O São Paulo está fora da Copa Sul-Americana. O empate por 1 a 1 com o Boca Juniors, nesta terça-feira, no Morumbis, não foi suficiente para reverter a derrota por 1 a 0 sofrida na partida de ida, na Bombonera. A equipe precisava vencer por dois gols de diferença para avançar diretamente às semifinais ou por um gol para levar a decisão aos pênaltis.
O resultado encerrou a participação tricolor nas quartas de final e deixou o clube com apenas o Campeonato Brasileiro no calendário até o fim da temporada. A eliminação ocorreu diante de mais de 55 mil torcedores, público que estabeleceu o recorde do Morumbis em 2026, mas a pressão das arquibancadas não se transformou em desempenho suficiente dentro de campo.
Na entrevista coletiva após a partida, Dorival Júnior atribuiu a atuação abaixo do esperado ao estado emocional da equipe, especialmente durante a primeira etapa. Para o treinador, o excesso de tensão afetou a troca de passes, a posse de bola e a capacidade de criar jogadas no momento em que o São Paulo mais precisava controlar o confronto.
Erros técnicos impediram o São Paulo de pressionar
Dorival classificou o primeiro tempo como irreconhecível e assumiu a responsabilidade pelo desempenho coletivo. O técnico afirmou que a equipe perdeu a segurança habitual para circular a bola, oferecer opções aos companheiros e manter o adversário sob pressão. O São Paulo terminou os primeiros 45 minutos sem produzir a reação necessária para alterar a vantagem construída pelo Boca.
Durante a parada técnica, o treinador tentou reorganizar o comportamento do time. A orientação foi deixar os erros cometidos para trás, colocar a bola no chão e agir com mais tranquilidade. Também pediu que os jogadores se aproximassem e oferecessem alternativas para a saída de jogo. A mudança, contudo, não apareceu de maneira suficiente ainda antes do intervalo.
Na avaliação de Dorival, a sucessão de passes errados teve efeito direto na confiança dos jogadores. O São Paulo passou a impressão de estar distante do jogo, enquanto o Boca ganhou espaço para administrar a vantagem. O comandante ponderou que os argentinos não exerceram domínio absoluto nem criaram uma grande quantidade de oportunidades, mas aproveitaram a insegurança tricolor para dificultar a busca pelo resultado.
O treinador também destacou que a equipe desperdiçou praticamente toda a primeira etapa, período importante para um time que precisava atacar desde o início. A falta de posse e de criação reduziu a capacidade de pressionar a defesa argentina e fez o São Paulo chegar à segunda metade da partida ainda dependente de uma reação rápida.
Gol do Boca aumenta dificuldade no Morumbis
O cenário se complicou aos 14 minutos do segundo tempo. Após uma desatenção da defesa são-paulina, Lozano recebeu em condição de finalizar diante de Rafael e abriu o placar para o Boca Juniors. O gol obrigou o time brasileiro a marcar duas vezes para evitar a eliminação no tempo normal, aumentando a urgência e os espaços entre os setores.
O São Paulo chegou a balançar as redes aos 22 minutos. Djhordney finalizou da entrada da área, a bola desviou na defesa argentina e ficou com Luciano. O camisa 10 cruzou para Ryan Francisco completar, mas o lance foi anulado por impedimento. A decisão foi revisada e confirmada pelo árbitro de vídeo.
Dorival contestou a marcação. O técnico afirmou que tinha dúvidas sobre a irregularidade apontada e considerou que o lance poderia ter mudado o rumo da partida. Como o gol não foi validado, o São Paulo precisou continuar a busca pela reação em desvantagem, com menos tempo para construir as jogadas necessárias.
O empate veio mais tarde, em um gol de cabeça de Domingos Duarte, segundo os relatos sobre a partida. A igualdade devolveu ao time a possibilidade de buscar a classificação nos minutos finais, mas não houve tempo suficiente para marcar o segundo gol e levar a decisão para os pênaltis. O Boca sustentou o resultado e avançou à semifinal.
Treinador mantém defesa da estratégia no clássico
Antes do duelo decisivo, o São Paulo havia poupado os titulares na derrota por 2 a 0 para o Palmeiras. A decisão foi tomada em razão da sequência de partidas e do curto período de recuperação entre os compromissos. O clássico foi disputado em campo sintético, condição que, segundo Dorival, aumentou o desgaste físico percebido pelo elenco.
O treinador afirmou que não se arrepende da escolha e que repetiria a estratégia se enfrentasse novamente a mesma situação. Para ele, preservar os principais jogadores era uma obrigação para equilibrar as condições físicas no confronto com o Boca. Dorival também observou que o clube argentino adotou iniciativa semelhante antes do jogo de volta.
Na visão do comandante, a eliminação não pode ser atribuída à escalação utilizada contra o Palmeiras. O problema esteve na atuação apresentada no Morumbis, principalmente na incapacidade de controlar a ansiedade e executar o plano de jogo durante o primeiro tempo. A avaliação é de que o intervalo de recuperação exigia a preservação do grupo principal.
Brasileirão é a única frente restante
Com a saída da Sul-Americana, o São Paulo não tem mais possibilidade de disputar um título na temporada por meio de uma competição continental. A equipe agora terá de concentrar seus esforços no Campeonato Brasileiro, torneio que passou a ser a única frente competitiva do clube até o encerramento do ano.
O próximo compromisso será contra o Internacional, no sábado, dia 19, às 21h, no Morumbis, pela 28ª rodada. A partida marcará o retorno do São Paulo ao campeonato nacional após a eliminação e exigirá uma resposta esportiva em curto prazo. Dorival afirmou que o elenco precisa direcionar a concentração para a competição e evitar novos tropeços na reta final.
A preparação para o duelo começa sob o impacto de uma eliminação em casa, mas também com uma definição clara de calendário. Sem a Sul-Americana, o Brasileirão se torna o caminho restante para o São Paulo buscar uma campanha de maior relevância e oferecer uma resposta ao torcedor que lotou o estádio na tentativa de empurrar a equipe contra o Boca Juniors.