Corinthians blinda Memphis após pênalti que selou queda na Libertadores
Atacante desperdiçou a cobrança contra o Estudiantes, mas recebeu respaldo de Marcelo Paz e Fernando Diniz; clube ainda pode ser multado pela Conmebol.
O Corinthians decidiu proteger publicamente Memphis Depay depois que o atacante desperdiçou o pênalti que poderia manter o time vivo na Libertadores. A cobrança ocorreu nos minutos finais da derrota por 1 a 0 para o Estudiantes, na Neo Química Arena, resultado que eliminou a equipe brasileira nas quartas de final. Mesmo com o peso do lance, a direção e a comissão técnica recusaram a tentativa de transformar o holandês no único responsável pela queda.
O executivo de futebol Marcelo Paz relatou que Memphis reconheceu o erro no vestiário e foi acolhido pelos companheiros. Segundo o dirigente, o ambiente após a partida foi de forte frustração, com jogadores chorando e decepcionados por uma campanha que, internamente, era vista como uma oportunidade concreta de avançar na competição continental.
“Quando ganha, é todo mundo, e quando perde, é todo mundo. A gente tem que saber ser grupo nas derrotas, só perde o pênalti quem bate”, afirmou Paz. O dirigente também disse que o clube continuará contando com o atacante nos compromissos seguintes e criticou a busca por explicações simples para uma eliminação construída ao longo de dois jogos.
Memphis era uma das opções oficiais para cobrar
A escolha de Memphis para a cobrança não foi uma decisão improvisada tomada durante a partida. Fernando Diniz explicou, na entrevista coletiva, que o holandês e Rodrigo Garro são os principais cobradores do Corinthians. Em uma eventual disputa por pênaltis, os dois também estariam entre os primeiros jogadores indicados para as cobranças.
“Ele é o batedor. Ele e o Garro. Se tivesse cobrança de pênaltis, eles bateriam o primeiro e o segundo. Ele está acostumado a bater pênalti, assim como o Garro. Qualquer um dos dois poderia bater”, declarou o treinador.
O pênalti surgiu depois de uma bola na mão de Tomás Palacios dentro da área, com a marcação confirmada após orientação do VAR. O Corinthians perdia por 1 a 0 e precisava do empate para levar o confronto à disputa por penalidades, já que havia empatado por 1 a 1 no jogo de ida, na Argentina. Memphis, porém, mandou a finalização por cima do gol.
Diniz ressaltou que o atacante assumiu a responsabilidade em um momento de pressão e que a experiência acumulada por ele justificava a confiança da comissão técnica. O treinador também afirmou que Memphis tem serviços prestados ao clube e que o resultado não pode ser atribuído exclusivamente à cobrança desperdiçada.
Na partida de volta, o Corinthians terminou o primeiro tempo sem conseguir marcar. O Estudiantes também encontrou dificuldades na etapa inicial, mas voltou do intervalo com postura mais ofensiva e abriu o placar com Alexis Castro. A equipe argentina administrou a vantagem até o fim e garantiu a classificação para a semifinal.
Ausência na zona mista pode custar US$ 10 mil
Após a eliminação, Memphis deixou a Neo Química Arena por uma saída alternativa e não passou pela zona mista. O espaço é destinado à circulação dos jogadores diante dos jornalistas depois das partidas. De acordo com a regra da Conmebol, os atletas precisam comparecer ao local, embora não sejam obrigados a conceder entrevista ou responder às perguntas da imprensa.
O descumprimento prevê uma multa de US$ 10 mil para o Corinthians. A quantia, caso a punição seja aplicada, será descontada da premiação que o clube tem direito a receber pela participação na Libertadores. O valor da premiação informado para o time paulista é de US$ 4,97 milhões.
Marcelo Paz indicou que o Corinthians orienta os jogadores a cumprir o procedimento estabelecido pela entidade sul-americana. O dirigente também lembrou que Memphis já havia se envolvido em uma situação semelhante em partida contra o próprio Estudiantes, em La Plata, e que, naquela ocasião, o atacante teria assumido a responsabilidade pelo problema.
“Lá em La Plata, contra o Estudiantes, Memphis teve o gesto que gerou polêmica. Ele disse que, se tiver algum problema, ele paga. Assumiu que errou. Imagino que ele terá o mesmo comportamento agora”, disse Paz. O executivo acrescentou que a recomendação do clube é para que todos passem pelo setor de imprensa, mas classificou o episódio como uma atitude individual.
Eliminação encerra campanha do Corinthians
A queda aconteceu diante de 47.549 torcedores, segundo os dados divulgados sobre a partida. O confronto registrou o segundo maior público do ano na Neo Química Arena e gerou renda de R$ 4.729.905,00. A presença da torcida aumentou a dimensão da frustração, já que o Corinthians precisava vencer em casa para avançar diretamente ou, ao menos, forçar a disputa por penalidades.
Com a vitória em São Paulo, o Estudiantes avançou à semifinal e aguardava o vencedor do duelo entre Flamengo e Independiente del Valle para conhecer o próximo adversário. O Corinthians, por sua vez, encerrou sua participação continental com um empate fora de casa, uma derrota como mandante e a cobrança de Memphis como último momento de possibilidade de reação.
A direção e Diniz, contudo, mantiveram a mesma linha após o jogo: o erro foi decisivo para o desfecho, mas não explica sozinho o desempenho da equipe. O clube terá de lidar com a eliminação e com a possível sanção administrativa sem romper a confiança no atacante, que permanece integrado ao elenco para a sequência da temporada.