Negativa da Conmebol à licença de Seedorf obriga Corinthians a buscar uma nova solução para o treinador.Foto: Reprodução da Internet
A decisão da Conmebol de não validar a licença pró da Uefa apresentada por Clarence Seedorf tornou-se, na avaliação de PVC, um exemplo de que as regras para treinadores estrangeiros não funcionam a partir de uma aceitação automática por nacionalidade ou continente. O jornalista comentou o caso no programa De Primeira, do Canal UOL, após Joanna de Assis informar que o Corinthians ainda precisava encontrar uma solução para manter o holandês regularizado na sequência da temporada.
A entidade recusou, na última sexta-feira, o pedido de equivalência da licença de Seedorf. O treinador havia sido autorizado provisoriamente pela CBF, motivo pelo qual, segundo a apuração apresentada no programa, o Corinthians não correu risco de perder pontos nem cometeu irregularidade nos jogos em que ele esteve à beira do gramado.
A autorização temporária, porém, não resolveu a questão de forma definitiva. Com a negativa da Conmebol, o clube passou a precisar de uma alternativa para os próximos compromissos. A resposta chegou no fim do dia e, conforme relatado por Joanna, o feriado dificultou o avanço imediato das discussões entre as partes envolvidas.
Experiência profissional foi o obstáculo
O principal impedimento apontado por Joanna de Assis foi o requisito de experiência. Para que uma licença europeia seja considerada equivalente na América do Sul, o profissional precisa cumprir critérios básicos estabelecidos pelas entidades responsáveis. Entre eles está a exigência de três anos de trabalho como treinador de uma equipe profissional ou de uma seleção principal.
Segundo a colunista, Seedorf não havia atingido esse período na função. “Foi aí que pegou para o Seedorf, porque ele não tem esses três anos de experiência”, afirmou Joanna durante o programa. A avaliação, portanto, não estaria relacionada ao peso da carreira do holandês como jogador, mas ao atendimento de uma condição objetiva para o exercício da atividade de treinador.
A explicação também afasta a ideia de que a licença de um país sul-americano tenha validade garantida na Europa ou de que uma certificação europeia seja automaticamente aceita no Brasil. A equivalência depende da análise dos requisitos previstos para cada situação. Foi justamente esse ponto que PVC usou para questionar interpretações recorrentes sobre a circulação de técnicos entre os dois mercados.
PVC contesta mitos sobre brasileiros na Europa
Na análise do jornalista, o episódio desmonta a tese de que uma licença obtida na Argentina seria naturalmente aceita na Europa, enquanto uma certificação brasileira não teria validade fora do continente. Para PVC, a questão não pode ser resumida à origem do documento ou à nacionalidade do treinador: é necessário cumprir as exigências aplicáveis ao processo de reconhecimento.
O comentarista citou Filipe Luís como exemplo de um profissional brasileiro que teria reunido condições para que sua licença fosse aceita na Europa. De acordo com PVC, o título da Libertadores conquistado pelo ex-jogador entrou nos requisitos considerados para a validade da licença. A referência foi usada para mostrar que a análise pode levar em conta critérios esportivos específicos, e não apenas o país onde o treinador se formou.
PVC também rejeitou a explicação de que a barreira linguística seria a principal razão para o número reduzido de brasileiros no comando de equipes europeias. Como contraponto, mencionou Oswaldo de Oliveira, tricampeão no futebol japonês. A lembrança serviu para questionar a ideia de que o idioma, isoladamente, impediria um técnico brasileiro de trabalhar e obter bons resultados fora do país.
O caso de Seedorf, assim, foi apresentado como uma oportunidade para separar dois debates. Um deles trata da regularização profissional e dos critérios de equivalência. O outro envolve a capacidade esportiva de treinadores de diferentes nacionalidades. Na visão de PVC, as duas questões não devem ser confundidas.
Discussão não seria sobre xenofobia
PVC também afirmou que a negativa não deveria ser interpretada como um episódio de xenofobia contra estrangeiros no futebol brasileiro. O jornalista lembrou que treinadores portugueses, argentinos e uruguaios trabalham no Campeonato Brasileiro. Para ele, a presença desses profissionais indica que o ponto central é burocrático: qualquer treinador estrangeiro precisa cumprir as exigências necessárias para exercer a função.
Joanna reforçou essa leitura ao explicar que um técnico europeu precisa atender aos requisitos para trabalhar no Brasil, assim como um brasileiro deve cumprir condições equivalentes quando busca atuar na Europa. A lógica, segundo a colunista, deve ser aplicada independentemente da origem do profissional.
A carreira de Seedorf como jogador também não altera esse procedimento. Joanna destacou que os títulos e a reputação internacional do holandês não substituem os critérios exigidos pela Conmebol. Mesmo sendo quatro vezes campeão da Liga dos Campeões como atleta, ele ainda precisa comprovar as condições previstas para a validação de sua licença de treinador.
Corinthians avalia alternativa para a sequência
Com a resposta negativa, CBF e Corinthians ainda tentavam identificar quais caminhos poderiam ser adotados para os jogos seguintes. Uma das possibilidades mencionadas por Joanna foi a inscrição de Seedorf como auxiliar. Essa alternativa, entretanto, poderia limitar sua atuação durante as partidas e não havia sido confirmada como solução definitiva no material analisado.
A situação, portanto, não representava punição esportiva ao Corinthians pelos jogos anteriores, já que a autorização provisória da CBF havia permitido a presença de Seedorf no banco. O problema passou a ser a regularização para a continuidade do trabalho sob as normas da Conmebol.
Até a informação apresentada no programa, não havia definição sobre o procedimento que seria adotado pelo clube. O episódio permanecia condicionado à busca por uma forma regular de utilização do treinador, enquanto a análise de PVC colocava em evidência que licenças internacionais dependem de requisitos concretos, e não de uma regra automática baseada na nacionalidade do profissional.