Corinthians busca alternativas para contornar veto da Conmebol à licença de Clarence Seedorf.Foto: Reprodução da Internet
O Corinthians montou alternativas para evitar que a negativa da Conmebol à licença de Clarence Seedorf interfira no trabalho da comissão técnica em competições continentais. O clube pretende reforçar o pedido de revisão por meio da CBF, mas também considera medidas de contingência caso a entidade sul-americana mantenha o veto.
As opções avaliadas são a inscrição de Seedorf em um curso da CBF Academy ou o registro do holandês como auxiliar técnico nas súmulas. Nenhuma delas, porém, é tratada como solução ideal. O treinador entende que as medidas não refletem sua função atual e só admite aceitá-las em último caso, para preservar o planejamento esportivo do Corinthians.
A informação sobre a resistência às alternativas foi publicada pelo UOL e reproduzida pelo SouTimão.com.br. O incômodo se concentra tanto na necessidade de uma nova formação quanto na possibilidade de o técnico aparecer oficialmente em uma posição abaixo daquela que exerce no clube.
O que levou à negativa da Conmebol
A confederação sul-americana recusou o pedido de homologação da licença de Seedorf apresentado pela CBF. O principal ponto considerado foi o tempo de experiência do holandês como treinador principal: segundo o material apurado, foram contabilizados cerca de 27 meses, enquanto o regulamento exige 36 meses, ou três anos.
O Corinthians discorda da interpretação. Em comunicado, o clube afirmou que Seedorf possui currículo e condições para cumprir os critérios exigidos e informou que enviaria novos documentos à CBF para reforçar o histórico profissional do treinador. A intenção é que a entidade brasileira solicite uma nova análise à Conmebol.
O caso envolve a diferença entre a certificação acadêmica do profissional e o período de atuação considerado pela confederação. Seedorf tem a Licença UEFA Pro, apontada como o nível máximo de formação europeia para treinadores. Ainda assim, a Conmebol entendeu que a experiência prática acumulada por ele não atingiu o mínimo previsto.
O holandês também tem envolvimento com a formação de treinadores na Europa, segundo a apuração divulgada. Para ele, esse histórico, somado à licença obtida no continente, torna desnecessária a realização de uma capacitação teórica adicional no Brasil. A exigência de matrícula na CBF Academy, portanto, é vista como inadequada ao seu currículo.
Registro como auxiliar é alternativa de emergência
A outra possibilidade estudada pelo Corinthians é registrar Seedorf como auxiliar técnico nas súmulas. Essa saída poderia atender à necessidade administrativa de regularizar sua presença em torneios continentais, mas criaria uma diferença entre o cargo exercido no dia a dia e a função informada oficialmente.
O treinador considera que o registro representaria um desprestígio e não corresponderia à hierarquia que ocupa dentro da comissão técnica. A diretoria, por sua vez, avalia a medida como uma saída emergencial para evitar prejuízos ao clube caso a revisão não seja aceita.
De acordo com a apuração, Seedorf não descartou a alternativa de forma absoluta. O profissional sinalizou que poderá concordar com a solução se ela for indispensável para manter o Corinthians regularizado. A adoção, contudo, dependerá do resultado da contestação e não foi confirmada pelo clube.
O episódio já foi abordado pelo FutNet News em uma análise sobre os critérios usados nas licenças de treinadores. A discussão não se limita ao caso individual do holandês: envolve também a forma como a experiência profissional é contabilizada quando o técnico possui certificação obtida fora da América do Sul.
Processo ainda está em andamento
Apesar da decisão da Conmebol, o Corinthians informou que o processo de homologação permanece em trâmite. O nome de Seedorf já foi publicado no Boletim Informativo Diário da CBF, e o técnico segue normalmente à frente das atividades da equipe enquanto o clube busca uma solução administrativa.
Essa condição permite que o treinador continue trabalhando no cotidiano do time neste momento, mas não elimina a necessidade de resolver a pendência para as competições continentais. Por isso, a diretoria atua em duas frentes: tenta demonstrar que o currículo de Seedorf atende aos requisitos e, paralelamente, prepara opções caso a decisão não seja alterada.
O Corinthians já comunicou que encaminharia novos documentos à CBF para sustentar o pedido de revisão. A entidade brasileira é responsável por levar a solicitação à Conmebol, que terá de reavaliar o material apresentado. Até agora, não há confirmação de que a confederação tenha modificado seu entendimento.
A estratégia também busca impedir que a questão burocrática afete a continuidade do trabalho de Seedorf. O técnico recebeu respaldo interno no clube, segundo relato do colunista Samir Carvalho, do Canal UOL, após uma coletiva recente. Dirigentes, profissionais do centro de treinamento e jogadores teriam aprovado a postura do treinador naquele episódio, embora essa manifestação esteja relacionada ao ambiente interno e não represente uma mudança na decisão sobre a licença.
Impacto imediato no planejamento
A pendência ocorre em um período de pressão esportiva para o Corinthians. Após vencer o Mirassol por 2 a 0 e encerrar um jejum de dez partidas sem vitória no Campeonato Brasileiro, a equipe ainda permanecia na zona de rebaixamento, em 17º lugar, com 36 pontos, de acordo com as informações divulgadas pela Gazeta Esportiva.
O resultado reduziu a distância para Grêmio e Mirassol, que apareciam logo acima da zona de descenso, mas não resolveu a situação do time. Nesse cenário, a diretoria considera importante preservar a continuidade do comando e evitar que a discussão sobre a licença se transforme em um obstáculo adicional ao trabalho da comissão técnica.
O compromisso contra o São Paulo, citado nas informações sobre o caso, serve como exemplo da situação imediata: Seedorf continuava à frente dos trabalhos, enquanto a documentação era analisada. A partida, porém, não altera o centro da questão, que permanece sendo a regularização do treinador perante a Conmebol.
Por enquanto, o clube não confirmou a matrícula na CBF Academy nem o registro do holandês como auxiliar. As duas medidas são tratadas como planos de contingência. O próximo passo formal é reunir documentos, encaminhá-los à CBF e tentar convencer a confederação a rever a contagem de experiência profissional de Seedorf.
Se a revisão for aceita, o Corinthians poderá manter o treinador na função para a qual foi contratado, sem recorrer às alternativas que geram resistência. Caso a negativa seja mantida, a diretoria terá de decidir se utilizará uma das saídas administrativas. O material disponível não indica prazo para uma nova resposta da Conmebol nem confirma qual medida será adotada.