O Atlético-MG deixou a Vila Belmiro em situação delicada nas quartas de final da Conmebol Sul-Americana. No jogo de ida, disputado na noite desta quarta-feira, a equipe foi derrotada pelo Santos por 2 a 0 e agora precisará construir uma reação na Arena MRV, no confronto de volta, para continuar na competição.
A desvantagem impõe uma conta clara ao time mineiro. Uma vitória por três ou mais gols de diferença garante a classificação atleticana no tempo regulamentar. Caso o triunfo seja por dois gols, a vaga será decidida nos pênaltis. O Santos avança com qualquer empate, vitória ou derrota por até um gol.
O técnico Eduardo Domínguez dividiu a atuação do Atlético-MG em dois momentos. Na avaliação do treinador, a equipe conseguiu equilibrar o duelo durante o primeiro tempo e limitou as ações ofensivas do adversário. Os principais perigos, segundo o argentino, apareceram em jogadas de bola parada.
Apesar do controle relativo, o Atlético-MG também passou perto de sofrer no fim da etapa inicial. Domínguez citou uma oportunidade criada pelo Santos na última jogada antes do intervalo e reconheceu que o time mineiro não poderia ter permitido aquele lance.
O panorama se alterou depois do intervalo. O Santos retornou com postura mais agressiva, pressionou a construção atleticana e passou a recuperar a bola em zonas mais avançadas do campo. Sem conseguir escapar da marcação, o Atlético-MG encontrou dificuldades para iniciar os ataques e ficou mais distante da área santista.
Para Domínguez, os problemas não foram novidade. O treinador afirmou que a equipe repetiu erros apresentados em uma partida anterior, principalmente na tentativa de sair jogando sob pressão. A dificuldade para superar a primeira linha de marcação impediu que o Atlético-MG desenvolvesse a saída planejada.
“Fizemos os mesmos erros que tínhamos cometido na partida passada. Na saída com a bola, tentamos sair, tínhamos que saltar a pressão deles e parece que fechamos a cabeça ali e não pudemos sair”, explicou o técnico após o confronto.
A pressão santista teve efeito direto no controle da partida. O Atlético-MG não conseguiu manter a posse por períodos longos, tampouco encontrou regularidade para avançar pelos setores ofensivos. Com isso, o Santos passou a criar mais situações e transformou a superioridade do segundo tempo em vantagem no placar.
O treinador também reconheceu que o ataque atleticanista produziu pouco na etapa final. A equipe não encontrou soluções para diminuir a diferença e terminou o jogo sem conseguir ameaçar o gol adversário com a frequência necessária para mudar o resultado.
Defesa evita prejuízo ainda maior
Mesmo com os dois gols sofridos, Domínguez avaliou que o sistema defensivo teve participação importante para manter o Atlético-MG vivo no confronto. Na visão do técnico, o Santos dispôs de condições para ampliar a vantagem, mas não conseguiu transformar todas as oportunidades em gols.
“Graças à defesa, que na segunda etapa teve um grande rendimento, deixaram-nos com vida, porque poderíamos perder por muito mais gols. E nós quase não criamos nada, quase nada”, declarou o argentino.
A avaliação estabelece um contraste importante para o jogo de volta. O Atlético-MG precisará adotar uma postura ofensiva desde o início, já que somente uma vitória ampla coloca a equipe diretamente nas semifinais. Ao mesmo tempo, terá de evitar os espaços que permitiram ao Santos controlar o segundo tempo na Vila Belmiro.
O resultado também aumenta o peso da preparação durante o intervalo entre os dois jogos. A comissão técnica deverá trabalhar especialmente a saída de bola e a resposta à pressão adversária, pontos que Domínguez identificou como determinantes para a queda de rendimento após o intervalo.
Arena MRV será palco da decisão
O segundo duelo será disputado na próxima semana, na Arena MRV, com a presença da torcida atleticana. O mando de campo oferece ao Atlético-MG a possibilidade de conduzir a partida em um ambiente favorável, mas o apoio nas arquibancadas precisará ser acompanhado por eficiência para transformar o volume de jogo em gols.
Domínguez evitou considerar a série encerrada e pediu tranquilidade ao elenco para analisar o que ocorreu em Santos. Para o técnico, a equipe precisa compreender os erros da etapa final antes de definir a estratégia para a partida decisiva.
“Temos que ter tranquilidade agora, saber por que aconteceu isso no segundo tempo. Mas deixaram o Galo com vida. Agora não se define nada. Se define na semana que vem, em nossa casa, com o nosso torcedor”, afirmou.
O Atlético-MG, portanto, chega ao jogo de volta com margem de erro mínima. A classificação no tempo regulamentar exige uma diferença de pelo menos três gols, enquanto um triunfo por dois leva a disputa para as penalidades. Ao Santos, cabe administrar a vantagem construída na Vila Belmiro para alcançar as semifinais da Sul-Americana.