Quando Pedro Lourenço assumiu o comando da SAF do Cruzeiro, em maio de 2024, o próprio dirigente reconheceu que o Atlético-MG estava à frente do rival em desempenho e estrutura esportiva. A promessa feita naquele momento era reduzir a distância em um prazo de dois anos. Nesta terça-feira, às 21h, na Arena MRV, os clubes se enfrentam pela volta das quartas de final da Copa do Brasil em um cenário que permite ao cruzeirense considerar a meta parcialmente cumprida.
O primeiro jogo terminou empatado por 1 a 1, no Mineirão. Com a eliminatória aberta, o confronto em Belo Horizonte coloca frente a frente duas equipes que, nos resultados recentes, passaram a apresentar uma disputa mais equilibrada. O vencedor avançará à semifinal da competição nacional, em confronto contra o Corinthians.
A mudança de patamar do Cruzeiro não ocorreu de forma imediata. No início da gestão de Pedro Lourenço, o clube ainda tentava se firmar na elite após o retorno à Série A, em 2022. Pouco antes da declaração do dirigente, a equipe havia perdido o Campeonato Mineiro para o Atlético-MG, um resultado que reforçava a percepção de superioridade do rival no futebol de Minas Gerais.
Investimento maior mudou a trajetória do Cruzeiro
A estratégia anunciada pelo proprietário da SAF envolvia elevar o investimento e montar um elenco capaz de competir em diferentes torneios. O objetivo esportivo incluía a volta à Libertadores, principal competição continental, e a recuperação da capacidade de disputar títulos com o Atlético.
Os resultados de 2024 já mostraram uma primeira aproximação. O Cruzeiro terminou o Campeonato Brasileiro na nona posição, acima do Atlético, que ficou em 12º lugar. Também alcançou a decisão da Copa Sul-Americana, embora não tenha conquistado o título nem assegurado uma vaga na Libertadores de 2025.
O rival teve campanhas de destaque em outras frentes naquele ano. O Atlético foi vice-campeão da Copa do Brasil e da Libertadores, mas também terminou a temporada sem classificação para a principal competição sul-americana do ano seguinte. Nos clássicos pelo Brasileiro, porém, o Galo manteve vantagem: venceu um duelo e empatou o outro.
Em 2025, o Cruzeiro ampliou o investimento, mas começou a temporada com uma frustração no estadual. A equipe foi eliminada pelo América-MG na semifinal do Campeonato Mineiro. A recuperação ganhou força no Campeonato Brasileiro, torneio em que o time terminou na terceira colocação, enquanto o Atlético fechou a disputa em 11º.
A campanha nacional recolocou o Cruzeiro na Libertadores e indicou uma inversão importante na comparação entre os clubes. Na Copa do Brasil daquele ano, o time celeste também eliminou o maior rival nas quartas de final, antes de ser derrotado na semifinal.
Primeiro título da nova gestão veio no Estadual
O passo mais simbólico para o Cruzeiro ocorreu dois anos depois da promessa de Pedro Lourenço. O clube interrompeu a sequência de seis títulos consecutivos do Atlético-MG no Campeonato Mineiro e conquistou o troféu, o primeiro da equipe sob a nova gestão.
O título estadual não eliminou todas as diferenças entre os adversários, mas reforçou a ideia de que o Cruzeiro voltou a competir em condições mais próximas. Na Libertadores, a campanha celeste terminou nas oitavas de final, com eliminação diante do Flamengo. No Campeonato Brasileiro, o time ocupa a quinta posição, enquanto o Atlético aparece em sétimo, com uma partida a menos.
Esses números ajudam a explicar o peso do clássico pela Copa do Brasil. O Atlético ainda tem a possibilidade de usar o mando de campo para buscar a classificação, mas não carrega uma vantagem construída no primeiro jogo. O empate no Mineirão deixa a decisão dependente do desempenho na Arena MRV.
Rivais mineiros decidem vaga na Arena MRV
A partida desta terça-feira representa mais do que a continuidade de uma rivalidade estadual. Para o Cruzeiro, é uma oportunidade de confirmar, em uma competição de mata-mata, a evolução obtida desde a mudança no comando da SAF. Para o Atlético, a classificação pode interromper a sequência recente de resultados favoráveis ao adversário e recolocar o clube em uma semifinal nacional.
A igualdade no confronto também aparece na leitura dos proprietários das duas equipes. Em 2024, Rubens Menin, dono da SAF atleticana, afirmou que o fortalecimento do Cruzeiro seria positivo para o futebol de Minas Gerais e para o próprio Atlético. Na avaliação do dirigente, o rival celeste poderia integrar o grupo dos clubes mais fortes do futebol brasileiro.
A declaração de Menin se relacionava justamente ao processo de reconstrução conduzido por Pedro Lourenço. Desde então, o Cruzeiro passou a somar uma melhor campanha no Brasileiro, voltou à Libertadores, conquistou o Mineiro e disputou decisões e fases avançadas de torneios nacionais e continentais.
O duelo pela Copa do Brasil, contudo, será definido em 90 minutos e não por uma comparação histórica. O Atlético joga em seu estádio, enquanto o Cruzeiro precisa transformar a evolução acumulada nos últimos dois anos em resultado dentro de campo. A vaga na semifinal, contra o Corinthians, será o próximo indicador do equilíbrio que Pedrinho prometeu alcançar.