Fernando Diniz continuará no comando do Corinthians, apesar da derrota por 3 a 1 para o Fluminense, neste domingo, na Neo Química Arena. A decisão foi comunicada pelo executivo de futebol Marcelo Paz após a partida e recebeu o aval do presidente Osmar Stabile. O treinador estava pressionado pela sequência de resultados, mas a diretoria decidiu preservar o trabalho da comissão técnica.
O revés diante do Fluminense representou o sétimo jogo consecutivo do Corinthians sem vitória em todas as competições. No Campeonato Brasileiro, a série é ainda mais incômoda: são seis derrotas seguidas. O momento provocou queda na tabela, aumentou as cobranças sobre Diniz e deixou evidente a insatisfação dos torcedores presentes na Arena após o apito final.
Mesmo diante desse cenário, Paz afirmou que a direção não pretende alimentar especulações sobre uma troca imediata. A permanência foi definida em conjunto com a presidência, e o executivo explicou que a escolha tem como base a confiança no trabalho desenvolvido pelo treinador. Para a diretoria, a prioridade é interromper a sequência negativa com a estrutura atual, e não iniciar uma mudança no comando.
Elenco manifesta apoio ao treinador
De acordo com Marcelo Paz, jogadores do Corinthians procuraram espontaneamente a direção para defender a continuidade de Diniz. O grupo teria afirmado que confia no trabalho da comissão técnica e que pretende reagir unido aos resultados recentes. O dirigente disse que a decisão foi “validada pelos jogadores” e que o elenco assumiu parte da responsabilidade pelo momento atravessado pelo clube.
Gustavo Henrique também abordou o assunto na zona mista e falou em nome do grupo. A manifestação ocorreu depois de uma partida que terminou com protestos e críticas ao time. A diretoria, portanto, tenta sustentar uma frente comum entre comando, jogadores e departamento de futebol para evitar que a crise esportiva se transforme em uma ruptura interna.
“A decisão é de continuidade, de acreditar no trabalho”, afirmou Paz. O executivo pediu desculpas aos torcedores pela sequência negativa e reconheceu a dificuldade do período. Ao mesmo tempo, indicou que o objetivo é colocar o Corinthians em uma posição melhor no Brasileiro e voltar a vencer o quanto antes.
A pressão sobre Diniz não se limita ao campeonato nacional. A eliminação do Corinthians nas quartas de final da Copa Libertadores também ampliou o desgaste em torno do treinador. Com a equipe sem resposta nos resultados mais recentes e a torcida impaciente, a diretoria terá de transformar o respaldo público em recuperação dentro de campo.
Diniz defende desempenho nos últimos jogos
Na entrevista coletiva, Diniz contestou a avaliação de que o Corinthians tenha apresentado atuações tão ruins quanto sugerem os placares. O técnico reconheceu que a vitória é o objetivo central, mas argumentou que a equipe criou oportunidades suficientes para obter resultados melhores em partidas recentes.
Contra o Fluminense, o treinador afirmou que o Corinthians poderia ter marcado dois ou três gols nos dez minutos iniciais. Na avaliação dele, a equipe começou melhor e não aproveitou as chances construídas. Diniz também considerou que seu time foi superior em parte do primeiro tempo e avaliou que a etapa poderia ter terminado empatada por 1 a 1 caso um pênalti tivesse sido marcado.
O comandante ainda disse que o Corinthians fez um segundo tempo competitivo até sofrer o segundo gol. Depois do lance, porém, a sequência de derrotas teria pesado emocionalmente sobre os jogadores. Diniz reconheceu que esse contexto alterou o comportamento da equipe e facilitou a perda de controle do confronto.
“Os resultados não correspondem às performances do time”, declarou o técnico. Ele também comparou os períodos de sua passagem pelo clube: segundo Diniz, o início do trabalho ficou muito acima da média esperada, enquanto os últimos 40 dias foram muito abaixo do desempenho apresentado anteriormente.
A defesa da metodologia foi acompanhada de uma cobrança do próprio treinador por eficiência. Embora tenha destacado a criação de oportunidades e alguns momentos de superioridade, Diniz admitiu que o Corinthians precisa voltar a vencer. A manutenção no cargo não elimina, portanto, a necessidade de uma resposta imediata no campeonato.
Memphis e o planejamento para a retomada
Uma das escolhas questionadas após a derrota foi o posicionamento de Memphis Depay como centroavante. Diniz explicou que o atacante exerce a função de camisa 9 pela seleção dos Países Baixos. A comissão também levou em consideração a condição física do jogador quando ele voltou a atuar, em um período no qual Memphis ainda não suportava o mesmo nível de exigência.
Segundo o treinador, o atleta foi recuperando a forma ao longo dos compromissos. Por isso, a utilização centralizada foi considerada uma alternativa adequada naquele momento, embora Diniz tenha reconhecido que essa não é a posição ideal para Memphis. A explicação mostra que a comissão relacionou a escolha tática ao processo físico do atacante, e não apenas a uma preferência de escalação.
O intervalo até o próximo compromisso permitirá ao Corinthians trabalhar ajustes e contar com o retorno de jogadores. Marcelo Paz citou a volta de Yuri depois da parada e a reintegração de André ao grupo como fatores que podem fortalecer o elenco. As fontes não detalham as condições desses atletas, mas a diretoria espera ter mais opções para a sequência do Brasileiro.
O Corinthians voltará a campo contra o Internacional, no Beira-Rio, em Porto Alegre, no dia 7 de outubro, às 19h30. Depois, enfrentará o Palmeiras no dia 11, às 17h30. Os dois jogos serão os primeiros desafios da equipe após a decisão de manter Diniz e devem medir se o período sem partidas ajudou a corrigir problemas técnicos e a recuperar a confiança do grupo.
A escolha da diretoria está tomada, mas permanece condicionada à resposta esportiva. O elenco declarou apoio ao treinador, enquanto Diniz defende que o desempenho não correspondeu aos resultados. Para reduzir a pressão, o Corinthians precisará converter as oportunidades destacadas pelo técnico em gols e interromper a série de derrotas já na retomada do campeonato.