuldades para recuperar o controle construído no início do confronto.
A queda não se resume à quantidade de gols sofridos. O Flamengo tem permitido mais ações ofensivas aos adversários ao longo das partidas. Nos oito jogos analisados, a equipe concedeu, em média, 13,1 finalizações por partida, com 3,1 delas na direção do gol. O levantamento aponta ainda um gol sofrido a cada 15 finalizações adversárias.
A distribuição temporal dos gols amplia o sinal de alerta. Dos sete gols sofridos no período, somente um aconteceu no primeiro tempo, entre os 16 e os 30 minutos. Os outros seis foram marcados depois do intervalo. O trecho mais delicado está logo no começo da etapa final: três gols saíram entre os minutos 46 e 60.
Um dos gols restantes aconteceu entre os 61 e os 75 minutos. Os outros dois foram marcados nos minutos finais das partidas. A concentração após o descanso indica uma dificuldade do time em manter, durante os 90 minutos, o nível de intensidade e organização apresentado em determinados momentos dos jogos.
Jardim divide responsabilidade defensiva
Depois da derrota para o Cruzeiro, Leonardo Jardim afirmou que o Flamengo precisa melhorar defensivamente, mas rejeitou a ideia de concentrar a responsabilidade apenas no goleiro ou nos jogadores da última linha. Para o treinador, o comportamento defensivo começa antes da finalização e depende da participação de toda a equipe.
Jardim citou situações em que o adversário conseguiu chegar ao chute após vencer duelos individuais ou encontrar espaço diante de uma pressão insuficiente. A avaliação do técnico é que o time poderia ter pressionado melhor em alguns lances e evitado dribles que antecederam as finalizações.
O treinador também destacou que o Flamengo tem conseguido limitar o número total de chutes dos adversários em determinados jogos. Na visão apresentada por Jardim, conceder poucas finalizações continua sendo um aspecto positivo do trabalho, mas a equipe precisa ser mais eficiente para impedir que essas oportunidades terminem em gol.
A análise do comandante ajuda a diferenciar dois problemas. Um deles está relacionado ao volume de ações permitidas ao adversário, especialmente no segundo tempo. O outro envolve a qualidade das conclusões sofridas e os erros cometidos antes que o chute aconteça. Os dados disponíveis apontam para a presença dos dois fatores no recorte recente.
Gols têm origens variadas
A origem das bolas na rede também não aponta para uma única falha. Dos sete gols sofridos pelo Flamengo nos oito jogos desde a retomada do futebol brasileiro, quatro foram marcados de dentro da área. Dois desses gols aconteceram em finalizações de cabeça. Os outros três saíram em chutes de fora da área.
O tipo de lance reforça a avaliação de que a vulnerabilidade não está limitada a uma jogada específica. A equipe sofreu gols em situações próximas ao gol, em bolas aéreas e também em conclusões de média ou longa distância. Isso torna o alerta mais amplo, porque envolve a proteção da área e o controle sobre os jogadores que conseguem finalizar de fora.
Seis dos sete gols foram marcados com a bola rolando. Apenas um teve origem em uma bola parada. O dado reduz o peso das jogadas de escanteio, faltas ou outras situações de bola parada como explicação principal para o período analisado. O problema aparece, principalmente, no funcionamento da equipe durante a partida.
O recorte recente inclui dois confrontos contra o Cruzeiro, um pela Libertadores e outro pelo Campeonato Brasileiro. Nos dois jogos, segundo a análise apresentada, o Flamengo mostrou intensidade, criatividade e controle no primeiro tempo. Depois do intervalo, porém, apresentou queda de rendimento e permitiu que o adversário ganhasse espaço.
Na partida mais recente, a virada mineira transformou em números uma impressão que já havia sido observada nos compromissos anteriores. O Cruzeiro passou a finalizar com maior frequência, enquanto o Flamengo deixou de exercer o mesmo domínio sobre o jogo. A mudança não criou o problema defensivo, mas tornou mais evidente uma tendência presente nas oito partidas do levantamento.
O início da segunda etapa aparece como a principal faixa de atenção para a comissão técnica. Três dos sete gols sofridos entre os minutos 46 e 60 mostram que o time tem enfrentado dificuldades justamente no período imediatamente posterior ao intervalo. A queda pode ser percebida tanto na quantidade de finalizações concedidas quanto na perda de controle territorial e nos duelos que antecedem os chutes.
Os números, isoladamente, não permitem apontar uma causa única para a sequência. Eles mostram, porém, uma combinação de fatores: frequência maior de gols sofridos, baixa quantidade de partidas sem ser vazado, concentração das bolas na rede no segundo tempo e concessão de oportunidades em diferentes tipos de jogada.
O desafio do Flamengo é voltar a sustentar sua organização ao longo de toda a partida. Para isso, a equipe precisa manter a pressão, reduzir os espaços nos duelos individuais e preservar o controle depois do intervalo. A orientação de Jardim envolve o sistema inteiro, não apenas a defesa posicionada diante do gol.
A derrota para o Cruzeiro, portanto, funciona como um retrato de uma dificuldade que já vinha sendo registrada. O Flamengo fez um primeiro tempo de controle, mas permitiu uma reação forte na etapa final. Com sete gols sofridos em oito jogos e seis deles depois do intervalo, a consistência defensiva passou a ser um dos principais pontos de atenção do time.