Éverson participou da classificação do Atlético-MG para a semifinal da Copa do Brasil em condições físicas que só foram detalhadas depois do clássico. O goleiro entrou em campo com uma fratura no pé esquerdo e recebeu bloqueios anestésicos antes da partida e no intervalo para controlar as dores. Mesmo sendo dúvida até os instantes finais, ele foi confirmado como titular pelo técnico Eduardo Domínguez e permaneceu em campo na vitória por 2 a 1 sobre o Cruzeiro, na Arena MRV.
A confirmação do problema foi feita por Rodrigo Lasmar, médico do Atlético-MG, após o segundo jogo das quartas de final, disputado na terça-feira (1º). A lesão havia ocorrido no confronto de ida, no Mineirão, encerrado com empate por 1 a 1. Nos minutos finais daquela partida, Éverson se envolveu em uma disputa com Bruno Rodrigues e sofreu uma pancada no pé esquerdo.
Na comunicação inicial, o clube classificou o caso como um trauma. A avaliação posterior, com exames, identificou a fratura. Lasmar explicou que a palavra usada na primeira informação descrevia o impacto sofrido pelo atleta, e não o diagnóstico definitivo. Conforme o médico, uma pancada poderia resultar em lesão ligamentar, problema de cartilagem ou fratura, sendo esta última a alteração constatada no goleiro.
O intervalo entre os dois jogos foi marcado por uma tentativa de controlar o quadro e verificar se Éverson teria condições de participar do duelo decisivo. O departamento médico submeteu o jogador a um tratamento intensivo nos dias que antecederam a partida. Na véspera, ele apresentou melhora e recebeu uma injeção anestésica antes de realizar uma atividade de treinamento.
O bloqueio teve uma dupla finalidade. Além de reduzir o desconforto, permitiu que os profissionais observassem como o pé reagiria ao esforço. A resposta foi considerada positiva, o que manteve a possibilidade de o goleiro ser utilizado contra o Cruzeiro. A avaliação, no entanto, não significava que a fratura estivesse recuperada ou que o jogador estivesse sem limitações.
As dores voltaram antes do início do clássico. Por esse motivo, o Atlético-MG repetiu o bloqueio anestésico antes de Éverson entrar em campo. O procedimento foi realizado novamente durante o intervalo, possibilitando que ele disputasse a segunda etapa e completasse a partida.
Lasmar afirmou que a escalação foi definida em uma conversa entre o goleiro, a comissão técnica e o departamento médico. A decisão levou em conta a importância esportiva do confronto: depois do empate no Mineirão, o Atlético precisava vencer em casa para avançar diretamente à semifinal da Copa do Brasil.
“Todos entendemos que era um momento para tomar essa decisão em conjunto com o jogador e com a comissão técnica”, declarou o médico após a classificação. Lasmar também elogiou o esforço de Éverson durante o duelo, mas deixou claro que a participação no jogo não representava autorização para que ele seguisse atuando normalmente.
Clube descarta cirurgia para tratar a fratura
Com a classificação confirmada, a conduta do Atlético-MG será diferente. Éverson precisará ser afastado das partidas para tratar o pé esquerdo, e o clube optou por um tratamento conservador. De acordo com Rodrigo Lasmar, não haverá necessidade de cirurgia.
“Agora ele vai precisar parar para tratar a fratura. Não tem cirurgia. É tratamento conservador”, afirmou o médico. A declaração confirma a interrupção da rotina competitiva do goleiro, mas não fixa uma data para o retorno. A evolução dependerá da resposta ao tratamento e das avaliações feitas pelo departamento médico ao longo da recuperação.
A escolha de utilizar Éverson no segundo clássico esteve ligada a uma circunstância específica: o Atlético-MG precisava definir a classificação em uma partida eliminatória. Depois da vaga assegurada, o clube ganhou margem para priorizar a recuperação do titular e evitar uma nova exposição do jogador enquanto a fratura ainda estiver em tratamento.
O caso também explica por que a escalação atleticana só foi confirmada perto do confronto. A comissão técnica aguardou a resposta do goleiro aos procedimentos e ao treinamento realizado após a melhora apresentada na véspera. A presença em campo foi, portanto, resultado de uma avaliação pontual, e não da liberação plena do atleta para a sequência da temporada.
Gabriel Delfim é a alternativa para o gol
Durante o afastamento de Éverson, Gabriel Delfim surge como opção do elenco para a posição. O goleiro já teve oportunidade na temporada e está à disposição da comissão técnica. Caberá a Eduardo Domínguez definir a formação da equipe nos próximos compromissos e administrar a ausência do titular.
A classificação atleticana foi construída depois de o Cruzeiro abrir o placar na Arena MRV. Victor Hugo marcou o gol de empate, e Fred fez o gol que garantiu a vitória por 2 a 1 e a passagem do Atlético-MG entre os quatro semifinalistas. Éverson participou de toda a decisão sob efeito dos bloqueios usados para conter as dores.
O resultado encerrou a disputa das quartas de final, mas abriu uma preocupação para a sequência atleticana na competição. A equipe terá de avançar na Copa do Brasil sem contar imediatamente com o goleiro que iniciou os dois clássicos. O retorno de Éverson será condicionado à recuperação da fratura, sem antecipação anunciada pelo clube.
Até que o titular esteja novamente apto, o Atlético-MG contará com Gabriel Delfim como alternativa para a meta. A prioridade definida pelo departamento médico é tratar a lesão de forma não cirúrgica e acompanhar a evolução clínica do jogador. O clássico decisivo foi disputado com Éverson em condição excepcional; a sequência, agora, será conduzida com a preservação do goleiro.