A permanência de Dorival no São Paulo até 2027 depende da próxima gestão e seu planejamento.Foto: Reprodução da Internet
O São Paulo já começa a discutir os caminhos para 2027, mas uma das principais decisões do planejamento ainda está em aberto. Dorival Júnior deseja continuar no comando da equipe, enquanto prepara uma estratégia baseada na formação de jogadores em Cotia. A permanência, contudo, dependerá da próxima administração do clube e do projeto esportivo que será escolhido após as eleições previstas para dezembro.
O treinador tem contrato somente até o fim de 2026 e, apesar de considerar a continuidade no Morumbis, evita tratar o tema como definido. A futura diretoria terá autonomia para decidir se mantém a comissão técnica ou se inicia um novo ciclo no futebol profissional. Por isso, as conversas sobre renovação ainda não avançaram para uma conclusão oficial.
Em meio à indefinição, Dorival trabalha para deixar uma estrutura que possa ser aproveitada independentemente de sua permanência. O técnico afirmou que pretende entregar um trabalho organizado e que o planejamento não deve depender exclusivamente da comissão atual. A ideia é preparar o elenco para que a transição, caso ocorra, não interrompa o desenvolvimento dos jovens.
Plano prevê integração entre profissional e base
Atualmente, 11 jogadores de até 20 anos estão integrados ao elenco profissional: João Pedro, Igor Felisberto, Osorio, Isac, Nicolas, Djhordney, Pedro Ferreira, Tetê, Ryan Francisco, Gustavo Santana e Lucca. A presença no grupo principal, porém, não significa que todos receberão oportunidades imediatas em partidas oficiais.
A estratégia de Dorival é combinar treinamentos com os profissionais e participação em jogos do sub-20. Dessa forma, os atletas permanecem em atividade e ganham experiência gradualmente, sem serem lançados antes de estarem preparados para as exigências do futebol profissional. O treinador entende que a adaptação precisa ocorrer com cautela, especialmente em um momento de pressão por resultados.
O planejamento é semelhante ao que o técnico apresentou ao recordar a trajetória de Rodrigo Nestor. O meio-campista foi alvo de críticas durante a temporada de 2023, mas permaneceu no processo e acabou marcando o gol do título da Copa do Brasil contra o Flamengo. Naquele elenco campeão, cinco jogadores formados nas categorias de base faziam parte do grupo.
Para Dorival, o caso de Nestor mostra que a evolução de um atleta nem sempre acontece de maneira imediata. A comissão técnica pode precisar proteger o jogador, oferecer minutos de forma progressiva e aceitar períodos de oscilação até que ele consiga responder em alto nível. Essa é a lógica aplicada aos jovens que hoje treinam com o time principal.
Jovens têm situações diferentes no elenco
Entre os jogadores observados, Djhordney é um dos que receberam mais espaço recentemente. O meio-campista foi titular contra o Vitória, mas não enfrentou o Vasco por suspensão. Sua utilização na sequência dependeria de uma nova avaliação da comissão técnica e da disputa por posição dentro do elenco.
Osorio vive um processo diferente. O zagueiro foi expulso no clássico contra o Palmeiras e, depois disso, voltou a atuar em partidas do sub-20 antes de reaparecer no time profissional, nos minutos finais da vitória sobre o Vasco. A condução indica uma tentativa de reconstruir sua confiança sem submetê-lo imediatamente a uma sequência de alta pressão.
O método também ajuda a explicar por que a integração não deve ser confundida com uma promessa de escalação. Os jovens participam do ambiente profissional, mas continuam submetidos a etapas de preparação e avaliação. A comissão técnica considera o momento de cada atleta antes de definir quando ele poderá ser utilizado em jogos do Campeonato Brasileiro.
Eleição será decisiva para o futuro
A eleição presidencial do São Paulo, prevista para dezembro, terá impacto direto na definição do futebol para o próximo triênio. Além da comissão técnica, a nova gestão precisará estabelecer prioridades para o elenco, as finanças e o departamento de futebol. Nesse cenário, o desejo pessoal de Dorival não é suficiente para garantir a renovação.
O treinador chegou ao clube em maio de 2026, após a saída de Roger Machado, para sua terceira passagem pelo São Paulo. A experiência anterior foi marcada pela conquista da Copa do Brasil de 2023. No retorno, porém, encontrou dificuldades esportivas: até o início de outubro, acumulava cinco vitórias, seis empates e oito derrotas em 19 partidas, com aproveitamento de 36,8%, segundo levantamento citado na apuração.
O time também foi eliminado da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana, enquanto alternou resultados no Brasileirão. A vitória por 1 a 0 sobre o Vasco, com gol de Artur, representou uma reação importante e levou o São Paulo aos 42 pontos e à oitava colocação naquele momento. A recuperação na reta final pode influenciar a avaliação do trabalho, embora a decisão final continue vinculada à futura diretoria.
O cenário político ainda acrescenta uma condição ao debate. Marcelinho Portugal Gouvêa, candidato à presidência, defendeu um modelo com maior participação da base e contratações pontuais, em razão das limitações financeiras do clube. Para ele, Dorival só teria espaço caso se adaptasse a uma proposta que priorize os atletas formados em Cotia e evite uma reformulação ampla do elenco.
A declaração não representa uma definição institucional do São Paulo, mas expõe uma das exigências que podem pesar na análise da continuidade. Segundo Marcelinho, o clube não teria condições de contratar seis ou sete jogadores por janela e deveria buscar, no máximo, reforços considerados necessários, combinando essas chegadas com o aproveitamento dos jovens.
Enquanto a eleição não acontece, Dorival concentra o trabalho na reta final do Campeonato Brasileiro e na tentativa de consolidar a reação da equipe. Ao mesmo tempo, o treinador mantém o plano de preparar os jogadores de Cotia para janeiro de 2027. A permanência ainda depende da nova gestão, mas o processo de formação já aparece como um dos principais legados que ele pretende deixar no clube.
O tema se conecta ao debate sobre a continuidade do treinador no São Paulo, já abordado em Dorival sinaliza desejo de ficar, mas São Paulo espera eleição. A definição, no entanto, só deverá ganhar forma depois do pleito e das primeiras decisões da administração eleita.