Tomás Cuello transformou uma noite de classificação do Atlético-MG em um marco pessoal. O atacante argentino marcou o quarto gol da equipe no empate por 4 a 4 com o Santos, pela Copa Sul-Americana, e ajudou a levar a disputa para os pênaltis. No dia seguinte, publicou uma reflexão sobre a grave lesão sofrida exatamente um ano antes.
O gol teve efeito direto na eliminatória. O Atlético precisava igualar o placar agregado para continuar vivo no confronto, e Cuello apareceu na reta decisiva da partida. Com a igualdade mantida após o tempo regulamentar, a vaga foi definida nas cobranças de pênaltis, vencidas pelo clube mineiro.
Na publicação feita no Instagram, o camisa 28 associou a atuação contra o Santos ao processo de recuperação iniciado após uma contusão no tornozelo. O jogador sofreu uma fratura na fíbula e rompeu ligamentos durante o primeiro tempo do empate entre Atlético-MG e Bolívar, em La Paz, pelo jogo de ida das quartas de final da Sul-Americana.
A lesão ocorreu sem contato com outro atleta. Cuello precisou passar por cirurgia em setembro de 2025 e não voltou a atuar pelo Atlético-MG no restante daquela temporada. Um ano depois do episódio, ele voltou a decidir um duelo continental e aproveitou a ocasião para falar sobre as dificuldades enfrentadas durante a reabilitação.
Cuello descreveu o dia da contusão como “um dos piores dias da minha vida”. No relato, afirmou que o período foi marcado por dor, dúvidas e pela necessidade de encontrar forças para continuar mesmo sem perceber resultados imediatos do tratamento.
O argentino também explicou que precisou aprender a respeitar o tempo da recuperação. Segundo ele, a experiência exigiu paciência e a capacidade de manter a confiança quando as coisas não aconteciam conforme o planejado. A declaração resume um processo que o afastou dos jogos e alterou a rotina do atleta durante a sequência da temporada anterior.
Ao avaliar o que viveu, o atacante disse que saiu da lesão mais forte mentalmente, mais consciente de seu propósito e ainda mais determinado a trabalhar. Ele também afirmou ter aprendido a valorizar cada evolução, inclusive as que acontecem longe dos holofotes e não são acompanhadas pelo público.
“Hoje, olhando para trás, entendo que aquela dor também me transformou”, escreveu Cuello. Na mesma mensagem, o jogador afirmou que a contusão o ensinou a não considerar nenhuma conquista como garantida e a seguir trabalhando mesmo quando não havia reconhecimento externo.
A reflexão terminou com a frase: “A lesão fez parte da minha história, mas não define quem eu sou”. A declaração ganhou força pelo momento em que foi publicada: logo após o argentino participar de uma reação que manteve o Atlético-MG na disputa por um título continental.
Participação ofensiva sustenta importância no elenco
O retorno de Cuello ao protagonismo também se relaciona ao espaço que ele conquistou no elenco alvinegro. Contratado pelo Atlético-MG no início de 2025, o atacante soma 14 gols e 15 assistências em 83 partidas pelo clube, conforme os números apresentados na apuração.
Durante a primeira temporada em Belo Horizonte, o argentino fez parte do grupo campeão mineiro. A produção ofensiva acumulada ajudou a consolidar sua presença entre as opções do time, especialmente em uma temporada na qual o clube disputa simultaneamente competições nacionais e continentais.
Em 2026, Cuello já havia participado diretamente de 17 gols. O desempenho era formado por nove bolas na rede e oito assistências. Esses números explicam por que o atacante passou a ser considerado uma peça relevante para o planejamento do Atlético-MG na sequência do ano.
A importância atribuída ao jogador também apareceu na última janela de transferências. O clube mineiro não autorizou a saída de Cuello para o CSKA, da Rússia, mantendo o argentino no elenco. A decisão preservou uma alternativa ofensiva em um período de calendário com compromissos na Copa Sul-Americana e na Copa do Brasil.
Gol contra o Santos recoloca trajetória em evidência
O lance diante do Santos não apagou o período de afastamento, mas ofereceu uma resposta esportiva depois da cirurgia e do longo trabalho de recuperação. Cuello voltou a marcar em uma partida eliminatória e participou diretamente da classificação do Atlético-MG, em uma competição que também está ligada ao momento mais difícil de sua carreira recente.
A sequência dos acontecimentos deu um significado particular à publicação. Primeiro, o atacante contribuiu para que a equipe alcançasse a igualdade no placar agregado. Depois, utilizou as redes sociais para lembrar que a recuperação foi construída em etapas, com avanços pequenos e esforço diário.
O desabafo não tratou a lesão como algo separado de sua trajetória. Cuello reconheceu que o episódio passou a fazer parte da própria história, mas rejeitou a ideia de que ele definisse sua identidade como jogador ou como pessoa. A atuação contra o Santos serviu, assim, como uma demonstração prática da retomada.
Com a classificação, o Atlético-MG segue na Copa Sul-Americana e também permanece envolvido na Copa do Brasil. Para o clube, a participação de Cuello amplia as alternativas no setor ofensivo. Para o argentino, o gol que levou o confronto aos pênaltis representou o retorno a um papel decisivo depois de uma lesão que havia interrompido sua temporada.