O Flamengo encerrou a janela de transferências do futebol brasileiro com um retrato diferente daquele projetado no início do período. O clube começou o mercado disposto a buscar um reforço de grande impacto, mas terminou priorizando jogadores jovens e com potencial de evolução. Joaquín Freitas, de 19 anos, e Anthony Valencia, de 23, foram os principais nomes dessa mudança de rota.
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Gonzalo PlataEntrou durante o jogo
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Guillermo VarelaEntrou durante o jogo
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Lucas PaquetáEntrou durante o jogo
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Luiz AraújoEntrou durante o jogo
Média6,0
PedroEntrou durante o jogo
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A estratégia adotada combina duas frentes do projeto rubro-negro. De um lado, a diretoria mostrou disposição para investir em atletas reconhecidos e capazes de assumir protagonismo imediato. De outro, retomou um modelo associado ao trabalho de José Boto, diretor de futebol, baseado na identificação de talentos que possam se valorizar e ocupar papel central no elenco no médio prazo.
Investimento alto não virou contratação de impacto
A expectativa por uma janela movimentada foi alimentada por declarações da direção. Em dezembro do ano passado, o presidente Bap afirmou que o Flamengo poderia gastar R$ 1 bilhão com reforços em 2026. O clube também havia realizado um investimento histórico no começo da temporada, com a contratação de Lucas Paquetá por R$ 315,669 milhões, considerando direitos federativos, luvas e intermediação.
O primeiro alvo de maior expressão foi Thiago Almada. O Flamengo avançou nas conversas com o Atlético de Madrid e chegou a enviar José Boto à Argentina em uma tentativa de viabilizar o acordo. O clube teria se disposto a investir 20 milhões de euros, cerca de R$ 118 milhões na cotação considerada na negociação.
O negócio, porém, não avançou. Almada optou por retornar ao River Plate, e o Flamengo deixou de contar com o meia para o restante da temporada. A outra frente de maior repercussão envolveu Luiz Henrique, atualmente no Zenit, da Rússia. As tratativas chegaram a evoluir, mas foram interrompidas após divergências sobre as condições da operação.
Em entrevista à ESPN, José Boto afirmou que Luiz Henrique não era uma prioridade inicial e que o Flamengo recebeu uma possibilidade de negócio apresentada por pessoas próximas ao jogador. Segundo o dirigente, as condições financeiras e o prazo de pagamento pareciam favoráveis, mas a conversa com o Zenit apresentou uma realidade diferente. A declaração foi reproduzida por Lance e também repercutida por outros veículos.
Freitas e Valencia representam a nova rota
Sem concluir as negociações por Almada e Luiz Henrique, o Flamengo direcionou os recursos para dois atletas mais jovens. Joaquín Freitas foi contratado junto ao River Plate por 7 milhões de dólares, aproximadamente R$ 36,4 milhões. Anthony Valencia chegou do Royal Antwerp por 5 milhões de euros, cerca de R$ 30 milhões. Somados, os negócios representam aproximadamente R$ 66,4 milhões nas cifras informadas.
O perfil das contratações ajuda a explicar a decisão do clube. Freitas ainda tem 19 anos, enquanto Valencia tem 23. Nenhum dos dois chega com a mesma pressão de um nome contratado para ser a principal estrela da equipe imediatamente. A expectativa é que possam contribuir no fim da temporada e, principalmente, alcançar um nível maior de protagonismo no futuro.
“O plano inicial era trazer um desses jogadores, mas era esse tipo de jogador, alguém jovem, com projeção para o futuro, que pudesse ajudar no fim da temporada, mas que seja protagonista daqui um ou dois anos”, disse Boto, em declaração reproduzida na apuração sobre o mercado rubro-negro.
A contratação de Valencia ganhou um componente adicional por causa da situação de Gonzalo Plata. O atacante equatoriano havia sido liberado para viajar à Rússia e concluir uma transferência para o Dínamo de Moscou, mas o clube russo alegou que ele não foi aprovado nos exames médicos. O Flamengo contestou essa avaliação, sustentou que Plata não tem problema médico e reintegrou o jogador ao elenco.
Com a permanência de Plata, Valencia deixou de ser apenas uma reposição para uma saída confirmada. A chegada passou a se encaixar mais claramente em um planejamento de médio prazo, ampliando as opções ofensivas e mantendo a aposta em um jogador observado pelo departamento de scout.
Saídas também alteraram o elenco
O Flamengo não terminou a janela apenas com novas peças. O período também foi marcado por movimentações importantes no elenco. Everton Cebolinha deixou o clube para defender o Santos, em uma saída que José Boto relacionou ao encerramento do ciclo do atacante no Ninho do Urubu.
Em entrevista à ESPN, o dirigente afirmou que Cebolinha havia recusado propostas de renovação e, por isso, passou a ser colocado à disposição para seguir a carreira em outro clube. Boto também disse que o Flamengo não criou impedimento para uma transferência dentro do futebol brasileiro, mas estabeleceu exigências específicas, entre elas uma cláusula que impeça o jogador de enfrentar o Rubro-Negro.
Outro movimento relevante foi a venda de Wallace Yan ao RB Bragantino por 6 milhões de euros, aproximadamente R$ 35,5 milhões. O atacante foi formado nas categorias de base do Flamengo. Ryan Roberto também deixou o clube, com transferência para o Shakhtar Donetsk por 9,5 milhões de euros fixos, cerca de R$ 56,31 milhões.
Matías Viña foi emprestado ao Cruzeiro até o fim da temporada. Lorran ainda apareceu entre os jogadores com possibilidade de saída, enquanto outros atletas das categorias de base também deixaram o elenco.
O resultado final mostra um Flamengo que não abandonou a ambição financeira, mas precisou adaptar o plano inicial às circunstâncias do mercado. O clube tentou contratar jogadores de impacto, não concluiu os acordos e recorreu ao modelo de prospecção ligado a José Boto. Freitas e Valencia, portanto, simbolizam menos uma redução da capacidade de investimento e mais a escolha por um projeto que combina reforços imediatos com desenvolvimento de talentos.