Jesse Lingard atravessa um período de baixa no Corinthians desde a chegada ao clube, em março. O atacante inglês começou a ganhar espaço sob o comando de Fernando Diniz, teve sua melhor sequência entre abril e maio, mas viu a trajetória mudar depois de enfrentar um problema familiar. O jogador precisou retornar à Inglaterra, perdeu o avô, descrito pelo treinador como uma figura paterna, e ainda lidou recentemente com uma lesão no tornozelo.
O momento delicado ocorre enquanto o Corinthians convive com limitações no setor ofensivo. Mesmo com poucas alternativas disponíveis para o ataque, Lingard aparece atualmente entre as últimas opções do banco de reservas. A avaliação interna citada na apuração é que o atleta ainda precisa recuperar força física para voltar a competir no nível apresentado no início de sua passagem pelo futebol brasileiro.
Lingard teve início promissor
Contratado em março, Lingard conseguiu participar de uma sequência como titular quando Diniz passou a utilizá-lo com maior frequência. Foi nesse período que o inglês apresentou seu melhor rendimento desde que chegou ao Corinthians. Ao todo, ele soma 25 partidas, dois gols e uma assistência pelo clube.
A participação mais constante ofereceu ao jogador a oportunidade de se adaptar ao time e de atuar com maior regularidade no ataque. O próprio Diniz afirmou que Lingard vinha evoluindo desde a chegada da comissão técnica e que seu melhor momento havia ocorrido depois de um mês de trabalho sob o comando do treinador.
A evolução foi interrompida pouco antes da Copa do Mundo. Lingard recebeu a notícia de que o avô estava doente e voltou às pressas para a Inglaterra. Depois, precisou se ausentar novamente para o funeral. A perda teve peso especial para o jogador, já que o familiar era considerado por ele como um avô-pai.
Luto alterou rotina do atacante
Após a morte do avô, relatos internos mencionados na apuração apontaram que o luto e o trauma contribuíram para a queda de ânimo de Lingard. O impacto não ficou restrito ao aspecto emocional. Com a interrupção da rotina, o atleta também passou a enfrentar dificuldades para recuperar o ritmo e a condição necessários para disputar espaço no elenco.
Depois da retomada do calendário, o atacante acumulou apenas 233 minutos em campo. Nesse intervalo, recebeu somente uma oportunidade como titular e não participou diretamente de nenhum gol do Corinthians. Os números ajudam a dimensionar a perda de protagonismo em relação ao período em que ele vinha sendo utilizado com maior frequência.
Diniz comentou a situação depois da derrota para o Coritiba. O treinador lembrou que Lingard havia crescido durante o trabalho da comissão técnica, marcado gols e dado assistência antes do problema familiar. Também explicou que o jogador precisou voltar à Inglaterra para o funeral e que, desde então, tentava retomar sua melhor condição.
Lesão aumentou afastamento
Além do período de luto, Lingard enfrentou um problema no tornozelo. A lesão o tirou da partida decisiva contra o Rosario Central, pelas oitavas de final da Libertadores. A ausência ocorreu em um compromisso importante para o Corinthians e ampliou o tempo sem sequência do atacante.
O retorno aconteceu na derrota por 2 a 1 para o Coritiba, pelo Campeonato Brasileiro. Lingard voltou a receber minutos, mas não conseguiu exercer influência significativa no desempenho ofensivo da equipe. A reaparição, portanto, ainda não representou uma mudança imediata na hierarquia do setor.
O cenário chama atenção porque o Corinthians também enfrenta problemas para montar o ataque. A equipe tem desfalques na frente, e o clube está impossibilitado de buscar reforços neste momento. Por isso, a recuperação de Lingard pode se transformar em uma alternativa relevante para Diniz, desde que o jogador consiga recuperar a condição física e a confiança.
Diniz mantém confiança em Lingard
Apesar da queda de participação, Fernando Diniz não descartou a possibilidade de o inglês voltar a apresentar o futebol do início de sua passagem. Depois do jogo contra o Coritiba, o técnico avaliou que Lingard havia contribuído um pouco mais em comparação com partidas anteriores e indicou que a comissão faria o possível para ajudá-lo.
Diniz também destacou a história construída pelo atacante no futebol. A manifestação mostra que, embora Lingard esteja distante de uma função central no elenco, o treinador ainda considera possível uma reação. A confiança, porém, precisará ser acompanhada por evolução física e por novas oportunidades dentro de campo.
O momento exige cuidado porque a disputa por espaço acontece em um elenco com opções reduzidas no ataque, mas também com um jogador que não conseguiu manter a sequência construída entre abril e maio. Para voltar a ser acionado com frequência, Lingard terá de recuperar força, ritmo e rendimento, fatores apontados como necessários para sua retomada.
Contrato aumenta pressão por reação
A fase final da temporada será importante também fora das quatro linhas. O contrato de Lingard com o Corinthians termina ao fim do ano. O vínculo prevê renovação automática caso determinadas metas sejam alcançadas, mas os critérios não foram detalhados no material disponível.
Com isso, os próximos meses podem definir mais do que a posição do atacante nas escolhas de Diniz. O período também será determinante para a continuidade de Lingard no Parque São Jorge. Uma recuperação esportiva poderia ampliar suas possibilidades de permanência, enquanto a manutenção do baixo aproveitamento deixaria o futuro do inglês dependente das condições previstas no acordo.
A situação reúne fatores esportivos e pessoais. O jogador teve uma interrupção provocada pelo luto, passou por uma lesão no tornozelo, perdeu minutos e deixou de participar de gols desde a retomada do calendário. Ao mesmo tempo, o Corinthians precisa de alternativas para o ataque e não pode buscar reforços neste momento.
Por isso, a resposta de Lingard será acompanhada dentro do clube. A vitória não é apresentada como consequência garantida, nem há indicação de que ele reassumirá imediatamente a titularidade. O que existe é a necessidade de recuperar o atleta e a expectativa de Diniz de que o inglês consiga voltar ao nível exibido quando recebeu sequência no time.
Aos 33 anos, Lingard enfrenta uma corrida contra o tempo para reconstruir seu espaço. A passagem pelo Corinthians ainda registra 25 partidas, dois gols e uma assistência, mas os números recentes mostram uma participação mais discreta. A combinação entre recuperação física, retomada emocional e aproveitamento das oportunidades será decisiva para a próxima etapa de sua trajetória no clube.