O São Paulo sofre mais uma vez com falhas em bolas aéreas, impactando negativamente sua campanha no campeonato.Foto: Reprodução da Internet
A derrota por 3 a 2 para o Bahia, na quarta-feira (28), expôs novamente uma fragilidade que o São Paulo ainda não conseguiu eliminar no Campeonato Brasileiro. Após o jogo na Arena Fonte Nova, pela 33ª rodada, Dorival Júnior afirmou que o resultado não foi consequência de um problema tático, mas de falhas coletivas de atenção, concentração e preparação nos lances defensivos.
Na avaliação do treinador, a equipe apresentou bons momentos com a bola. O São Paulo finalizou bem durante o primeiro tempo e iniciou a etapa final de maneira positiva. Por isso, Dorival afastou a hipótese de que a estratégia tenha sido o principal motivo da derrota e direcionou a cobrança para a execução dos jogadores nas bolas aéreas.
“(Problema) tático não é, porque nós finalizamos muito bem o primeiro tempo e iniciamos muito bem o segundo. Então, não é parte tática. Isso daí é nível de atenção, é nível de concentração, é preparação”, declarou o técnico na entrevista coletiva.
Bolas aéreas voltam a decidir contra o São Paulo
Os três gols do Bahia foram construídos em jogadas aéreas, segundo o relato da partida e a avaliação feita após o apito final. O time paulista sofreu duas vezes nos dez minutos iniciais, conseguiu reagir ainda antes do intervalo, mas voltou a ser vazado pelo alto no segundo tempo, quando o confronto parecia novamente equilibrado.
Dorival reconheceu que o fundamento vinha sendo trabalhado nos treinamentos. A preparação, porém, não foi suficiente para impedir a repetição do problema em Salvador. A cobrança do treinador não se limitou à marcação de um jogador específico: ele classificou os erros como coletivos e afirmou que o elenco tem a obrigação de corrigi-los.
“Isso daí é um erro nosso, é um erro coletivo e nós temos a obrigação de corrigir isso. Isso nos tirou pontos importantíssimos ao longo de toda a competição. Bolas paradas nos minaram em várias partidas. E, mais uma vez, voltou a acontecer no dia de hoje”, afirmou.
A fala indica que, para a comissão técnica, o episódio não deve ser tratado como um acidente isolado. O São Paulo tem sido prejudicado em diferentes partidas por falhas em bolas paradas, e a repetição transforma o fundamento em uma questão prioritária para a reta final do campeonato. A equipe terá de ajustar tanto a concentração antes das cobranças quanto a disputa pelo alto dentro da área.
Tricolor reagiu, mas não sustentou o empate
O Bahia aproveitou o início instável do visitante e abriu vantagem com gols de Rodrigo Nestor e Erick Pulga. A desvantagem de dois gols não encerrou a reação são-paulina. Lucas Moura marcou aos 42 minutos do primeiro tempo, e Bobadilla empatou aos 49, já nos acréscimos da etapa inicial.
A igualdade mudou o cenário do jogo e permitiu ao São Paulo retornar para o segundo tempo ainda com possibilidade de buscar a virada. Dorival valorizou a entrega dos jogadores, especialmente pela capacidade de recuperar uma diferença que havia sido construída rapidamente pelo adversário.
O empate, no entanto, não foi preservado. Aos 35 minutos da etapa final, Marcos Victor marcou de cabeça e recolocou o Bahia em vantagem. O gol definiu o placar e confirmou a dificuldade do São Paulo para controlar a área em lances pelo alto. A equipe teve reação ofensiva, mas não conseguiu transformar a recuperação em ponto fora de casa.
O contraste da atuação ficou evidente no resultado: o Tricolor marcou duas vezes depois de sair perdendo por 2 a 0, mas sofreu três gols em situações aéreas. Para Dorival, a disposição apresentada pelo elenco não elimina a necessidade de corrigir os detalhes que determinam partidas equilibradas.
Resultado pesa na disputa por vaga continental
Com a derrota, o São Paulo permaneceu com 43 pontos e caiu para a décima colocação. O Red Bull Bragantino ultrapassou o clube na tabela, enquanto o Tricolor continuou envolvido na disputa por uma vaga na Copa Sul-Americana da próxima temporada, conforme o cenário apresentado após a rodada.
A perda em Salvador não encerra a briga, mas reduz a margem para novos tropeços nas rodadas restantes. O São Paulo deixou de pontuar mesmo depois de buscar o empate e, por isso, passa a depender de uma sequência mais consistente para recuperar espaço entre os concorrentes. A correção defensiva ganha peso não apenas pelo desempenho, mas também pelo impacto direto na classificação.
O problema também exige atenção porque apareceu em uma partida na qual a equipe conseguiu produzir ofensivamente. A cobrança de Dorival, portanto, está ligada à necessidade de aproveitar melhor atuações em que o time cria chances e demonstra capacidade de reação. Evitar que bolas paradas comprometam esse tipo de desempenho se tornou uma tarefa imediata.
Clássico na Vila Belmiro será o próximo teste
O São Paulo volta a campo na quarta-feira (4), contra o Corinthians, pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro. O Majestoso será disputado às 21h30, na Vila Belmiro, em Santos. O mando em outro estádio ocorre porque o Morumbis estará indisponível em razão de shows da banda BTS.
O clássico será a primeira oportunidade para o time responder à cobrança feita depois da derrota. Até o confronto, a comissão técnica deverá concentrar o trabalho na organização defensiva, sobretudo na proteção da área e na marcação de bolas paradas. A partida também terá importância para a campanha, já que o São Paulo precisa voltar a somar pontos para permanecer na corrida pelas vagas continentais.
A comissão não indicou, no material disponível, uma mudança tática específica para o duelo. O diagnóstico apresentado por Dorival foi outro: o time precisa elevar o nível de atenção e concentração. A resposta contra o Corinthians dependerá, portanto, da capacidade de transformar a autocrítica após o jogo em comportamento mais seguro nos lances defensivos.